O Porto Mudou, e bem

Não, não me vou pôr aqui com lamentos e pedras da calçada… O Mundo muda… Porquê que o Porto não pode mudar? Este não é um manifesto do #BringOurCityBack.

Antes de mais, paguei €2,50 por um fino em frente ao rio e não, eu não sou rica. 😉 Não fui a nenhuma esplanada de renome. Na verdade, nem conheço esta esplanada. É azul e dá-me uma imagem mais imponente do rio. Foi por isso que me sentei. Os funcionários são aos montes e tagarelam entre os clientes. O meu “etiqueta-alert” – estou a despir esses filtros, aos poucos -, salta no primeiro momento…Depois páro e olho só. Como devemos fazer.

São os locais da ribeira. Aqueles que habitualmente estariam desempregados e que a fina flor da cidade teme e exclui. São eles que estão a trabalhar.E estão a dar Porto a todos nós. Estão a falar e a vender cervejas aos turistas segundo o melhor que sabem. E eles são a Ribeira do Porto. A Ribeira do Porto não é de gente empoeirada, a Ribeira do Porto não finge códigos que não aprendeu… A Ribeira do Porto é um caralho e foda-se que só eles sabem entoar. E depois? E eles, eles são a Ribeira do Porto. A Ribeira sem maquilhagem. A Ribeira fora dos postais, das fotografias, das revistas da moda a exaltar o “cool”. A Ribeira com gente dentro. E, quanto a mim, é uma Ribeira bonita. E, por mim, o Porto está mais bonito com isso. Está mais genuíno… Traz a confusão gentes, normalmente no backstage (escondida como a roupa que já todos escondemos no armário quando a casa está desarrumada), para fora… (…)

E isso é bonito. Pouco mais sabem do que arranhar o inglês para perguntar ao cliente o que quer, mas sabem o essencial… E avançam “Do you want to take a sit?”, “Do you know trip advisor? Can you recommend us there?”… “Adveeser” em vez de “Advaiser”.

Por outro lado, esta confusão de gentes faz-me sentir mais em casa, mais segura, mais no lugar certo.

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