PREÂMBULO (DO QUE É) ORIGINAL

Saudades de estar. Saudades de corpo, de sentir gente… de olhos que me lembrem, lembrem de Casa… de pessoas que me lembram de sorrir, ou que me fazem sorrir, só de pensar nelas, quando Estou.

Saudades de prestar reverência à vida… o mínimo que lhe posso prestar.

Saudades de sorrir com os olhos, as têmporas e a pele rasgada a fazer-me una com tudo, como uma pele que quer sair para se unir com o resto que eu não vejo… sorrir a desconhecidos ou receber os olhos deles… que são tão meus, tão Eu, tão no Todo, na viagem.

Saudades de começar uma viagem com tempo de ser… com tempo para estar. Ser feliz é ter tempo livre… e não precisamos de estudos. Aristóteles di-lo há 2500 anos atrás… sem recorrer a SPSS nem a estatística “avançada”.

Saudades dos olhos que me lembram de mim.

Saudades no sentido de lhes amar… aos olhos, de os convocar para perto.

Da Sara, dos copos, do calor dos dias que são nossos… em que nada mais há do que Ser agora. E por que não Ser agora, sempre?

(Sempre é agora; é inútil querer mais do que isso).

Gosto de estar atenta ao reflexo de mim, de me olhar, de ver como estou… de gostar de como estou.

Gosto de sorrir ao ar, ao tempo que passa, ou que nunca começou a passar, este, o do que É.

Gosto do azul novo que descubro todos os dias, nos olhos e no céu que eles veem… do amarelo a rebentar no céu, quando as flores o rasgam a sair do frondoso definitivo e absoluto, imperial e grave, da força de tudo o que É verdade, como as árvores.

Gosto de ser feliz. Gosto de me dar tempo para perceber que sou feliz… que tudo está bem.

De um bem independente, continuado, interiorista e que, ainda assim, não acaba dentro, continua para fora, expande, porque eu não consigo ser tanto Bem sozinha.

Gosto de ser despertada para ver as flores… como se uma mão gentil e paternal me levantasse o queixo e me dissesse…  «Olha… olha como vês bonito agora. Olha como tudo é implacavelmente poderoso, colorido, olha como tu podes Ver». E eu olho… e deslumbro-me.

Gosto de saber que me sei deslumbrar… porque isso também me lembra que há uma Natureza absolutamente capaz, que não precisa do meu esforço para Ser, ainda que eu seja absolutamente necessária. Agora. Aqui.

A cor está nos olhos. É por isso que o azul do céu muda todos os dias. Para ser mais bonito.

Podemos sempre ver mais belo. É só escolher.

O céu fica mais azul todos os dias, porque eu Vejo mais, “mais” Bem. Todos os dias. Porque o nutro.

Gosto das borboletas a chegar… novas. De novo. Agora, quase que voam diretas para os meus olhos… como se viessem para cima de mim… e eu até me desvio… como se tivesse medo do Bem.

(de agora em adiante, “medo” escrever-se-á “”)

“” porque ele não existe. Diríamos em Lógica que é um conjunto vazio, sem elementos. Ele – “” – não é. É, no máximo, na sua melhor conceção hipotética, uma construção iludida, enganada da mente que não sabe – de ignorância ou esquecimento, que é a mesma coisa – o que é o Bem, o que o Bem lhe pode dar. Temos “” do Bem. Temos “” do que mais queremos. Temos “” da nossa Vontade original… porque nos esquecemos dela, inventamos outra… mas a Verdade vem sempre, tem de vir… ela não aguenta muito tempo no sem tempo calada. Ainda bem.

Temos “” do Bem, também, porque nos disseram que éramos pequenos, impotentes, sozinhos, diminuídos… contaram-nos uma versão enfraquecida de nós. Isso não é verdade.

Como pode ser enfraquecido o que É, o que veio para Ser, porque tem de ser, porque é absolutamente necessário, numa acidez reveladora, típica do que é Antes de tudo?

Procuramo-nos nas bancas, nos espelhos, no consumo, na aprovação doente de tudo o que é fora, de algo que nos restitua…

Parvos que somos… submetidos a uma ilusão medíocre. Isso não é verdade.

Não há nada por restituir. Porque tudo o que É é inteiro…

Um “É” não se pode partir, não se divide; um “é” do verbo Ser é e acabou. É não convoca metades.

É é inteiro, absoluto, total e, no máximo, expande, porque funde, pode ser com outros É, que nunca foram exteriores ao mesmo que “É”, mas isso fica para depois.

Nada há para restituir. Outra vez. Há para limpar… o lixo dos olhos, que não deixa ver. Mas a verdade está lá, sempre, permanente, imperturbada, esfíngica na espera, porque ela sabe esperar por nós. É só limpar os olhos (é como limpar as lentes dos óculos, quando estão sujas… sabemos que vemos, mas vemos mais ou menos… e É não é “mais ou menos”, não conhece essas oscilações, esses meios termos da humanidade, quando tem “” e lixo nos olhos).

E eu comecei porque tive saudades da Sara.

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Márcia Augusto

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«Ela do Avesso» no lançamento do livro «Elas do Avesso»«Ela do Avesso» no lançamento do livro «Elas do Avesso». Gratidão máxima (apesar de ela, a gratidão, não ter tetos).

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