Cartas de Amor a J. I

É qualquer coisa de inevitável… isto… esta vontade de me dar, de me doar… de dar o que eu faço… sento-me para meditar e não consigo… estalam-me os ossos, como se não fosse suposto parar agora… preciso de vir aqui.

(…)

Também não sei o que foi aquilo… Mas acho, sei que estou no meu caminho… Como tu estás no teu. Não sei o que é. Mas sei que é certo.

Foi um encadeamento transcendente de coisas… e, mais uma vez… Não sei o que é, mas sei que foi verdade. Tudo aquilo foi demasiado real. Demasiado evidente… Claro, necessário – de necessidade cósmica, o que tem de ser.

Eu espero que não te incomodes quando te falo em amor… temos essa mania contida e retorcida de achar que o amor é “só quando”…

O amor É em tudo, É Agora, É em todas as pessoas…. É nos desconhecidos e É nas rodas dos autocarros. O sagrado está em tudo. E eu chamo isso de Amor. Acho que foi e É o que é… Aqui.

Inevitável, inelutável… Inescapável. É como se… é mesmo… não pudesse, não posso escapar de ti… não poderia. É tudo demasiado evidente. É como se tivesse de ser assim… É e acabou.

Não te digo a palavra por constrangimento social… Apesar de saber que ela é Verdade. É o mesmo Amor que me une a tudo… E contigo é como se fosse desde Sempre. É como… foda-se.. como é que não reparei antes? É como… ah… então isto tudo foi para chegar até aqui?

Ah… what’s next? E isso não me importa… É a paz do “o que é será”… E essa parte do plano não me cabe… sou passiva nisso e aceito que aqui não comando absolutamente nada. Prescindo disso. Que a vida mande… Ela manda sempre. Mas desta vez estou em paz. (…)

Ainda não sei como abordar o assunto… como começar… mas talvez isso de saber falar sobre alguma coisa… nem interesse… Estou certa que não.

Estou ainda na ambiência mágica do… o que é que foi isto? É como se de ontem para hoje algo no paradigma terreno tivesse mudado.

Estamos numa era mágica no que concerne processos de ascese no Universo… poder partilhar isso com alguém… É mágico. Só me vem essa palavra… essa e a de milagre… o milagre que tu foste… És… que fomos ontem…. uma cadeia sucessiva de coisas… «Learning the Blues» resolveu-nos tudo, meu amor. (…)

E sim… vamos Ser… como as folhas das árvores… pender para onde o vento nos levar… dançar com ele…

Outra vez, fomos os últimos a sair do restaurante, meu amor… corremos a cidade e a noite… à procura de casas, de abrigos para ficar… Porque era só isso que importava… ficar… ficar mais.

Acho que nunca fui beijada com tanto… tanto que alguém É, meu amor. És capaz de me proteger, mantendo-me livre… corro riscos sérios contigo… corro o risco sério de te amar… És um homem para amar, J. .

Todas as pessoas são… Mas a ti…

Há qualquer coisa de absolutamente inevitável em ti… é um desejo sério de te fazer Bem… de te ter nos braços, sem te tirar do mundo… de te amar como eu amo as flores, quando toco nelas… sou tão capaz de Ser melhor contigo…

(…)

É uma vontade capaz de abarcar o mundo… na placidez de quem sabe que nada é nosso… treinar isso, pelo menos.

Queria cuidar-te enquanto Isso… isso grande que tu és.

Entra, vê-me… e agora, que chegaste, fica em mim. Sem protocolos… sem tiques de defesa. Quero amar-te… acho que nem nos meus melhores sonhos te pude sonhar.

Quero-te bem. Fica.

(…)

Hoje… fui capaz de te sentir o beijo a borbulhar-me na barriga… Pensamento a 1000 J. … tão grata que não chego… é como se isto de te poder amar – de recordar o amor que te posso ter tido, desde sempre – não coubesse em mim…

(…)

É como se te habitasse desde sempre… como uma recordação que Somos… Numa outra altura, poderia fazer de conta… esconder-me, simular-me… proteger-me… evitar o medo… como se ele me metesse medo, J.

De ti não. A ti não… A ti quero dar a Verdade que eu sou nos olhos, no peito, nas artérias que parecem conhecer-te desde sempre… porque, ao mesmo tempo, é calmo, é a sapiência plácida de alguém – que há em mim – que é capaz de te amar livre.

Independentemente do que aconteça… do acidente cósmico que possamos ser. É ser capaz de um amor independente, continuado, absoluto, que não convoca condições ou costuras certas…

Não te posso costurar, J.

Quero-te livre… como tu és a Ser… Porque é isso que é capaz de me fazer ficar… Quem tu és a Ser…

Que, se um dia te quiser menos do que livre, eu me vá embora, meu amor. A ti… só quero, só posso fazer o Bem. Haja o que houver, J. Eu vim.

….

Sinto-me a ser empurrado para ti. E tudo o que dizes acerca disto, deste milagre, digo o mesmo sobre ti. Nunca pensei reencontrar isto. Esta magia, este milagre. Tudo acontece a seu tempo. Mas anseio por voltar a sentir tudo.

Ainda bem que isto te abana… Ainda bem que te mexe… Se não for visceral, não vale… O assim-assim não serve… Já não, meu amor.

Quero beijar-te outra vez, meu amor… sentir-te… a tua mão a apertar a minha… elas, as mãos, a pedirem-se “fica”. Eu sei que nada disto… nada desta intensidade faz sentido… Mas sinto-me bem… É assim que te quero… Inteiro… Cheio do céu que tu és.

(…)

É tão absurdo ter medo de continuar… porque é inevitável querer amar-te, fazer-te bem…

Acho que o amor é como a escrita. Rainer Maria Rilke diz para escrevermos só quando não pudermos não escrever: “se algum dia sentir que pode viver sem escrever, perdeu o direito a fazê-lo”.

Acho que é como amar alguém… se for possível pensar em fugir, em não amar e ficar tudo bem, eu perco o direito de te amar, J. Em nenhum momento eu achei, até agora, que posso não te viver… isso não me é permitido. Eu tenho de te viver, J. Eu preciso de honrar isso em mim.

Quero beijar-te de novo… aninhar-me em ti… dar-me toda… e ficar a olhar… o tempo e a vida que passam. Partilhar a dádiva da contemplação (isso pode ser o que é o Amor).

És demasiado evidente, meu amor.

(…)

Era impossível esqueceres-te disto… és tanto… se soubesses como és bonito dentro, meu amor… se soubesses como és capaz de amar o mundo… como isso é inelutável para ti… saberias que nesta vida, pelo menos, não te seria permitido falhares o amor. “Vem pra perto de mim… Já cansei de esperar (…) Você nem sabe quando vem e já tem amor p’ra vida toda”. Vida toda é o tempo que o Universo quiser… não me meto nisso… meto-me no que sou capaz… sou capaz de te amar, J.

Amar-te na Verdade… que é honrar-te livre… sem utilidade que se convoque. Ama-se porque se tem de amar… se se ama para ter… “ama-se” com divisas. Amar é corajoso na medida em que sabemos que estamos dispostos a ganhar o mundo sem nunca, em momento nenhum, podermos exigir à vida que algo (alguém) fique.  A única forma de amar.

Tenho medo. És efémera como as borboletas que tu amas. Eu não quero que sejas efémera na minha vida.

(…)

“Em tudo o que entrei, entrei para falhar”. Não te quero falhar meu amor. Há duas coisas que tenho de amar na minha vida… Escrever e Filosofia… Agora tu. 33

Sou capaz de te amar sem ainda saber nada de ti. Só esses olhos, as tuas mãos, essa verdade que tu és. Entra em mim, J. Eu vim para ser contigo. Agora.

Sinto-me como se esta fosse a primeira vez em que estou a gostar de alguém. Como se nunca tivesse sofrido desgostos de amor, como se nunca tivesse amado. Como se esta máquina sensorial estivesse apta a sentir tudo pela primeira vez!  A enfrentar o desconhecido pela primeira vez. Quero mandar-me de cabeça, sem medos, sem questões. Sem medo da possível dor que o inevitável poderá criar.

É de ti que tenho de respirar.

Isto faz-me querer perder-me, esgotar-me em ti e dizer, “seja o que o universo, o cosmos, os átomos, as poeiras antigas, as almas, o fantástico, a imaginação, o vento, quiserem” (…).

Sinto os meus olhos a brilhar todo o tempo (…).

Parece que ando sobre as nuvens. Parece que estou leve.

Quero pousar-me nas tuas mãos, como se só tu soubesses o que é bom para mim, como se só tu soubesses levar-me a bom porto. Em ti, contigo, vou sentir-me seguro.

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