Poesia I

A poesia tem essa coisa de me chamar para a Vida. Como um ritual em mim que se instala. Tem essa coisa de não me fazer desistir da vida, essa coisa de me fazer perseverar mesmo quando agora não há nada, só vazio e silêncio. Absoluto. Tem o dom de me transmutar… De tornar brado o meu calor infinito. O que não existia. Tem o dom de convocar personagens, ruas e personagens e outros tais que não sei que havia. Tem o dom de me fazer eu, mesmo quando eu não me conhecia. A poesia é dom, brado infantil de uma criança. Continue reading

Os livros não se procuram, encontram-se

Desfocada como a vida. A recomeçar como o tempo. Hoje, na livraria, outra vez “Os livros são como o Amor, não se procuram, encontram-se”. Na verdade, na primeira aceção foi mais rude… “os livros são como os homens, nao se procuram, encontram-se”. Há uns três anos, esta frase perseguia-me na Fnac e deu origem ao texto “As livrarias são como os bordéis”. O que me faz pensar que é mesmo verdade, não sobre os homens, mas sobre os livros e o Amor (porque não pode ser por acaso que uma frase se repita no mesmo local, três anos depois) . Quando vou à livraria desesperada para que um livro faça por mim o que não sei fazer, é uma desgraça. Uma pobreza, uma miséria. Mas quando me passeio lá como sendo “partilhadeira” do Amor, da alegria que transborda e os partilho com as estantes, lhes dou os meus olhos e o coração a tocar, todos os livros que querem vir comigo para casa me sorriem. E passamos noites e tardes de amor, uma e outra vez, sem parar. Se pudesse escolher? Ok… Se pudesse escolher, escolheria a poesia… A única mãe que bate tudo aqui na Terra, porque me chama ao Próprio Deus ou é o próprio Deus a chamar-me.

A Poesia, será sempre a poesia

Gosto de poesia, porque ela faz sorrir. Mesmo quando não percebemos nada ou o poema parece não dizer nada. A poesia tem esse dom. O dom de trazer a verdade além-mundo, sem que percebamos. Tem o dom de ir direta ao coração, de nos acordar, sacudir, chocalhar a alma. Com as palavras.

As palavras têm o dom de acordar. Há poesia mais nobre, mais célere do que uma oração… Porquê? Porque ela fala em Deus sem pedir nada. É palavra em-Deus a ser. Não tem propósito, é desinteressada. Sai, vem de dentro, de dentro do cosmos, não é do corpo. Traz revelação velada. A nós, resta-nos recebê-la, mesmo e sobretudo sem a entendermos com a mente. As melhores palavras são aquelas que fazem sorrir sem percebermos porquê que sorrimos. É para isso que serve a poesia, a mais nobre das ações em palavras. Pode curar qualquer mal e nós nem nos apercebemos. É graças à poesia que trazemos lições, códigos de vida que Deus nos passou sem sabermos que era Ele.

Comigo, começou bem cedo… Um dia quebrarei todas as pontes que ligam o meu ser, vivo e total, à agitação do mundo do irreal e calma subirei até às fontes. Como é que uma criança de 8 anos percebe isto? Como é que o impacto é o mesmo tenha eu 8 ou 29 anos? É Deus, é o intemporal que o vela, ao poema. Foi sempre assim… As palavras. É o intemporal em nós que torna a palavra arte, quer dizer poesia. A poesia não tem religião, não escolhe Deus, tão-pouco humanidade. Às vezes rebela-se-lhe. A poesia diz, o coração recebe. É por isso que o Poema é a arte nobre da palavra, é o dom que não envelhece. A poesia, a poesia vai salvar-me. A poesia, sempre a poesia.

#ElasDoAvesso

“George” por Maria Matono – Programa de 12º Ano de Português

Este texto é todo de uma aluna de Português… desafiamo-la a pesquisar autonomamente sobre os contos et voilà… Obrigada, Maria!

“George”- O papel e representação da mulher e respetiva evolução

 Começamos, neste conto, com uma mulher (mais tarde sabemos que tem 45 anos) adulta, madura e experiente, que se encontra com o seu “eu” passado, uma rapariga de 18 anos em toda a sua inocência. Mais tarde, já de regresso ao sítio de onde veio, depara-se com uma mulher idosa de 70 anos, no comboio, onde esta lhe conta as verdades que todos conhecemos sobre a velhice.

 Gi, George, Georgina, todas uma, diferentes das outras e, no entanto, iguais, as três fases da vida da personagem principal. É, no entanto, nas conversas e pensamentos destas mulheres que me pretendo focar.

  No primeiro encontro, entre Gi e George, temos os pensamentos da segunda, relativamente à sua juventude e às pessoas que a rodeavam. “Superiores na sua ignorância”, Gi vem de uma família integrada na classe média portuguesa em meados do século xx, moradores de uma vila, tendo, por isso, os valores morais, não só da época, mas também da localização em que se encontrava. Valores conservadores, de ignorância a nível intelectual, de trabalho e de família. O papel da mulher, nesta sociedade, é, portanto, o de mãe e de esposa devotada, sem se expor, trabalhar para a família, casar com o namorado de anos e anos, viver uma vida pacata e sossegada, sem escândalos, sem nunca sair da terra onde nasceu. Continue reading

Deus é Engenheiro

(Este texto foi escrito originalmente no grupo “notícias do Bem”, mas apaguei-o lá, porque achei que o espaço não era para isso, embora tenha sido o espaço que acolheu este post. Ia só falar sobre a inclusão de uma doença na caracterização de uma boneca e acabou por sair isto).

Não é sobre aceitarmos a máscara de que isto se trata, mas, aos poucos, isto vai ficando mais acolhedor, mais inclusivo. Mais como Alto, mais “está tudo bem”, independentemente do que isto parece ou do que eu penso sobre o que acontece. No fim, ninguém quer saber do que pensamos. O melhor, o melhor é acolher todo e qualquer ser humano ou, melhor ainda, qualquer forma de vida. Tenho-me apercebido de que “sei” muito e de que não sei fazer nada ou muito pouco. Mas o não saber conduziu-me até aqui. Esvaziou-me. É no nada, é na doença, na asfixia, que gratidão, amor… Deus… deixam de ser coisas nos livros. É também aí que deitamos muito lodo fora, palavras estrangeiras e coisas que já não nos representam. Mesmo que isso seja “ego”. Não querer ter ego ainda é ego. Isto trata-se de aceitar a merda como ela está e amá-la por isso. Porque há algo subtil na dor, que religa, que dá sentido, que une. Percebes também que nunca te vais curar, porque, ao que parece, a tua doença não existe, é fictícia. Mas tudo bem, tu sente-la e dói para c. Mas, ainda assim, é uma dor diferente depois de teres “estudado” tanto, meditado tanto e, acima de tudo, teres encontrado Deus – encontramo-lo no desespero ou na beleza de uma paisagem, no amor a outro ser… Normalmente, só ligamos no primeiro caso. Ele nem se dá conta, Ele está sempre lá, aqui dentro, quer tu O reconheças, quer não. Mas a vida ganha muito mais cor, aliás, ganha vida. As tretas da autoajuda, do curso, do exagero da meditação, da iluminação e de tudo, tudo o que é demais é erro – e eu paguei bem caro por isso -, são isso… Tretas para serem levadas a sério. Vão esvaziar-te. Se fizeres bem o serviço, que é deixares-te levar pelo ego a querer iluminar-se ou a querer outra merda qualquer que tu valorizes, vão levar-te à loucura. Vão levar-te à loucura, porque tu “ainda queres”. Ainda queres. Ainda não está bom. A tua vida vai tornar-se num pequeno inferno. Ninguém nota, mas tu estás na merda. E trocavas tudo por um pensamento, uma decisão real – “eu não quero nada desta merda, eu estou bem como estou” . (Nesta altura, nem tens alma para dizer palavrões. O cérebro está demasiado anestesiado de tanta meditação e de tanta reza. Só falta levitares de tão puro que tu estás. Só falta uma coisa : Vida.).

Deixei tudo, até o próprio Deus, ou, pelo menos, o que eu achava que Ele era, uma tropa de mandamentos… Encontrei-O lá, na praia, a dizer que se Ele era aquele inferno, meditação, reza, desistir do mundo, de comer, do sexo e de tudo, que eu não O queria; afinal, eu gostava tanto do mundo e não sabia. Afinal, eu gostava tanto de pessoas e não sabia. Afinal, era tão bom estar viva e eu não sabia. Foi aí que o encontrei, num silêncio qualquer que fala, que dizia, pulsava, no coração e na vida… Filha, eu nunca te pedi nada. Eu só quis que fosses feliz na cagada que arranjaste. E foi tão bom! A autoajuda e toda a busca vão destruir-te, porque é o teu ego que está em busca. No fim (qual Einstein – as grandes descobertas ocorrem quando o investigador atira a toalha), percebes que não há nada para buscar. Está tudo aqui. O cliché todo. A cena é que não é mais um cliché. O dinheiro deixou de te meter medo… E essas coisas todas do mundo. Há só uma coisa que ainda te mete medo, a tua própria cabeça. Ela ainda não está curada e, às vezes, lá estás tu nas merdas dela. Mas, agora tens escolha… Uma escolha que te liberta, o agora.
Nunca vou deixar de o investigar, ao ego, dizem que não vale a pena… Mas eu não consigo não cair nas tretas dele se não perceber porquê que sempre que fico com medo, como um camião de bolachas. Ele é um tipo muito desequilibrado. O ego. Tu não és o ego, mas tens de o conhecer, porque, se não o conheces, do nada ele está a liderar o teu sonho; o que te fazia feliz ele tem o dom de tornar na tua prisão… O trabalho que tu amas, ele torna-o numa linha de montagem e ou numa forma de ganhares dinheiro. Tudo bem com isso, mas não é esse o ponto. Tudo para te dizer isto: está tudo bem até se não fizeres nada, porque tu És antes de fazer. A cena é que se não fazes – mas antes e durante sê o que fazes -, vais adoecer, porque nem Deus soube estar quieto, quando Te criou e está sempre a criar. Quando amas, é Ele. Quando ajudas alguém, é Ele. A cena é não fazer só porque não sabes estar quieto, porque isso também te vai adoecer. Solução: Agora. Agradecer. Desejar o bem e acolher o “outro” como parte da família. Somos Um. No fim, é a unidade que te vai salvar. O resto são Tretas. É quando não queres nada que é do outro, que ficas feliz por ele, que não colocas o teu desejo pequenino à frente do do outro. Por exemplo, ir sair com alguém só porque não sabes estar sozinho. Achas que tens o direito de ocupar o tempo do outro, quando o ponto não é estar com ele, mas não estares sozinho? Não, não tens. Deus não é só uma experiência de morte – também É -, mas é mais, e sobretudo, esvaziares-te de ti para não fazeres mal ao outro. Para que Ele possa levar o bem ao outro. É quando o mundo deixa de ser só uma expressão do que tu achas que queres. É quando confias que da maneira Dele é que está bem, porque, na verdade, não sabias, nem soubeste fazer melhor. Ele torna a nossa cagada em três atos em Amor. Se isso não é alquimia, eu não sei o que é. DEUS É o maior engenheiro. Tudo procede Dele e o que não procede foi alta cagada da nossa mente que, se tu quiseres, Ele vai reinterpretar.

Eu falo de Deus, porque sem Ele não conseguiria. Encontras Deus, quando não há solução, quando “Foda-se. Fodi-me toda e agora? “. Agora rezaste no desespero, porque percebeste que não há meditação nenhuma nem livro que te salve. Só Ele. E a tua dor passa e tu não deste por nada. Curaste uma depressão e ninguém deu por nada. Nem tu (!). Do nada, estás a pensar para a tua mente, que é como falas com ela, “quero lá saber se isto é real, quero é ser feliz”. Aceitas a dor como parte do plano e usa-la para te ligares a todos os seres. Pedes que a cada pontada de dor no teu coração, 1000 bênçãos sejam dadas aos teus irmãos, pedes felicidade para os pássaros e para todas as formas de vida, pedes desculpa quando vais contra um candeeiro ou quando és bruto com alguma coisa, porque sabes que somos Um, ninguém to mostrou, à custa de tanta pancada, meditação e reza, subitamente, eu chamo Deus ao súbito, estás lá, e o ego é engolido nesses momentos. Nesses momentos, ele morre no próprio veneno. Ele queria iluminar-se e tornou-se invisível para ti. Depois ele volta com as merdas dele, mas já não tem o poder que tinha sobre ti. Entregas, rezas, pedes a Deus e subitamente ele, que é a causa da dor, desaparece. Falta-me correr muito, mas ainda assim, faz parte do jogo vir aqui contar. Bring it on. Não, não são vocês que precisam de saber, é o nosso vínculo que precisa de ser recordado. É isso que faço, quando partilho. Curo-me de cada vez que o nosso coração se faz Um. Calhou – me de ser fácil com as palavras, mas é só isso… Elas são veículo para o nosso amor que existe. Love. Nós

Nota: engenheiro, para mim, é aquele que arranja solução para aquilo que a humanidade considera problema na prática. Não está com merdas nem é político. Ele resolve o que nitidamente precisa de ser resolvido. By the way, eu digo que não, mas adoro engenheiros.

Untitled

Há uma conspiração do universo para nos salvar… há uma verdade dentro pronta para nos salvar. Há uma valsa qualquer, um rastro de novo… vem de lá, do Antigo, mas é novo, novo como agora… fresco, sempre o mesmo e sempre a mudar. É o rasgo que cura, que une tudo… o que muda e o que não muda. Dizer expande, atravessa, rasga e não chega. Talvez uma música… tudo o que manifesta subtrai… mas traz-nos (suspensão de pensamento) Continue reading

Talvez isto tudo. Talvez nada. Talvez não possas ir sem tentar

Sobre as contradições do mundo… Pede-se um profissional que goste de trabalhar em equipa, mas ensina-se o aluno a ser o melhor. Pede-se um profissional que ame o que faz, mas ensina-se à base da campainha (aula orientada para o fim, o que o prepara para esperar pela hora do fim no trabalho) e do medo. Pede-se um ser humano sem preconceitos, mas ensina-se literatura de há 600 anos atrás, carregada de preconceito. Queremos que o estudante escreva bem, mas ele tem de aprender literatura medieval e modos de escrever que já não se usam.

Queremos que ele seja forte e não se vitimize, que trabalhe porque ama e não espere recompensas, mas ensinamos Camões como herói, mesmo que sempre a queixar-se de que não é reconhecido.

Deve ter pensamento crítico, mas idealmente cuspa no exame o manual.

Filosofia não serve para nada. Intuição é coisa de louco, mas, no fim, as melhores decisões, as que viram, de facto, a nossa vida do avesso, vêm dessa parte da mente, que, numa escola, instituição de ensino, todos fingem que não existe.

Pede-se uma sociedade não estratificada, mas dividem as turmas por grupos, funcionários da escola fardados e professores e administrativos vestidos com roupa normal.

Devem amar o próximo, mas idealmente que o teu próximo esteja abaixo de ti na pauta.

Pede-se que o profissional seja honrado, mas o aluno que dá mais atenção ao professor (no mundo do trabalho será o chefe) é beneficiado.

Os programas estão cada vez mais longos e eles saem de lá a saber cada vez menos.

Não vai ficar perfeito, mas até quando vamos fingir que está tudo bem?
Hoje ouvia que o trabalho de espiritualidade e desenvolvimento tem de ser mais profundo e feito com os mais velhos, mas talvez se os mais velhos tivessem aprendido na escola que somos um, que não há separação, que eles valem na mesma independentemente de tirarem 10 ou 20, que o 20 pode até tirar só 19 e ajudar o 10 com o pouco do seu tempo, investido no 20, para que o 10 tire 12… Que o 10 não é mau, porque não sabe e, com certeza, tem conhecimentos práticos que a escola nao deixa florescer.. Talvez, hombridade e estrutura moral que o fazem capaz de ensinar o 20 sobre humildade enquanto o 20 ensina o 10 sobre economia. Talvez, se os estudantes de economia aprenderem a nobre verdade de que somos Um, deixe de fazer sentido 10 empresas de Gillettes, para que as 10 se unam e façam a melhor Gillette do mundo. Talvez, percebam que, dessa forma, ganham muito mais dinheiro e muito menos consumições. Talvez, os antidepressivos deixem de ser tão vendidos… Talvez, os adolescentes possam poder passar por uma adolescência sem calmantes. Talvez.

Talvez seja utópico, mas, talvez, se não sonharmos o mundo acorde sem cor. Talvez, se Martin Luther King, Mandela, entre outros, achassem que a sua Visão era utópica, o sectarismo e o racismo fossem aceites. Os negros viajassem na parte de trás do autocarro e o Apartheid ainda existisse.

Talvez, a criança deixe de ir ao terapeuta. Talvez, o pai tenha mais tempo para o filho, afinal, as empresas ja não competem entre si, nem ele tem de ser o melhor, mas honrado, um ser humano que ama o seu trabalho e que não precisa de fazer mais nem melhor do que o do lado, meramente – e isto chega, porque é tudo – fazer com amor (mas ninguém faz com amor se está preocupado em ser o melhor, são metas diferentes, logo meios e resultados diferentes).

Talvez, a mulher não precise tanto do cabeleireiro nem da roupa nova, porque agora se sente amada sem corresponder a cânones, porque está alertada sobre a TV e a publicidade, talvez já saiba observar a mente e discernir o que é real. Talvez isto tudo. Talvez nada. Vale a pena tentar. Talvez tentar.

Gosto de sonhos que não sei se vou cumprir

Gosto de sonhos que não sei como vou cumprir. Isso garante-me que não sou eu, que há algo maior do que eu a operar as coisas. Gosto de não saber. De não saber como vai ser. De não saber nada. De ser uma completa ignorante face à vida… do inato do respirar… porque não preciso de o saber. Talvez devesse ler mais os “meus” textos. Talvez as respostas estejam lá e eu não veja. Talvez isso tudo seja verdade e eu teime em desconfiar do que sinto para seguir o que vejo. Talvez o mundo seja dos loucos ou não seja de ninguém e tudo bem com isso. Gosto de não ter ambições, mas estar carregada de sonhos… ou só de um… um que eu não sei ver, não sei concretizar… é maior do que eu e não o posso iniciar a achar que o vou cumprir… posso, meramente, começar, acreditando que se for vontade de Deus, se cumpre ou se inicia… se não for, não se cumpre, sequer se chega a iniciar. Continue reading

Meio e fim são o mesmo

Quando é que vamos perceber? GOD, quando? Vale para autoajuda, querer ficar rico, querer o casamento de sonho… É só mais um running the program. É trocar uma app desatualizada por outra, mas não deixa de ser uma app, isto é, algo estranho, algo não original ao software. Até quando?

A felicidade está em sermos quem somos sem pedir mais do que o agora à vida. Uma vez, li num livro “deseja muito, não queiras nada”… Não entendi.

O desejo é uma vontade dentro, independente do que eu quero para mim e para os outros. É uma vontade quase alheia. Quer eu estivesse neste ou noutro corpo, essa vontade mantinha-se, ela não é uma necessidade do corpo. É da alma. Mas, como qualquer coisa que é da alma, não quer nada para si e está completa mesmo se nada acontecer. Deixa-se estar, vive no agora, e flui como a água.

Quando queremos, separamo-nos do fluxo, querer é já apontar para o futuro e ele não existe. Solta, voa, deixar parar… Roda de novo.

Ninguém te pede nada além disto: que tu honres quem tu és e tu não és uma folha de salário, a queca bem dada, o distintivo ao peito. Solta, vai viver. Por favor.

P. S. : meio e fim são o mesmo. Isto é, se eu quero acabar com a sede (necessidade de beber), bebo. O meio é beber, o fim é beber.
Se eu quero levantar o braço, o meio é levantar o braço, o fim é levantar o braço. Certo? Se eu quero respirar, o meio é respirar, o fim é respirar.

Então, se queremos ser felizes, porquê que o meio, em vez de ser feliz, é ganhar dinheiro, ter uma casa, uma relação? O universo não falha e vai responder ao meio, porque o tempo é simultâneo (causa e efeito são o mesmo) . Então, se eu quero ser feliz (fim), o meio tem de ser felicidade.

Normalmente, trabalhamos imenso, acreditando que “depois” teremos o reward, a recompensa. Lamento. Se estás infeliz, cansado, a fazer (meio), o fim será exatamente esse. Então, como esperamos felicidade se o que andamos a fazer/viver no agora é exatamente o contrário?

Então:
Fim – Ser feliz / Meio – Ser feliz
Fim – ser rico / Meio – ser rico
Fim – ser sexy /Meio – ser sexy
Fim – ter umas calças bonitas / Meio- ter umas calças bonitas

Tudo bem com fins terrenos, só não vamos esperar omeletes sem ovos.