Às vezes, quando choro um bocadinho

Às vezes, quando escrevo, choro um bocadinho. Choro mais um bocadinho de mim. É um bocadinho que recupero, uma verdade pequenina de mim a querer sair… E que sai nas palavras. Nas que escrevo. Nas que digo, muitas vezes, sai muito pouco. Muito pouco do que tenho para dizer. Porque falo melhor, com mais verdade, quando escrevo.

Nas palavras que escrevo, chego Eu, mais livre, mais solta, a querer brilhar. E brilho mais.

Chego eu a querer ir aos outros, a querer fazer tudo ao contrário, a querer fazer a vontade ao timo, a querer ir para longe, para mais perto de mim. Chego eu a querer ir aos outros… A querer ajudar os outros a serem melhores, porque é assim que somos melhores, a dar de nós aos outros. A criar mundo nos outros.

Preciso de sair no mundo, de sair descalça, de sentir a terra a ondular-me nos pés e a arranhar-me, porque sair não é só ir embora, sair é abnegar e pisar o que não se conhece.

Preciso de me emaranhar no mundo, de participar nele a Acontecer. É isso que me deixa as pernas bambas… As pernas que servem agora de mesa ao que escrevo… que fazem tremer as letras que saem… as letras que saltam com as baquetas dos tambores que são as minhas pernas a quererem correr.

#ElasDoAvesso

elas do avesso drum

Imagem: Music and Marching Center

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