Do corpo e do que É

Somos mais que cascas a mexer. Temos de ser. Quando paro e choro assim, é porque vejo mais. Vejo o que antes não me era permitido, ou aquilo a que me vedava.

Estes são os momentos em que percebemos que somos mais que o corpo… que temos de ser. Os momentos em que o corpo é só um amontoado confuso de fios e mijo em tubos.

Nesse momento, quando vemos o espetáculo tétrico do que chamamos vida,  descobrimos à imagem cadavérica, que vemos com a carcaça dos olhos da Terra, uma entidade qualquer que anima quem fala, que é quem motiva o texto e as lágrimas nos olhos – agora. São os momentos em que a Verdade fala acima disso. Em que tem de falar.

Mansa, plácida e sossegada… ainda assim, clara, imponente e, bem assim, suficientemente esfíngica para que eu a ouça, à Verdade.

Os momentos em que só podemos amar quem temos na frente. Esquecemo-nos dos fios, do mijo, dos desenhos cravados com facas na pele… os momentos em que a verdade que É, só pode viver acima disso.

São momentos em que só posso ver a verdade. Tudo o resto não vive. É falso e só protela o que não pode deixar de viver. Lá dentro.

É por isso e é nisso que aprendemos a amar… quando tudo é aparentemente feio e, ainda assim, não nos é possível outra coisa que não amar.

É quando nos livramos da doxa humana e, por isso, imperfeita, que confunde e ilude o que é.

É por isso que o feio e o imperfeito existem. Precisam de existir. Aqui. Para que o oposto se revele.

É no feio que se aprende que se ama algo mais que um corpo. Porque o corpo só vegeta e nós só nos descobrimos mais apaixonadas* pelo que É. Além do corpo, dos fios, dos pis, das máquinas que o protelam e do mijo em tubos.

E é nessa visão de céu no inferno terreno, que sabemos que já aprendemos a amar – mais um bocadinho que seja. Ou começamos a aprender, pelo menos.

Tudo o resto é falso e acaba. Acaba, porque tem de acabar. Porque não precisamos do corpo para amar ou saber que amamos.

E quando isso se faz, isso de amar, é para sempre. Não se está com brincadeiras de partes ou divisas do tempo. Além dos fios, dos pis, das máquinas que  o protelam, das cicatrizes e das facas e do mijo em tubos.

É quando nos sabemos capazes disso – de amar como se ama -, que percebemos que somos muito maiores e mais bonitos do que nos contaram. Limpa-se o que não é, cospe-se o que não dura e sobe-se ao uno que É, que nunca deixou de ser; nós é que não vimos.

 

#ElasDoAvesso

 

P.S.: PARTILHA, POR FAVOR:) AJUDA-NOS A CRESCER #ELAS, NÓS TODAS AGRADECEMOS MUITO 🙂 OBRIGADA POR ESTARES CONNOSCO!

P.S.2: AH! SE PUDER SER, COM A HASHTAG #ELASDOAVESSO QUE NÓS SOMOS BUÉ MODERNAS

P.S. em *: Não quero saber do machismo da gramática, que diz que o plural indefinido ou no todo passa a masculino. E é só isso.

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One thought on “Do corpo e do que É

  1. Kaeden says:

    I find it can be so challenging to try to stay on a New Ye21r#8a&7;s resolution based diet! I really find it has to be a lifestyle change – you almost can’t think about doing it. You just gotta do it! LOL : ) Great advice, Chef Donna!

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