Devo Ser Tanto

Agora faço as coisas como me apetece… não estudo porque tenho de estudar… não leio porque tenho de ler… porque é suposto…

Sou mais livre… troco Kant por Pessoa, mesmo que amanhã tenha exame…ou deixo tudo e medito, sentada no mundo… ou vou escrever… ou troco isso tudo pelo deslumbramento próprio a ouvir poemas no Youtube… enquanto penso nele, o invento… e depois?

Quem disse que a vida é em jaulas do dever? Eu não devo nada. Devo-me Ser.

Devo-me estas lágrimas agora… porque querem cair. E porque eu sou mais, quando elas caem. Tenho as unhas azuis agora… e isso pode ser o facto mais importante da minha vida neste momento… e se for? Sou o que me apetece.

E enquanto transcrevo, isto atravessa-me:

«Why can’t I be more conventional?
People talk and they stare, so I try
But that can’t be, ’cause I can’t see
My strange little world just go passing me by

So, let people wonder, let them laugh, let  them frown
You know I’ll love you till the moon’s upside down»

(e eu gosto dos acertos cósmicos… dos chamados cósmicos… que me dizem, olha, olha tu a seres – e isto não tem de estar em aspas, porque Sou eu que digo e não quero saber de gramática; não nos devemos… ela serve-me… mas eu? Eu não a sirvo).

Por estes dias, conheci o J. … gosto dele… não sei sobre como eu gosto… mas gosto… gosto do que ele me diz… do que me sinto a Ser com ele… do que consigo deitar cá para fora… o Amor também é isso… se não é isso totalmente… isso de nos salvar. Isso de nos convocar as tripas e a imagem tétrica que não queremos, que deixamos debaixo da terra cemiterial… como se as coisas morressem assim, quando queremos, porque queremos… porque nos dá jeito (ao teclado, sou como um pianista no piano… é fulgurante, libertador… melhor do que isso só mesmo no papel… agora parece que grito com as teclas… e agora está tudo bem. Outra vez.)

Debaixo da terra que nós somos… ninguém gosta do sabor da terra… sinto-o agora, tanto quanto as coisas me doem, as que lá estão… a arranhar o peito… mas ficar lá… é escolha minha.

Eu também tenho isso… também tenho medos… vergonha… versões menores… preciso de as descobrir… e que as descubra todas… se conseguisse, que as descobrisse todas de uma vez…

Não deve haver maior liberdade, maior felicidade do que Ser totalmente como eu Sou… não como, Ser mesmo Quem eu Sou…

Devo Ser Tanto.

Que grande e linda que eu devo ser. Às vezes, com medo das camadas e da terra, não me descubro toda… não me abro toda para o fundo – eu tinha escrito mundo… mas depois, ao transcrever, escrevi fundo; isso pode querer dizer alguma coisa – nem para ele.

(É que temos de sentir a terra nos dedos… limpá-la das unhas depois, e descansar… para saber quem Somos)

Mas vem cura… vem sempre quando me abro. Vem sempre celeste… «está tudo bem… não precisas de ter medo, estamos aqui».

Sinto-me tão feliz desde que Sou. E é tão bom sentir as lágrimas a cair… o vislumbre do milagre da minha cara a abrir-se nas lágrimas, a destruir o contínuo das águas, para lhes dar novos caminhos, às lágrimas, no meu corpo, a descer… ou ele vem para cima com a pele a tatear-me as lágrimas, a querer apanhá-las todas… como se a beijassem, à pele.

Que bom… que bom que é Ser. É tão bonita a experiência que vim fazer à Terra… tão profunda… tão boa… tão cheia, tão preenchida de tudo… onde as palavras não cabem… não conseguem dizer…

Escrevo, porque isso ativa-me toda… ativa qualquer coisa fulgurosa em mim, de fúlguro – não pode ser fulgurante, porque isso sugere que está a acontecer… lembra-me gerúndios falsos… e é uma coisa grande, imensa de si… isolada de tudo… não se funde com o ar… é uma ação em si mesma -, de catarse também… é um grito que cura…. agudo em harpa.

É tudo mais rápido quando escrevo… É eficiente, mas não é seco… é o mesmo vazio de quando se faz amor, citando Hemingway.

Bebo um porto – ou afundo-o na minha garganta, às vezes- … embalo-me a cara nas mãos… sinto o sal puro, essencial do que eu Sou… para fora.

Agora tenho de escrever textos nas mesmas páginas de outros… para poupar os cadernos… as histórias misturam-se… e eu já não sei, outra vez, onde começam ou acabam, as histórias… como eu, quando eu tinha um diário… fechava o diário com muito mais cuidado do que qualquer mealheiro… que sábia que era… lá estava tudo… tudo o que eu Sou… potencialmente e a Ser.

Hoje, já não sei desses diários… provavelmente serão outra coisa… bem ao jeito da Terra, que tudo aproveita, tudo muda…

Uma vez, o meu pai ouviu-me a ler um poema que eu fiz… devia ter uns 12 anos… saiu de casa, o meu pai, e foi buscar-me um hambúrguer… quem me conhece, sabe que nada me faz tão feliz, entre outras coisas

(Outra vez

«So, let people wonder, let them laugh, let them frown
You know I’ll love you till the moon’s upside down»)

no sensível, como um hambúrguer das roulotes, em frente ao rio… sou simples assim. E ele ficou contente… vaidoso dele… e disse «já passou a dor»… é verdade que a minha dor, a dor que todos trazemos connosco para curar não passa, não pode passar com hambúrgueres, mas são momentos destes… tão simples… tão a Ser… que me fazem lembrar de que fui amada, de que sou sempre tão amada… e que, quer eu me lembre, quer não, eu estou Salva de tudo… pelo Amor.

O Amor que eu não vejo…  o que eu não consigo perceber sempre… no cheiro e nas penas inventadas no meu nariz (como agora).

Acho que sou feliz… isso é, indubitavelmente, Verdade.

Abaixo a música que acompanhou isto tudo, de vez em quando.

#ElasDoAvesso

Com Amor… Obrigada. Obrigada mesmo por eu poder fazer isto convosco,

Márcia

    Para teres o meu livro, clica abaixo 🙂

Recebe o novo livro «Elas do Avesso»

recebe-me, a mim e a «Elas», em casa

P.S.2: POR FAVOR, FAZ PARTILHA PÚBLICA COM A HASHTAG #ELASDOAVESSO.

RECEBE A NEWSLETTER D‘ELAS DO AVESSO AQUI

A Augusto... imparável com selfie stick xD E farta de estudar... eu gosto de estudar... mas já não quando sou obrigada Acho que estudar é como escrever... é um ato de Amor. Se eu amasse obrigada, isso não era amor. «You know I'll love you till the moon's upside down»

A Augusto… imparável com o selfie stick xD E farta de estudar… eu gosto de estudar… mas já não quando sou obrigada . Acho que estudar é como escrever… é um ato de Amor. Se eu amasse obrigada, isso não era amor. «You know I’ll love you till the moon’s upside down» 77

 

 

Partilhar
0

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *