Das vezes em que te matei II

Hoje já não nos vamos ver, meu amor. Nunca mais. Eu sei. Eu sei que podíamos ter feito diferente. Mas não soubemos meu amor. Não soubemos fazer melhor, meu amor. Não agora. Quem sabe… quem sabe depois. Tu sabes que eu acredito em fadas, em deuses e coisas, meu amor. Tu sabes que eu acredito naquelas coisas todas estranhas que as pessoas não dizem. (…)

Mas eu tinha de ir, meu amor. Tinha de parar de fingir que não era desta. Porque tu sabes que é. (…)

Porque não soubemos aprender que quem nos tem de fazer felizes, somos nós, a nós próprios. E toda a gente sabe… de saber. Mas ninguém faz, meu amor. Porque ninguém sabe, de facto. Como se faz isso de nos amarmos dentro? Metemos na cabeça a doença que nos ensinaram… que o amor é para nos fazer felizes. O amor é para nos manter junto de nós próprios. Para nos salvar de tudo. Não soubemos salvar-nos, meu amor… como te poderia salvar, se não me soube salvar a mim? Se passei a vida a afogar-me e a fazer-me mal, meu amor?  A fingir que não me doía; que te amava pouco – como se ama pouco? –; que a paixão que tinha por ti não me consumia, não dava conta de mim… não mandava em mim. Mandava. Mandava muito.

Tive sempre medo. Fui muito animal. Recuei sempre. De que me valeu? De menos vida… porque apegada, perdida, com dores… isso já somos todos, meu amor. Sonhei-te para sempre, meu amor e não te disse. (…)

Mas é isso, meu amor. Tive de ir. Não quis matar-nos na vitrine das coisas… dos abutres que vão agora por cima do que jaz, por cima do que está morto, tentar comer os restos das nossas dores, meu amor… daquilo que não conseguimos curar-nos, meu amor. Não, não quero ver essa ode tétrica.

Um dia, se calhar, vamos para a casa que será nossa. Para o vestido de noiva que vou ter de esconder de ti… Ou, então, nunca mais nos vamos ver… Mas sabes, eu quero-te é Feliz (…).

Mas já não éramos felizes juntos, pois não, meu amor? E isso deve ser a maior prova de amor que damos a nós próprios e ao que um dia fomos juntos… livrar-nos de nós, do peso do que já não faz bem. Desculpa-me a dor dos dias que vamos ter. E das noites e dos amanheceres, todos com intercecionismos diferentes, só que, desta vez, sem direito a poesia.

Mas sabes? Cada vazio é uma possibilidade de milagre… Os milagres, como os voos, só acontecem no Nada. Temos de viver o Nada e o milagre que vem. Porque os milagres vêm, meu amor.

(…)

E eu só não queria ver-te mais… não podia simular o que já não é…Ainda não aprendi a fazer-me feliz sozinha, meu amor… porque, se soubesse, não me sentia sozinha com o mundo todo a acontecer, não é?

Ainda não aprendemos a ser acompanhados em Nós… Quando é que o Amor dá lugar ao profano? Quando é ocupado por medo. E o medo só sai com um colo que é só nosso, meu amor. E esse amor, temos de aprender sozinhos – ou connosco -.

Mas prometes que te vais lembrar de mim, às vezes? Que me vais amar no pensamento, às vezes? Mesmo que isso seja errado e que os monges digam que não… Vais ver-me a amar-te? A vir-me para ti, por ti, só para ti, na cara e na alma, quando me fazias tua? Vais? Diz-me que sim. E, se disseres que não… É igual.

Que o vazio seja grande, para que o voo seja mais alto.

#ElasDoAvesso

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P.S.2: AH! SE PUDER SER, COM A HASHTAG #ELASDOAVESSO QUE NÓS SOMOS BUÉ MODERNAS❤

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