Fora do verbo e do antes que não há

Esqueço-me de ti. Aos poucos. Do que tu não és. E vou-me lembrando de ti. Aos poucos. De quem tu Ès.

tu que já não está orquestrado pelo que fomos, um dia. Na praça, no fumo, nas fontes, no cheiro do verão a chegar, dos joelhos no ladrilho e das escadas todas em que fomos.

Ponho-te à luz agora… à luz do que é, do que não muda, do que só pode ser Verdade, pela sua natureza imperturbável, constante e impermeável à imperfeição das nossas mãos, das nossas palavras e de todo o mal em que descobrimos o Bem, mesmo que com o coração seco. É assim que se ama.

Amo-te agora, assim, fora do verbo. O verbo sempre quer simular o que é. E o que é, às vezes, é tão fundo que eu não vejo. Estás límpido nos meus olhos, agora. És bonito. E eu amo-te assim. Só não quero como antes.

O antes não há.

Há agora. Há esta vontade que eu tenho de ir. Ir onde os meus olhos, estes que eu sou no alto, me querem levar. E eu quero-me livre. Como agora, pronta e a borboletar. 

Amo-te assim. Feliz, recomeçado. Novo, também. Sem mim – nunca me tiveste, mas isso de estarmos sem não é possível. Vamos estar sempre, não vamos? É assim a eternidade das coisas que são. Nós é que nos esquecemos e cedemos o lugar da Verdade à conveniência do que nos ensinam cá, aqui em baixo. 

A Verdade é assim, una; é bonita como nós. Ou nós somos como ela… vamos ficando cada vez mais parecidos com ela, enquanto nos despedimos do falso, que nunca foi.

Vou embora, com as pestanas a bater a verdade das minhas asas. E amo-te sempre. Não penses que não… Só porque agora eu tomo outros tintos, me sento a outras mesas e quero outros olhos. Amo-te na mesma. Só quero novas asas, ainda que sejam sempre as mesmas, mas com novos sentidos. Quero o que eu não vejo ainda. O que sei que tenho de ver. E nós já não víamos.

Amo-te na mesma, mas quero outros corpos, outras histórias e até outros enganos.

Para me desenganar depois. Porque só quando me engano é que eu tenho a vontade de Ver.

Ontem quis beijar outros lábios. E quis outros abraços… e saber outros cheiros. E não foi lascivo. Detive-me no eu social que me aninha, às vezes.

Mas amo-te sempre. Aos teus olhos, à tua pele, ao cheiro do teu cabelo. Só quero mãos novas, terras novas e a areia na boca, e o sul todo que eu sou. E isso parece-me Verdade.

#ElasDoAvesso

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P.S.2: AH! SE PUDER SER, COM A HASHTAG #ELASDOAVESSO QUE NÓS SOMOS BUÉ MODERNAS

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