Manifesto da gratidão dos amantes

Por todas as vezes em que enfrentaste a vci de manhã e me olhaste com verde nos olhos.

Por todas as vezes em que te demoraste no beijo e enfrentaste as buzinas e tudo o que é insentato às nove da manhã.

Por todas as vezes em que recuaste 10 anos comigo, para me devolveres à memória de tudo, de que tudo está bem e no lugar que tem de estar.

Por todas as vezes em que me aceitaste nua, com lágrimas e a sangrar – sem que te pudesse dar mais do que o sal da cara.

Por todas as vezes em que te acordei de noite ou aceitaste o meu convite.

Por todas as vezes em que me amaste sem dar por nada… sem pensares muito nisso.

Por todas as vezes em que te queixaste de mim e me disseste, no fim de tudo, que era assim que gostavas de mim.

Por todas as vezes em que me disseste que “de vez em quando apaga-te a luz” e, por isso, me lembravas nesses olhos de 11 anos que nunca te foram embora, “só não pagaste a fatura à edp, já vai passar”.

Por todas as vezes em que me fizeste rir no escuro; em que me salvaste o corpo, em que me guardaste a boca num abraço, no cheiro do meu cabelo e me disseste, sem dizeres nada, que tudo estava bem.

Porque sem te dar nada, me recebeste aninhada e me viste una, total, no que se partia.

Porque me viste, sem te pedir que olhasses.

Porque me perguntaste se queria “estrelitas”, quando estavas atrasado para trabalhar (na verdade, já passava uma hora).

Porque me viste sempre, mais do que eu a mim, às vezes. Porque tinhas borboletas nos olhos, quando te deixei cabelos no lavatório.

Porque me descobriste poesia, mesmo que nua e a sangrar, no chão frio da tua casa de banho.

Porque nada disto é poético. E por que tu.

(…)

Porque me disseste que agora dormes de camisa, porque dormes com “uma estrela”. Porque ligas o aquecedor horas antes de eu chegar. Porque pousas o vinho e a água nas cabeceiras, mesmo que não percebas por quê. Porque fumas na varanda a olhar para mim. Porque vais fumar à casa de banho, para não me acordares. Porque me dás tudo, sem eu saber. Porque és tanto, no invisível que conta e que não mostramos a ninguém.

#ElasDoAvesso

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