Agora que eu não sei (e isto não é sobre literatura)

Tenho uma obsessão por liberdade. E eu sei, eu sei que, às vezes, não fiz o que a minha mãe queria para mim… não lhe dei o coração sossegado que qualquer mãe quer. Também não fui certa e mudei de emprego muitas vezes… fui viver no fim do interior de Portugal, porque sim… porque precisava de não ouvir carros… e de não ver mais as mesmas pessoas… eu sei que não avisei ninguém e que o meu namorado soube que eu ia embora 2 dias antes… também sei que o meu namorado seguinte não quis muitas coisas que eu fiz, que eu precisei de fazer para ser…

Eu não pertencia a ninguém… eu só era de tudo, num todo qualquer que me abraça, que me quer e que não me deixa ficar para sempre em lado nenhum. Acho que… porque eu não sou de cá… não sei… estou numa viagem.

Eu sei que vou sair de casa e que a minha mãe está triste… eu sei que faço tudo ao contrário do que é suposto… eu sei que não dou passos seguros – na aparência terrena –, mas eu sei que este é o caminho. Eu nunca sei como vai ser o dia de amanhã… eu nunca sei quanto dinheiro vou ganhar nos dias seguintes… eu nunca sei como vai ser o mês… eu não tenho isso… eu não tenho mês, eu não tenho segundas-feiras, eu não tenho fins de turno, nem 18h00 impacientes ou certas no canto do computador… eu tenho-me a mim no leme… alguma coisa que me leva para onde eu não sei, mais parecida comigo…
Não me ocupam a cabeça namorados nem filhos nem tarefas da casa… ontem chateei-me com um amigo meu, porque ele não acha normal que se pague para que nos limpem a casa… por mim, prefiro não jantar fora e ganhar esse tempo… nunca fui a mulher expectável… nunca foi para essa que eu nasci… e, como diz a senhora que me limpa a casa: «o homem que te levar, pelo menos, aprende sobre filosofia».

Mas ninguém me vai levar… e, talvez mesmo, ele nem aprenda nada. Não sei. Isso não me ocupa.

Eu não tenho metas… I mean… metas de cá… a meta que eu quero demora milénios… a meta que eu quero Sou eu… este despedir tudo o que é falso em mim, tudo o que eu adquiri depois, no verbo em carne… eu não sou a Márcia… não sou tão-pouco este corpo, este cabelo, os meus óculos e tudo o que parece que eu sou…

 

eu sou uma alma implacável… que leva tudo, absolutamente tudo… que me arranca de todos os lugares que não são para mim… que me arranca tudo o que não é meu… que me leva, tanto quanto eu deixo, para quem eu vou (re)tornar…

 

Eu sei que magoei pessoas no caminho, eu sei que não faço como me disseram, eu sei que eu não escolho o provável… e isso custou-me, às vezes…

Mas, eu tinha de ir, eu tenho de ir.
Eu não sou o calendário que me ditaram… eu não sou a expectativa de ninguém… eu não me permito sequer ser a minha expectativa… eu sou quem eu sou… alguma coisa que ainda está muito, muito além do que eu posso conhecer…

mas sei, sinto-Me cá…
À minha mãe e ao meu pai, obrigada. Obrigada por me amarem, mesmo quando eu não sou um catálogo do linkedin, nem o cargo empresarial, nem o herói pícaro. Eu sou quem eu sou… e eu sou mais feliz. Obrigada por aceitarem que eu não vou ter uma vida como as outras…
E obrigada a Deus, ao Universo, à inteligência apriorista, que sabe tudo, que me recebeu de novo, que me permitiu perder tudo o que eu não sou, para ser agora… seja lá quem eu for… mas eu não sou isto… nem este texto…

E não se enganem mais, Deus é uma pessoa à espera de ser revelada, à espera de espaço para Ser.

E agora só me ocorre a Lana e estes versos:

But I didn’t really mind because I knew
That it takes getting everything
You ever wanted and then losing it
To know what true freedom is

Lana Del Rei in Ride

E eu quero muito, quero muito que venham, que estejam comigo no lançamento de dia 11 de fevereiro na Casa da Boavista…

porque isto não é um livro, é a liberdade em forma, a liberdade que todos viemos ser… a liberdade de não termos de fazer como nos disseram… a liberdade de não nos escondermos em coisas que gostamos mais ou menos, para sermos felizes mais ou menos…

é verdade que temos de limpar filtros, que temos de descer a escada, que, aos poucos, vamos largando tudo, até que depois já estamos tão lançados que somos mesmo obrigados a largar tudo… ou isso, ou enlouquecemos no excel… é confiar na vontade que nos vai no peito…
Descartes dizia coisas mais importantes do que «Penso, logo existo». Ele dizia que há algo em que somos, de facto, feito à imagem de Deus… a Vontade. O entendimento (lógico) engana-nos, porque está condicionado por este animal, este corpo que quer comer, que quer mostrar terreno e poderio, que quer foder, entre muitas outras coisas que o nosso corpo quer…

Mas há uma coisa que pode mais que isso tudo, a nossa Vontade… é aí que nos aproximamos do Deus encoberto que somos… é aí, só aí que podemos ser.

Kant também nos diz qualquer coisa sobre isso… é na Liberdade que podemos fazer as coisas serem no mundo de uma determinada forma, que não a imposta pelo determinismo fechado que é o mundo, enquanto natureza e animalidade.
Mas eles eram filósofos e deixaram nas entrelinhas que é preciso coragem, que é preciso sermos “loucos” sociais… que é preciso chorar… que é preciso dizer “nãos” que são “sins” viscerais, “sim” a quem somos. É preciso não agir no provável, não fazer o que se espera… porque isso é continuar nas saias terrenas. É preciso largar… é preciso subir e ver o mundo do imperial dos nossos olhos, que também somos.
Despedir o falsete.
A verdade vem. Sempre vem.
Um beijo nos corações. Abaixo, para quem quiser comprar o livro, basta clicar no botão “Quero o «Elas do Avesso»” e, ou é entregue no lançamento ou envio-vos para casa.

Do fundo do coração, amo-vos no todo <3

#ElasDasVidas

Clica e recebe-me, a mim e a «Elas» em casa

     Clica e recebe-me, a mim e a «Elas», em casa

P.S.2: PARTILHA POR FAVOR. AJUDA-NOS A CRESCER <3 SE PUDER SER, FAZ PARTILHA PÚBLICA COM A HASHTAG #ELASDOAVESSO QUE NÓS SOMOS BUÉ MODERNAS <3

RECEBE A NEWSLETTER D‘ELAS DO AVESSO AQUI

Deixo-vos com a Lana, porque «I am fucking crazy, but I am free» <3

 

Partilhar
0

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *