Sobre me ser

Tenho sempre um apelo natural pela água… vejo água e os meus olhos querem entrar. O meu corpo todo quer entrar, porque os olhos não chegam para ver tanto… para ser tanto como eu sou, quando vejo água.

E o sol é como constelações desenhadas, numa impressão celeste, quase real.. estrelas a ditar a valsa dos meus olhos, prontas a impressionar-me, impacientes para serem notadas… como se precisassem.

Precisam, porque andamos distraídos… porque a natureza é bondosa… não precisa, mas seduz-nos, chama por nós… como se lhe faltasse alguma coisa. Talvez lhe falte…

O rio chamou-me muitas vezes… chamou-me tantas vezes que agora eu venho só para o ver e ficar a olhar.

É preciso tempo… ou é preciso sair da ilusão dele. É preciso “tempo” para olhar as folhas a cair… ver a divindade revelada nas coisas a ser.

E o sol é um espetáculo de luzes na água. E eu só posso olhar; apetece-me ser com elas… as luzes todas, o rio todo e o sol todo… apetece-me entrar. Olhar não chega.

Precisamos de tempo para intuir… tempo para ouvir… hoje eu ia ficar na biblioteca a “trabalhar”… mas não me “saía” absolutamente nada… e havia a ameaça de um “terçolho” – tive de ir ver como se chama isto, de facto… é um terçolho, terçogo, terçol ou hordéolo em nome científico. Então, arrumei tudo e lembrei-me do aforismo pessoano: “ai que prazer/ não cumprir um dever,/ ter um livro para ler/ e não fazer!”.

Saí da biblioteca, caminhei até encontrar uma farmácia e, depois, apanhei o primeiro autocarro que surgiu.. não tinha planos… ou melhor, tinha os meus… os do calendário… mas não me apetecia fazer amor com eles… e segui para onde o acaso me queria levar… e vi folhas a cair… é curioso… acho que elas caem todos os anos, mas eu nunca as tinha visto cair… desacelerar os olhos para ver.

As pessoas também me sorriram… certas de que partilhávamos a mesma tarefa (tão difícil quanto natural)… Ser – tentar, pelo menos. São sorrisos cúmplices de quem sabe que o outro  veio só olhar… esperar que a Natureza lhe conte uma história… para a contar, depois, aos outros. Temos esse dever, o dever de narrar… em texto, em ideias, em fotografia… esse dever acompanha-me desde sempre.

O que importa é levar os deuses nas histórias… eles operam a divindade que é precisa em cada um. Depois, depois já não é nada comigo. Eu conto só. E isso basta.

A seguir, tenho aula de lógica… é incrível o que se consegue fazer numa manhã. Primeiro, achei que não me apetecia ir à aula… depois, achei que era melhor porque, enfim, não é a coisa mais fácil do mundo… mas isso era o animal com medo… depois, percebi que queria ir realmente… porque gosto, porque Sou lá…

O céu está num azul «sistino» hoje… eu ainda não sei contar os trópicos suspensos nos meus olhos, as estrelas e as borboletas… não sei beijar as pessoas como a terra me beija, ainda.

Precisamos de “tempo” para nos saber… para descobrir que somos felizes… acima de tudo essa descoberta… que somos felizes… é só mudar os olhos ou ver para dentro… como preferirem.

Gosto de ser… é, sobretudo, isso que tento aprendido sobre mim… que gosto de me Ser.

Muito mais do que as montras e o grito tétrico das cores que nos ensaiam a vida, gosto de ser… e eu já sou, sou sempre… só preciso de “tempo” e “espaço” para eu acontecer – somos sempre… no piano quimérico que sempre nos embala e nós só não ouvimos… porque as coisas que importam precisam do silêncio, do nada divino para Serem.

Também tenho de preparar uma apresentação do Elas… o trabalho que queria fazer e não surgia… está aqui a resposta… eu não sabia sobre o que falar… Vou falar sobre Ser, a grande pedra de toque do livro e do compromisso que assumi comigo… por muito que me doa, às vezes, quando ainda não sei que Ser é mesmo o melhor para mim… largar o que eu acho que preciso.

É preciso fazer tudo ao contrário do que nos ensinaram… e, lá, vou dizer-lhes que não há plano de comunicação nem “excel” que os salve se não forem, se não tiverem coragem de vir para o palco e Ser… mesmo que isso não faça sentido nenhum para as estruturas nem para as estatísticas do INE. É aí que a magia acontece… é aí que o pano sobe e eu posso contar a minha história… porque todos temos uma história diferente para Ser e para contar… é preciso largar, largar tudo… principalmente o que achamos que sabemos.

#ElasDoAvesso

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P.S.2: AH! SE PUDER SER, COM A HASHTAG #ELASDOAVESSO QUE NÓS SOMOS BUÉ MODERNAS

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