Das vezes em que te matei

Desculpa, mas tive de te matar. A tudo o que te amo ainda. Tive de não de te dar mais aos meus olhos.

Porque, sem perceberes, sem que eu percebesse, demo-nos… abandonámo-nos a nós… em nós. Na poltrona dos dias… dos dias bons e dos dias maus. Mas, sobretudo, dos dias que já não somos. Nós já não somos.

Sem notar, sem querer ver, cedíamo-nos a quem não somos e às histórias que nos contamos… E é errado. 

Mas porquê que é errado? Porque faz doer. Mas não é suposto doer? Não é suposto sofrer a perda? Não é pela perda que nos empreendemos? Que criamos mais um bocadinho de nós para tapar aquele bocadinho de carne que abriu, que criou ferida e que agora precisa de nova pele para se unir, outra vez, no todo harmonioso que Somos?

Não é suposto perder? Chorar? Deitar fora o que já não serve? E não é suposto que doa? Fingir que não dói, lutar contra a dor, desafiar a catarse que o coração pede… não é isso doentio? Dizer que não podemos apegar, porque depois dói?

Não é isso uma grande cobardia, um grande faz de conta? Não é isso uma grande mentira desses e dessas, senhores e senhoras, de branco, de pernas búdicas…não será essa a mentira do século? Que temos de, que tem de se, que não sei o quê? E esses aforismos de merda? Servem de quê? De culpa a quem se magoa?

Servem-me para saber que preciso de me conhecer sozinha. Com falta de mim. De qualquer coisa que não vivi, que não vivo, que não sou… de que fugi… qualquer coisa que amordacei para ser quem não era… Mas direita, mais o que eu achava que devia ser. Mais iluminada… mais esquadrinhada… desenhei-me a régua e esquadro com tudo quanto aprendi… para quê? Estou sozinha… Abandonada por mim… pouco, menos Eu… E sinto que não me conheço, que não me Sei; que sou alguma coisa dentro dos bonecos que vou mostrando… mas quem eu sou, de facto? Não sei… A dúvida é como a Luz a querer aparecer… Dói. Ao mesmo tempo que tento apanhar o ar que me falta… dou gritos animalescos na selva que eu sou… que eu deixei crescer… que eu abandonei… que eu criei e reguei com conselhos e vaticínios últimos fora de mim… com o que me ensinaram… e agora… quem é que eu sou? Quem?

#ElasDoAvesso

 

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P.S.2: AH! SE PUDER SER, COM A HASHTAG #ELASDOAVESSO QUE NÓS SOMOS BUÉ MODERNAS❤

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2 thoughts on “Das vezes em que te matei

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