Do cheiro. E isso basta.

Gosto de cheiros. De cheiros do tempo. Do cheiro do inverno a chegar. Do cheiro da morte plácida, ataráxica e necessária, das coisas.

Gosto das folhas que caem e da terra molhada.

Gosto do cheiro dos casacos, de caras brancas e de corpos aninhados nos bolsos. Gosto de ver que o céu continua azul.

Cheira diferente.

Gosto de como tudo me renasce todos os dias. Sem que lhe peça.

Gosto da confusão das estações às 11 horas da manhã. Quando é primavera, verão e outono, ao mesmo tempo.

Gosto da ordem da desordem de quem manda em nós. Gosto de poesia nos olhos, dos olhos que não veem com o corpo – os olhos que nos deixam ver melhor.

Gosto de rosas e da cor do mundo. Gosto dos vasos regados pela manhã… cheiram a terra e ao amor da minha mãe.

Gosto de não saber nada, de não ter objetivos, de não ter metas, mas, e sobretudo isso, de não saber.

Gosto de ter a coragem das asas que sempre me nascem quando não sei. Não saber dá-nos amor ao caminho.

Dá-nos sentidos. Dos inusitados, dos que não vemos. E não ver é dádiva. Não ver com os olhos de cá. Dá-nos a inconsciência consciente e, por isso, alegre, assumida, livre, descomprometida, desenlaçada, ainda que sempre una, num unanimismo de Amor.

No outro dia, a minha mãe disse que tinha de pensar… e eu nunca percebo quando as pessoas me dizem que têm de pensar. Como se a mente da Terra, a mente objetiva, nos dissesse alguma coisa. Pensar só é verdade quando não se pensa. Quando vem o silêncio branco, que pensa por nós. Depois, voltamos ao mundano e sabemos tudo.

Pensar certo nunca se pensa no pensamento. Pensar certo é mãos no peito e artérias a tremer.

As artérias que me animam o corpo, o corpo que eu também não sou. Ou não sou só isso. O corpo é moldura.

Gosto de não fazer sentido. Preciso de não fazer sentido para me entender.

Preciso de chorar sem motivo. Porque estou viva e as lágrimas trazem-me a alma para fora. Levam-me ao mundo. Aguam-me os olhos para me mostrarem mais Verdade – como se a verdade tivesse graus; de cegueira, talvez.

É por isso que gosto de chorar. Saem-me o mal e a treva toda, com Amor – com o amor que me integra.

Gosto de me aprender. Porque eu não me sei. Ainda. Como eu gostava de me saber.

Saio de casa, cheiro a terra e isso ajuda… ajuda a aprender-me. Outra vez. Porque eu Sou sempre. Só me esqueci.

São momentos em que eu quero amar o mundo. Em que eu só posso fazer isso – amar o mundo. Como Agora. É por isso que preciso de escrever sem sentido. Para dar sentido às coisas.

#ElasDoAvesso

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P.S.2: AH! SE PUDER SER, COM A HASHTAG #ELASDOAVESSO QUE NÓS SOMOS BUÉ MODERNAS

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