A Número 3

Não sei por que se inventa tanta coisa na música. A música clássica parece unir-nos os cacos todos… parece que o que quer que nos possa faltar – até chegarmos às Fontes de Sophia –, Beethoven e outros nos trouxeram na música. E é só pôr a tocar que a oração se faz em notas. Não precisamos de dizer nada, pensar, desejar, pedir… é ganhar um sentido inquestionável e saber, sem que tenhamos que pensar sobre isso, que tudo o resto não existe. É a Sinfonia número 3 – Allegro con brio – e é o amor todo dentro do som que parece abrir-nos a orquestra dentro. E todo o coração entra na história que a música lhe conta. Que não é mais do que o transcendente a mandar em nós. Beethoven amou-nos tanto… ama-nos tanto na música…

É sobre a vontade última de ir. De ir à Verdade. À minha. É uma música que nos traz, nos aproxima, pelo menos, da nossa Verdade. Beethoven e os outros clássicos, eles sim, mereciam altares… Por que não temos altares e templos onde imperam as notas dos deuses que eles tinham dentro? Não, não precisávamos das imagens deles para nada, muito menos dos arcos góticos, da força românica das paredes, dos tetos absolutos e verticais, rumo a céu nenhum… eram só eles a tocar… e nós, sempre que precisássemos, íamos lá… fechávamos os olhos, ou abríamo-los… abríamos os braços e rodávamos sobre nós… dançávamos connosco… e era tudo uma ode de amor à música que nos sai de dentro… porque a música clássica não é intemporal por ser chique… é intemporal, porque não tem tempo… é de alma, alma dentro… Ouvir Beethoven é casarmo-nos com a paz, com Deus e com tudo.

A clássica é uma homenagem a nós próprias*… reproduz o bem de dentro, respira-nos mais fundo, faz-nos sentir que há vida, há cor, há movimento e tanta coisa a acontecer no abdómen e no coração, num crescendo qualquer de poesia sem palavras, porque a poesia não é só palavras e versos, poesia é o que nos aproxima de qualquer coisa que nos esquecemos que somos… e cresce, cresce, cresce… até que nos vemos lá em cima… de pés no ar, no vento que inventamos para justificar o sinuoso do tronco e do ventre todo, que quer simular a música, ou que quer ser com ela, no universo todo… a recuperar-nos o sacro que somos… e o fim só nos pode arrepiar… o arrepio que nos deixa já saudades… de quem somos, como se o que somos acabasse com a Música.

(Felizmente, estamos no youtube, que simula que tudo é para sempre no replay).

#ElasDoAvesso

*Mantive o feminino, porque foi assim que me saiu, pelo que antecipo que deveria estar a falar de qualquer coisa que para mim é feminina, ainda que a beleza do autodeslumbramento seja característica da essência, que não tem sexo. Por outro lado, como a gramática costuma ser machista, eu tento fazer a minha parte no que toca o equilíbrio Yin e Yang. Ou, finalmente – e mais ainda -, talvez porque eu quisesse mesmo dizer que quando nos damos assim à música, ou a qualquer coisa, quando nos damos, é o Yin a operar, o passivo – a que os nossos queridos humanos chamaram de feminino.

#Amo-vosMuito <3

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P.S.2: AH! SE PUDER SER, COM A HASHTAG #ELASDOAVESSO QUE NÓS SOMOS BUÉ MODERNAS

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