Quando paro a meio do livro

Gosto de poupar os livros.

Há livros com tanta vida dentro que não queremos desperdiçar respirações fundas. Não queremos desperdiçar a luz que nos dão em espaços demasiado pequenos para nos encandear… Em tempos que não nos vão permitir viver absoluta e visceralmente a emoção que um puzzle de palavras nos traz.

O livro “Não Se Encontra O Que Se Procura” de Miguel Sousa Tavares é um desses livros. Dessas obras de vida, com gente dentro, que entram e nos beliscam as artérias e o coração e os olhos. Daqueles livros que, por pararmos, vemos mais. Porque Eles exigem-nos que paremos, para que a emoção nos perpasse… para que o corpo, as ideias e o coração se encontrem de novo na Terra… Para olharmos para fora e vermos que a arte nos devolve a nós. E que isso acontece Agora e Aqui. E vemos que o azul do céu é o mais bonito que já vimos – é, como diz o Miguel, um “azul inacreditável” -, que o verde é vital, que nos embarca nos olhos, que viaja para dentro e nos navega, e traz cheiros. É o RGB da Terra. Sem códigos. Sem mão humana. É.

E o Sol brilha mais. Aquece a cara e o peito. Quando paro ao ler um livro, vejo mais, procuro mais pelo que acontece, quero espreitar por de trás das árvores, das nuvens e dos prédios, estico-me toda, dobro as sapatilhas e os dedos dos pés e empoleiro-me para Ver.

Acima de tudo, há livros que nos fazem mais felizes. Que nos fazem ir de volta a nós, que nos põem na boca um sorriso que sai de dentro e o desafio da vida nos olhos.

#ElasDoAvesso

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