Inevitavelmente Poesia IX

Vou beijar outras cores

Vou lamber outras línguas

[Ainda te amo, mas já não quero.

Vou conhecer outra pele

Vou dar o nariz a outros cheiros

Ter outro vinho na boca

Conhecer outras horas na cama

Há homens que gosto de amar de manhã

A ti gostava de amar à tarde

 

Faz inverno

É tudo frio

E, por mim, vou amar esta pele de noite

 

Há um mar que os olhos me prometem

Há um salgado que eu quero na língua

Os homens sabem-me sempre a sal

 

E os meus dedos querem novos veludos

Novos medos

Novas permissões

Novas cortinas

 

E os meus olhos precisam de segredos novos.

 

Ainda tenho medo de me dar. Fico esfíngica. Espero. Espero esfíngica, porque isso de o querer parece mal – a ele e ao fumo do cigarro que lhe foge mais lento nos olhos que me olham mais -. Assim, parece só fatal e isso fica-me bem. Espero assim, de lábios pousados – os lábios sempre se coroam -, desenhados no vermelho e rio-me no rímel dos olhos da noite que passou. Espero. Espero sempre.

Até que um dia o vou sujar de batom e saliva. E o mar todo vai ser meu. Vou conhecê-lo salgado. Imagino-o assim, suado, moreno como ele é… A desenhar-me o tesão improvável do amor que me quer dar, com a barba toda que se crava agora na minha cara, nos ombros e no colo a descobrir.

Voltei a sentir a vida insensata por dentro. Desabotoada, deseducada como eu sou. Sou um rio outra vez, a correr na ponte desdita que o quer. Mas não hoje. Não agora. Ainda.

Voltei a respirar ao mesmo tempo no calor das entranhas, na pureza do coração e nas asas dos olhos.

#ElasDoAvesso

 

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