Noite e Haute Couture

Da noite que simula o amor que lhes falha, do que eles próprios se falham… A noite que camufla, que simula a luz e as histórias, o teatro do batom acetinado. A noite que lhes dói os amores, as perdas e tudo o que queriam ser.

Das dores que afogam nos cocktails que lhes inventam a cor, que a vida deles não tem – ou que lhes parece não ter.

Da festa e do glamour simulados, falsos, construídos, consumistas e consumidores do tempo que lhes dói a passar, do dinheiro que não gostaram de ganhar, do grito engolido, do murro em segredo, que deram no próprio peito.

Do arranjo combinado, da mentira dos dias, iniciada a cada despertador, a cada pequeno-almoço embalado pela TV, pela VCI, pelo trânsito, pelos locutores e pela Rádio.

Da mulher e do homem que não amam, do si mesmo que ainda não amam.

Das noites de sexta-feira e de sábado, que são só mais um banho de descarrego do ocidente… as curandeiras de promessa falhada, de plantas e arrudas arrancadas do quintal… Do banho inventado, que não lava nada, que só distrai o consciente, que engana os olhos e o que não querem ver.

O reverso é o dia. O dia dói. É no dia que temos de ser, que temos de escolher… Na claridade das coisas. Escolhermo-nos não é fácil. É honrarmo-nos a todas as horas, ao que vier e ao que não vem. É dar o peito às flores e às balas.

Da noite e do consumo, em que acreditam que o six pack e as mamas lhes salvam a dignidade e a heteroestima dos dias… Do shopping prévio, do cabeleireiro e de tudo o que os costura, num “barbiezar” da vida.

Do rock, do grito que não sai – por isso é que a noite é barulhenta, é o exorcismo falso e imediatista. Dos braços e das bocas sem cara, sem nome, sem amor possível.

É o arrasto do cadáver da semana, dos meses, dos anos, da escolha de se traírem a si próprios, da vida de que têm medo. É por isso que há hotéis prontos a inventar-lhes a felicidade, no cocktail e na piscina. É o recreio da vida. Como se a vida fosse um martírio.

É por isso que prefiro o dia. Prefiro olhá-lo de frente, com toda a treva e a fantasia que me traz. Dou-lhe o peito e os olhos e tudo o que sou – o que vou descobrindo que sou.

É por isso que me vou embora. De tudo. É por isso que começo. Longe das verdades ensaiadas, da vida arranjada, da haute couture que fiz aos dias.

#ElasDoAvesso

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