Drama da Palavra ou Drama de Um Corpo

Se tivesse que falar do amor, falaria do amor do Universo por mim… da benevolência que Ele tem em relação a mim… porque Ele sabe quem eu sou e espera. Aceita-me onde eu estou. Não há amor maior que este… sei que me falta cumprir-me, mesmo que eu já seja completa… mas falta-me cumprir a minha completeza na matéria… talvez não precise e seja meta física, mas há algo que ainda me trava… há algo muito grande em mim, algo a que o ego resiste… há névoa que pede costura nas minhas palavras, no que eu digo… sei que há algo maior para dizer, sei que as palavras podem mais, que a expressão perfeita mora em mim, mas há muito barulho depois da palavra… é por isso que não me sento para escrever… escrevo para me sentar, que é ouvir melhor. O ato de escrever, que é ouvir, é primário.
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Sobre “Adeus” de António Lobo Antunes

Hoje, arrastei-me para a secretária para dar uma aula de heteronímia pessoana, mas o tempo atropelou-nos e, antes disso, resolvemos um exame (2013) onde figura esta obra-prima, assinada por António Lobo Antunes… li-o antes da aluna chegar, como que num augúrio qualquer de que ia chorar… no entrelaçado das frases, algo me ia levar para o profundo mistério onírico que é estar vivo. Continue reading

Mortos são Mortos – Panteão #InTheSummit

Márcia Augusto, ensaiada de Filosofia, Poesia e Literatura, mas livre... sobretudo isso de ser livre

Márcia Aires Augusto,

Bom, não contava vir aqui escrever hoje… na verdade, ando um tanto desaparecida do blogue, mas, para quem acompanha, ando bem ativa no #Facebook, no #Youtube e no #Instagram. Quem não muda ganha raízes e eu gosto pouco de me agarrar ao chão, como sabem.

Ainda assim, como se percebe, vim aqui… em jeito de resposta ao desafio da minha mãe que me pediu para escrever sobre isso das almas magoadas do Panteão Nacional… Ora, façam-me um favor… Magoados estariam eles se viessem ver obras de governação e resquícios de império morto.

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O amor não é bicondicional

Este é um excerto que acabo de escrever para a obra “Ensaio Sobre A Má Educação”. A parte integral do que foi até agora partilhado pode ser lida aqui, bem como no separador “Ensaios e Livros“, onde vou passar a disponibilizar mais livros que até agora não havia revelado.

Falando agora sobre o Amor, o amor dos humanos não é o amor do Amor, a ideia primordial do que é o Amor, enquanto força criadora. Podemos fazer equivaler Amor à Mente, mas, quando falamos de Amor entre duas pessoas, falamos da Mente a ser partilhada de um modo mais efetivo, quer dizer, a sentirmos que está algo transcendente, algo extrassensorial e extracompreensão a ser partilhado. Bom, mas não é isto que acontece entre os seres humanos… porque este Amor, esta Mente, é incondicional… é impossível de ser condicionado, permeável a condições. Continue reading

Perdão, Vergílio e Barbies na Descrição

Toda a gente sabe que eu deixei de brincar com barbies bastante cedo e houve momentos em que achei que eram deformadas, por causa dos joelhos e das mamas que fazem lembrar piões de brincar no cimento. Durante 26 anos, tentei esconder quem era e fingir que pensava como os outros. Depois, e de cada vez que me descubro, me ponho ao léu mesmo, percebo que toda a gente pensa bem perto de mim, afinal. Só não mostra. Porque valem mais o “Like” e a sombra do que a leveza de quem São. 

Agora o vídeo.

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Uma Borboleta Quer Dizer Metamorfose

Hoje, terminámo-nos. Não mais do que isto. Meia dúzia de frases bastarão… ou, porque nada irá chegar, fico-me pela meia dúzia.

Amanhã termino a borboleta que comecei, quando te conheci. Durámos o tempo de uma borboleta. E foi bom. Lembro-me de me dizeres que não querias que eu fosse efémera como uma borboleta… acho que o Universo te fez a vontade ou, no fundo, tu já sabias que eu me ia, quando ela acabasse. Continue reading

Delito emocional. O Amor e um Berlinde.

Gostava que soubesses que é duro… que eu nunca quis isto para nós… acabo sempre por vir aqui acertar contas com o mundo… dóis-me como bolas de berlinde  a respirar… as bolas com que ainda somos capazes de brincar, mas não servem mais ao propósito… todos nós somos capazes ainda de jogar ao berlinde, isso entretém-nos, mas já não nos serve de nada. E tu dóis-me como uma bola de berlinde… nunca lhes dei muita atenção, mas quando elas apareciam, eu estava disposta a focar, a prender os meus olhos nelas… saber-lhes o dentro, as cores e as formas todas… batia com elas no chão, sem querer…

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Rainha das Galáxias e Astronautas sem Nave (E adeus é mentira)

Os meus preferidos são estes… os que chegam, se apropriam e dizem coisas que eu não sei. O principal sentido é a arte não fazer sentido nenhum. É que ela nos quebre a métrica do sensível, é que ela nos deixe atravessar dimensões, é que ela nos permita ser sensacionismos novos, intercecionados com cheiro de «Pauis» – de Paulismo. Obrigada, Deuses. Obrigada, Céu. O único lugar verdadeiro da Arte.

M. Augusto

Amo-te, não te quero. Garrett começa assim um poema – ou talvez seja ao contrário e eu tente legitimar a minha contradição. Creio que se chama “Adeus!” ou será “Não te amo?”. “Amo-te, mas não te quero” parece-me adequado agora. Amo-te como Deus quer. (Eu já escrevi isto). Outra vez. Quando Deus, o da coluna, quer que eu vá, eu vou. Não pestanejo face ao cosmos. Submeto-me à la Reis. Helénica que sou. Continue reading