Do Choro e de Chronos

Lembra-se de querer sempre arranjar soluções à vida, de negar que, às vezes, a solução é a ausência da procura dela, a ausência da procura de respostas… a fruição, natural e necessária, do universo e das coisas que ainda não vimos.

Às vezes, também se esquecia de olhar para o céu, de lhe levantar a cabeça, de lhe entregar os olhos e a paz que não vinha. Olhar como quem olha… sem olhos de perguntas, só de olhar – para aquilo que os olhos servem…

Esquecia-se também, às vezes, de chorar a essência das coisas e do que não conhece. Chorar porque era preciso. Soltar. Soltar-se a ela dela mesma, das histórias que lhe contava. Sobretudo, soltar qualquer coisa que já não era da vida, do tempo, dos ponteiros de Chronos.

Acordou com o vazio que a vida lhe pediu. Recebeu-o, aceitou-o, deu-lhe colo – é assim que se ama um filho -; chorou e seguiu.

Seguiu com os pés do tempo, da vida a andar e da chuva a desenhar-lhe um novo fado na cara; fechou os olhos e as lágrimas assentiram à chuva, caíram-lhe com ela, numa mimese absurda, que lhe acontece quando está de acordo com a vida, como se o coração batesse com as árvores e com a Terra.

Chronos pedia-lhe novas colheitas, novos ventos, novas terras e novas histórias. Novos beijos também, dos a sério e dos cósmicos – como pode um beijo não ser a sério? -.

Custavam-lhe ainda os pés e o caminho… Os olhos doíam-lhe e molhavam-se ao espelho. Mas era ela a Ela mesma e pareceu-lhe justo, necessário, recomeçar. Não era o fim, o fim termina, como uma frase que termina com o ponto… Interessa-nos o começo que o ponto pede. Do começo sem -re; não vai começar de novo… Vai começar o que não viu, o que não contou a ninguém, o que o Cosmos lhe prometeu e que, decidida, se esqueceu.

No começo que começava, também não eram as certezas do que foi, mas as novas dúvidas. As dúvidas, agora, sem agonia nem avidez de resposta…

Lembrou-se, depois, de seguir, como o rio, a chuva, o vento e as estrelas que se escondem no céu do dia; os peixes no fundo do mar que não vê, a justiça do que É.

Era isso que o céu lhe pedia. E a musa de dentro que ela, agora, tinha de se lembrar que também era. Era a hora. E começou.

Agora.

#ElasDoAvesso

P.S.: GOSTASTE DESTE ARTIGO? PARTILHA-O, POR FAVOR:) AJUDA-NOS A CRESCER😉 #ELAS, NÓS TODAS AGRADECEMOS MUITO 🙂 OBRIGADA POR ESTARES CONNOSCO!

P.S.2: AH! SE PUDER SER, COM A HASHTAG #ELASDOAVESSO QUE NÓS SOMOS BUÉ MODERNAS

RECEBE A NEWSLETTER D‘ELAS DO AVESSO AQUI :)

Partilhar
0

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *