Sextas-feiras e dias (in)úteis

Viver é, sobretudo, uma viagem de regresso a Nós. A quem nos esquecemos de Ser.

Uma vez, um professor disse-me que havia teorias – em que ele acreditava -, de que a vida e o futuro eram, na verdade, ao contrário… que começamos do fim para chegarmos ao Início. Eu achei que ele era doido, claro. Mas hoje, reconheço-lhe verdade.

Não sei se ele falava num tom esotérico ou psicanalítico…Acredito, porém, que viver e o futuro, esse louco que tentamos roubar, são, sobretudo, um trabalho de recomeço, de regresso ao que é original, que vamos perdendo, que vamos escondendo, que vamos abnegando… Do que desistimos quando não era para desistir. De nós. Do que é inexoralvelmente nosso.

Um retomar do que de um adn original, que abandonámos, para, no caminho do Fim que é recomeço, o recuperarmos, fazermos as pazes com ele – que é o mesmo que dizer connosco -, numa viagem de regresso, não sabemos bem de onde.

E, às vezes, a viagem é uma ode ao choro. Lembro-me de, numa das tentativas de regresso, porque não fazemos o caminho todo de uma vez, dizer à Rita, enquanto a esperava num bar, “Traz-me blush e um batom, ‘que eu hoje já chorei o Mar Adriático”.

(…)

Estou no Era…Uma casa que abrigava o meu fumo. E que agora, me abriga a mim. E creio que chega.

Hoje faz uma sexta-feira quente e há uma multidão que vai chegando. A Torre dos Clérigos está absolutamente esmagadora. Descobre-se imponente, forte como ela, no céu alaranjado que também faz. Só os portuenses sabem como é o laranja deste sol, perto do rio.

É a olhar para a Torre e a segurar o tinto que espera a Rita, que eu penso neste texto e sobre como vou descrever a Torre que faz hoje. Porque a Torre não está sempre igual.

Chegam pessoas, chega barulho, chega desassossego, chegam olhos que choram por detrás de eyeliners e maybellines… Chegam peitos que arfam por baixo das t-shirts e das camisas… Chegam pernas presas, que querem andar noutras direções e atrofiam, por baixo das Levi’s e das Lee (para os mais retro). Chega a dor da semana segregada no calendário (in)útil.

Por tudo isto, querem restituir-se no vinho, nas gargalhadas estridentes que são só os gritos da alma que não Vive.

Evitam o silêncio e olham com desdém quem o procura (é que escrever no meio disto não é fácil). É que têm medo do silêncio. Têm medo de ouvir o silêncio de si – porque esse silêncio grita muito e ralha, ralha muito, pede contas -. É, por isso, que se amontoam… Que se enchem de canais de fala. Falam muito… Falam no telemóvel e na cara ao mesmo tempo. Falam no copo de vinho. Falam no cigarro. Falam nas gargalhadas – já te disse que gritam? -. Falam sem dizer.

(…)

#ElasDoAvesso

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