São umas vidas… #ElasAndamNasVidas

(Sim… aos puritanos… temos mesmo uma hashtag no título e depois?)

Namorar, o que quer que isso signifique, é complicado. Assumir compromissos em nome de quem não conhecemos, o Coração, parece-me de doidos. O lado esquerdo, ou o centro – as vozes divergentes do esotérico dizem que não falamos do coração, mas do timo, que está no centro e por trás do coração. É o desgraçado do timo que nos mete a chorar. Mas também é ele que nos dá o vento doido que balança as pernas e nos desmilingui a altivez da pose construída. A Ciência também reconhece o timo, mas fala dele como uma glândula endócrina (ai… os cientistas… que falta de tesão… “glândula endócrina”), importante no sistema imunológico, ao proteger-nos de bactérias e vírus. Curiosamente, o timo começa a diminuir a partir da adolescência e, mais ainda, na vida adulta. Como se precisássemos menos de vida…- é um selvagem.

Mas eu falava do coração. O coração é vagabundo. É um incivilizado que não conhece “leis de pessoas” e ainda bem, porque a lei só serve para regular o que não está certo – ou o que os homens acham que não está certo, o que me parece presunçoso, ainda que necessário – e as matérias do coração estão sempre certas.

(…)

Escrevo enquanto as ideias me balançam por dentro, na cerveja e na confusão.

Preciso de (nos) escrever. Quando se bebe, há uma urgência de nós. Uma urgência de sentir. É por isso que o vinho não é proibido.É por isso que vinho embalou os rituais mais importantes da História. Ele ativa-nos, quando não conseguimos fazer isso por nós. E quem diz vinho, diz cerveja… e essas coisas.

Quando bebo, nós urgimos. Urgimos nós, urge o sexo, urgem os lábios e as cores. Urgir de uma “issima” urgência.

Gostar de ti, sem essas coisas que eu não gosto – namoros, casamentos e coisas-, é revisitar a preparatória e perguntar “mas como é que isto se faz?”. É a sensação de treinar beijos na boca do joelho.

Segundo o que tenho aprendido e vejo no Facebook, esse arquivo vivo da espécie humana no século XXI, namorar é partilhar sonhos, é “comungar”, “tornar sonhos comuns”… Deus me livre de ter os teus sonhos. Deus te livre de sonhares os meus sonhos. Dizem, é sonhar uma vida, ter um T1 ou um T2- sobretudo ter, ou achar que se tem -… animais na fotografia e, se possível, mostrar, ostentar… Mostrar, aparentar Amor. E isso dilacera. Que mostrem um carro ou uma jóia… Não é bonito… Validam-se nos bens… Mas passa melhor… isso compra-se.

Já tentar validar o Amor em molduras de feeds… Mundo, que te aconteceu? Eu sei que isto sempre existiu… era o beijinho forçado do café à noite, das compras no supermercado ao domingo… e agora, agora é o Facebook e o Instagram…

Retomando, também gosto das alterações que vão surgindo na selva social, de acordo com o grupo etário… Se na adolescência e no inicio da idade adulta, querem ostentar a roupa, a cara bonita e imaculada… Com o tempo que passa, querem ostentar estatuto, cargo, com sorte, família e viagens… E é tudo uma grande ode ao amor, ou necessidade de o criar.

Porque as pessoas precisam de Amor.

Mas como não se ensina nada sobre o Amor, porque parece que é lamechas, ou o que se ensina está no horário nobre das TV’s e nos sucessos de bilheteira, as pessoas ficam baralhadas…

E confundem o Amor com a necessidade de suportar os sonhos no outro… e de partilhar a responsabilidade de SER com o outro – quando não a entregam mesmo. Para mim, isso não é amor.

E, por isso, desapareci de ti e de nós tantas vezes. Até que voássemos, juntos, separados, em vias diversas, em vias que se encontram outra vez e depois não… a torcer pelo outro… com os olhos abertos e com os braços soltos. E com as pernas soltas… para que bamboleiem quando te vejo. E isso de bambolear, de ir com as coisas, pede liberdade… e como te poderia amar se não fosse livre?

Gosto muito da Vida que me habita. Gosto destes 26 anos vigorosos, vitais, viscerais, verdadeiros como o Vento que me afaga as mãos que te escrevem.

#ElasDoAvesso

#ElasAndamNasVidas

 

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