As pessoas são de partir, aos domingos

As pessoas são sempre mais frágeis ao domingo… Parecem de partir… Mais fracas, escanzeladas, as costas fazem curvas que parecem vergar-lhes uma coluna vertebral de que se despedem… fazem gestos que atrofiam o corpo e o mundo, e as ruas todas…

Ao domingo, as pessoas parecem enrolar-se nelas mesmas, como um bebé que quer voltar à barriga irremediavelmente perdida. Talvez, por isso, entre outras coisas, tenhamos tanto medo da perda… Nascemos a perder o conforto, o quente de um amor absoluto que ninguém mais, nem mesmo a mãe, poderá simular, aproximar-se de…

É um colo que não existe cá fora, no mundo… Por isso, passamos a vida desconsolados, se calhar, à procura da sensação do eterno bem que, este mundo, isto que é o mundo, nunca nos poderá dar.

As pessoas são menos bonitas ao domingo. E não é pela segunda-feira. Há qualquer coisa que as rouba, que as enfraquece, que lhes piora a versão, ao domingo.

Olham mais fundo, ou olham sem saber quão fundo é o vazio dos olhos… abandonam-se mais e abraçam-se nos braços cruzados, que parecem ser para sempre, para sempre cruzados… Amam menos, ainda que tenham mais vontade de amar.

Etta diz isto muito bem em Sunday Kind of Love.

Está frio, o que também não ajuda. Os cães calam-se, as velhas falam em surdina e

ouvem-se as havaianas, o que resta delas e do verão, a arrastarem o chão e a vontade que não têm de andar.

As bombas de gasolina estão vazias ao domingo e à noite também. Não há urgência ao domingo. Ao domingo tudo para, de uma ausência de movimento que dói, de um silêncio insuportável, como se não suportássemos não fazer nada… Como se o hiato entre a festa de sábado à noite e a violência da VCI de segunda-feira, fosse demasiado pesado e longo no silêncio que nos oferece. É tudo demasiado pacifíco… de uma paz que mete medo.

De uma paz na poltrona, onde a cabeça não tem mais por que pensar… ou, se tem, não sabe como. E tudo parece inútil e adiado, como se aquele tempo não tivesse validade. É o tempo de descansarmos, de estarmos connosco e com a vida que criamos para nós… Isso não é fácil.

E os cães quando ladram, ladram preguiçosos, com barulhos escondidos nas casas, nos pátios e nos prédios.

O domingo é um encontro connosco, com a versão mais passiva de nós… o momento em que temos de olhar… E isso, às vezes, é doloroso.

E acho que a Etta resolve isto muito bem, ao dizer-nos que quer um Sunday Kind of Love… Um amor que sobrevive até à aspereza do domingo, parece-me um Amor para durar.
Deixo-vos com Etta.

#ElasDoAvesso

Márcia Augusto

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P.S.2: AH! SE PUDER SER, COM A HASHTAG #ELASDOAVESSO QUE NÓS SOMOS BUÉ MODERNAS

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