Quando me fazes perguntas

Fazes-me perguntas incómodas, que me fazem respirar mais fundo e pensar para te responder. És tu que me perguntas o que é que foi… porquê que o dia foi assim-assim. És tu que olhas para mim e que, não percebendo bem porquê (nem eu), vês a dor do mundo a atravessar-me. E, acima de tudo, fazes-me responder. Não arredas daqui – és, na verdade, um bocado chato – e exiges que olhe as amoras que vivem nos teus olhos, enquanto te respondo. E eu respondo-te, a dançar com elas, numa bossa qualquer que só os meus olhos conseguem ouvir.

Sem esperar uma resposta certa. Uma resposta que te seja fácil ou conveniente. E, às vezes, sou mais livre nos teus olhos e nas tuas perguntas. Achas-me sempre uma heroína. Achas-me sempre a melhor. Achas sempre que tudo vai correr bem comigo. Nisso, competes com o meu pai. Para o meu pai, eu sou sempre a melhor do mundo. Mas um dia, falo sobre isso. O meu pai. 🙂

Voltando a ti. Para ti eu sou a mulher mais inteligente do mundo. Não há por que ficar desamparada. Tens uma fé um bocado parva em mim. E eu gosto disso.

Contei-te como fiquei meio que bêbada com duas cervejas e um livro. E que me apeteceu fumar. E nossa, como sou ainda mais forte do que eu quando bebo e leio sem fumar. Vem o cheiro e o sabor do cigarro na língua… Mas depois, olho em volta e percebo que vale a pena não fumar. Vale a pena pelos livros que compro, pela escolha da esplanada mais cara para estar sozinha… é como que alugar um espaço ao ar livre no Porto, só para mim.

Depois, disse-te o que vou fazer da vida… o que acho que já sei que vou fazer. Porque a Vida me foi dada a mim e, por isso, ela serve para fazer o que Eu quero/sinto. Serve para cantar e para fazer o que eu sonhava… Serve para recuperar sonhos que me arrancavam da cama aos 17 anos…

Quando, às 5h da manhã acordava a pensar sobre o silogismo escondido num poema de Mário de Sá Carneiro que não consegui decifrar no momento devido… Serve para perceber que quase 10 anos depois vou a tempo. Que vou a tempo de ser honesta comigo como era aos 17 anos.  Que estou a tempo de Mim, sempre.

Aqui no norte, alguém diria que ganhei #. E eu, com reverência vaidosa, anuiria.

E disse-te também que quero deixar de ser competente. Que ser competente é uma grande seca e tira-me o tesão dos dias. Que eu não sou uma barra de resultados. Que eu Sou e que quem Eu Sou não pode ser avaliado. Que não quero saber de resultados. Que quero saber das asas que me saem do peito quando Sou. E que o único resultado que posso admitir no meio disto tudo… é o sorriso das Pessoas quando lhes Sou.

#ElasDoAvesso

#ElasDasVidas

Pelas amoras dos teus olhos,

amoras elas do avesso 2

 

 

 

 

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