Nos dedos dela

Preciso de escrever, como que a pedir um resgate à vida.

Há coisas que me acontecem que nem consigo ver, olhar bem para o tamanho das coisas. Temos a mente pequena de mais, face ao tamanho das coisas que a vida nos pode dar. Somos tão sementes cósmicas – ainda -, rastos de luz, impressões de luz que perdemos, que deixamos de ver, ou de que nos esquecemos, na viagem a que a vida nos convida.

Depois esperamos coisas e vivemos tão ansiosos e com medo… de quê? Como se pudéssemos mudar ou controlar alguma coisa… Uma vez, uma velha disse-me para eu soltar os eus que controlam… não percebi muito bem. No momento.

Esperamos que ações de fora venham para nos salvar, nos resgatem do nosso medo, da nossa fantasia maníaca de costurar as coisas, de achar que as podemos costurar. E… salvar de quê? Como se soubéssemos como deve ser a vida.

Se a vida fosse como eu quero – ou quis -, não teria vivido ou chegado a um terço do caminho. Não conhecia tanto, não tinha concretizado, não tinha sido, certamente não tinha sido tanto como Sou… Muito menos como ainda posso Ser.

Porque os meus olhos são pequenos ainda e veem pouco daquilo que a vida me quer dar. E que é tanto. Ela tem tanto para nos dar. E nós, com medo, conjeturamos tão “pequenino”, de uma forma tão assustada, tão acanhada, tão devagar e tão frágil.

Já ela, a Vida, quando vem para dar, vem tão poderosa, tão imponente, tão invencível, tão grande, como ela É…

e leva-nos na mão dela… a ver o mundo com os olhos dela, quando subimos para a mão dela, de gigante.

E vemos tudo mais alto, da altura que deve ser, vemos do andar da magia, que ela nos dá, quando aceitamos passear nos dedos dela – que são grandes e estão muito lá no alto-.

Desapegar, entregar os pontos, é talvez o maior exercício de amor connosco e com isto que nos mantém vivos, que é tanto – o coração, os órgãos, o ar ou água, tão adquiridos, tão insconscientemente nossos e, por isso, tão vazios de gratidão e de graça… sem darmos por isso, sem fazermos absolutamente nada para que isso aconteça. E se eles fazem milagres assim, sem que nos demos conta, sem que a nossa mente – ocupada, social, construída – manipule, que mais nos pode dar a vida?

Vivemos tão distraídos, tão pouco importados com o que É… Muito ocupados com criações egóicas do que deve ser.

Se, ao menos, soubéssemos o que a vida nos quer dar, longe das nossas certezas, dos nossos medos, dos nossos “achares”, da nossa jurisdição, tão imperfeita quanto humana. Se soubéssemos soltar-nos, entregar-nos ao que não sabemos, não vemos…

Se nos entregássemos à árdua tarefa de não fazer absolutamente nada, de não esperar nada, nem lhe pedir nada, à vida… Se soubéssemos, voaríamos como os pássaros, fortes e bonitos; seríamos azuis como o mar; graciosos como as flores; enigmáticos e incondicionalmente divinos como as estrelas e o espaço – e nós somos isso tudo-.

Se soubéssemos a verdade…

Se eu soubesse… se eu soubesse quem eu Sou e o que a vida tem para mim… isto não tinha piada nenhuma e eu não ia tão a mim, não me afundava tanto em mim – nas cavernas de mim-, não me encaracolava tanto… Não sabia, não tinha como saber o valor e o milagre de não saber, de entregar tudo, de soltar as rédeas, de as trocar por asas, porque eu preciso de voar.

#ElasDoAvesso

Márcia Augusto

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