Do erro, da divisão e da escolha

Renascer implica sempre dor. O nascimento, per si, é dor no corpo. O espetáculo visceral da multiplicação, da divisão aparente de um corpo que se parte em dois.

A divisão não existe. A divisão é o erro, é a aparência da verdade.

É, desde logo, nesse espetáculo do erro da divisão aparente, que somos confrontados com a fronteira, o limite absoluto, entre a vida e a morte – como se ela existisse.

É o limite que nos separa, que nos convoca a escolher entre a Vida e a vida apagada, vegetada… A escolha da vida sangrada, que anima e violenta os poros, que diz, assegura, promete, que nada vai ser como antes. Como poderia?

Há uma separação aparente da Fonte, da mãe. É por isso que temos medo. Mas isso não é Verdade.

Nascemos a perder o calor, o húmido, o eterno bem da criação. Da Verdade. Vimos cá, à Terra, para nos relembrarmos. E nascemos num aparente fenómeno de perda, de acordo com o que as leis terrenas nos ensinam.

Vimos cá para escolher novamente. Todos os dias. Outra vez. Escolher o Amor.

Até nunca mais nos enganarmos. É como nas contas… quando aprendemos a fazer contas ou a escrever… é doloroso até o processo de treino se fixar como aprendizagem. A escolha do amor, do eterno bem, é igual. Mas não é táo fácil como aprender a fazer contas; é por isso que leva uma vida, às vezes, várias.

Renascer dói. É assustador. Tudo nos arde no peito seco, num ar que não quer sair ou que não parece existir… temos de procurar por ele. Às vezes, acho que o apocalipse é isso. O renascer de cada um. O arrancarmo-nos à mentira para nos devolvermos à Verdade.

Às vezes, rasga o peito… e a única forma de vida são as lágrimas. A única forma de respirar, de sentir, de ter a certeza de que ainda estamos vivos, é chorar… é sentir os joelhos no chão, em súplica, pelo fim do circo apoteótico que é renascer, ou nascer na Verdade.

É o momento de atravessar a ponte, a fronteira, e de saber que não há forma de voltar atrás. Não queremos… mas, às vezes, dói tanto que nos acobardamos e pedimos à Vida que espere. Mas a Verdade não espera. Ela anda e leva-nos à frente – leva tudo à frente.

Nesse estádio, só nos resta a rendição…. e, para os mais divertidos, cantar a let it rain. E a chuva não vem toda de uma vez. Porque a Vida gosta de segredos… não nos dá as notas todas. É um piano a compor-se.

Gosto sempre do som do piano. Lembra-me, quase inevitavelmente, que sou divina, que o mundo, de facto, seria menos sem mim.

É quando descubro que tenho qualquer coisa de irredutivelmente belo aqui, no que eu Sou. Só me esqueço de ouvir, às vezes.

É por isso que o piano ajuda. É a clássica que me relembra.

Renascer dói. Tenho dúvidas, ainda que cada vez menos. Mas, quando as tenho, assusto-me e tenho muito medo. Talvez por isso, não se renasça tudo de uma vez. Como se não conseguíssemos olhar para tudo de uma vez, para o que é nosso ou o que, escolhemos, enganados, para ser.

É preciso deixar isso morrer. Tudo o que não é Verdade tem de morrer.

Mas trazer à luz os demónios de dentro, os únicos inimigos possíveis, é um exercício de coragem. Como uma vez uma senhora me disse “é olhar a merda que tens dentro”.

Às vezes, projetamo-lo no chefe, no namorado, no amigo, no tio, no motorista do autocarro… Mas o demónio é nosso… e só espera o nosso amor para ser resgatado, devolvido à verdade. É por isso que precisamos dos olhos. De olhos corajosos. Mas, depois, depois vale a pena. Vale sempre.

#ElasDoAvesso

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