Não se deixam poemas por dizer

Gosto do amor que começa, do peito que se abre.

Gosto de escrever a ouvir Etta James… isso parece-se comigo… pareço eu a ser e isso pode ser verdade.

Gosto do amor que se abre, que começa no trono da cozinha, da marquise adiada… de tudo o que eu adio agora, para ser.

Quando as cartas nos roubam, as mensagens, as trocas insuspeitadas, as músicas enviadas no segredo do que não sabemos… da poesia que se envia a medo, porque não podemos deixar poemas por enviar. Às vezes, há palavras que podemos não dizer… porque depois, depois podemos recuperá-las aqui… a poesia não.

Nunca devemos deixar poemas por dizer. Eles fogem. Eles são vislumbres de Deus no peito. E eu nem sempre sei que sou Deus.

Mesmo que isso seja tudo uma grande ilusão (não pode, como pode?)… ilusão é o que fazemos à verdade que nos acontece… nunca é uma ilusão o que acontece de facto. A ilusão de que há algo que nos salva. Não salva, não podemos conferir-lhe esse poder. Mas não há mal em adiar a cozinha, a marquise e os olhos do útil para a poesia das tardes de domingo, que se começam assim… em Etta, na poesia e nos segredos que contam… os segredos que queremos contar… mas, como não temos coragem, enviamos música e poesia…

achamos sempre que elas vão ser melhores do que nós. Não vão. Mas isso ajuda-nos no início.

Ainda assim, gosto de Etta a tocar, dos arrepios dos braços intocados… das paredes que me conhecem os sonhos, os segredos e o medo do peito que se quer abrir.

Gosto de adiar tarefas e deveres, de me perder nas horas do telemóvel, de me atrasar, de pedir que os compromissos se adiem… nestas horas que nos trazem gente… que nos fazem lembrar que também há gente que nos habita… e que isso não é sempre calmo, sensato e absolutamente calculado. Não é. Nada é. E é por isso que é.

Gostos dos olhos que sonham e se abrem na rouquidão negra da voz… gosto de sorrisos infundados, gosto de experimentar dar… de experimentar, de tentar fazer diferente… de não me simular… de não fazer nada do que me ensinaram… de dar, de expor, de entregar… e depois?

Acho que peço justificações a mim mesma e, por isso, escrevo… e depois?

Gosto do coração aberto… gosto de querer jantar outra vez… de dividir rosados no copo… lhes entornar coisas e verdade e medo também… ele (o medo) precisa de ser entornado nas toalhas brancas que nos conhecem as mãos, os corpos e tudo o que eu não consigo dizer agora.

E, finalmente, porque Etta resolve-nos tudo: «I don’t want a Monday, Tuesday, or Wednesday, or Thursday, Friday or Saturday… Oh nothing but Sunday (…) kind of love».

#Elas

P.s.: Não tenham medo. Os milagres da humanidade são nossos.

Márcia Augusto #ElaDoAvesso

Márcia Augusto #ElaDoAvesso

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