Borboleta em Contorção

És um homem otimista… tens fé em mim… isso é bom (estou armada em eufemista e cheia de medo, deve ser isso).

E nada desta conversa simularia gravidade, não fosse a esterilidade deste visor e tudo o que ilusoriamente nos separa… quando te vejo, derreto-me nos teus olhos e tudo o que eu digo é Verdade… sem isto… sem este medo, este terror de perder.

Sou fácil quando estou contigo.

Eu preciso da tua simplicidade… da calma que te habita, dessa tua forma simples – de sábia, não simplista – de viver…

do teu palavrão fácil, da tua cerveja… e da tua paz, quando eu me contorço em choro, partida ao meio nas memórias que eu não sou… que nunca fui.     

Absorve-me.

Depois, tens uma potência mental que não conheces… tens o dom de me facilitar tudo… de me compreender muito mais do que sabes conscientemente que compreendes. E eu não preciso de alguém que guerreie intelectualidade filosófica comigo… preciso ou quero alguém que me ame como tu me sabes amar…

Alguém que sabe ver-me impotente, frágil, de carne exposta e cara arrancada de lágrimas, sem se esquecer da minha grandeza e de amar tudo aquilo que eu posso estar a ser naquele momento. Tens-me tanto, J.

(Sentir-me amada pode ser isso… ser impotente, lamber o chão, arranhar-lhe o peito, na anti-heroína que eu também posso ser… lamber a terra, enrolar os olhos para dentro, no tétrico inventado, no sangue salgado que me pode curar… tu continuaste… não foste embora. Isso pode ser Amor.)

Essa forma simples, espantada e plácida de me amar… de olhar para os meus estilhaços e ama-los nas vísceras fundamentais… quando eu me encaracolo para que não vejas como eu choro, como eu tenho medo (de mim, de olhar para dentro)…

como me conheço, me enfrento, pela primeira vez, na ilusão do indigno, do que não merece… e eu mereço tanto, J. …

Eu esqueço-me, mas tu lembras-me do imperial que me habita… lembras-me, quando me olhas… assim, agora que me lês.

(…)

Quanto a este abandono das coisas… era um mal necessário… eu preciso disto também para criar…

sinto que estes últimos textos marcam o início de uma nova estética e de uma obra que pode marcar indelevelmente a forma como se conta Filosofia, Amor e esta arte, esquecida, de pessoas a ser, a enfrentar o teatro da vida, meu J.

(…)

Depois… senti-me menos amada… pedi que me guiassem o Pensamento, mas não devo ter deixado…  desde então, estou a atacar-te… A atacar isto que eu sinto por ti… sempre a ideia de insuficiência. A verdadeira dor que venho curar.

(…)

Eu sei que somos reais.

(…)

Passa a minha angustia filosófica. O amor não passa… pode assumir contornos e histórias diferentes… continuadas para outro lado… mas nunca duvides de que te vou amar sempre.

Amanhã devo ir à editora e, se ainda me quiseres, encontramo-nos quando saíres… beijas-me e fazemos do tempo aquilo que o Amor quiser.

O atacares-me faz parte… não te falei no resto, porque isto foi mais pertinente. Perceber-te esse estado, esse encontro. E queres saber qual era a minha resposta quanto a esse dia?… (É a minha resposta) Que vou para ti, porque preciso de ti… preciso da manhã e da tarde de hoje. Quero isso novamente. E não quero que te sintas menos amada. Isso é um punhal a espetar-me no peito. Amo-te ainda mais, à medida que te vou compreendendo. E quanto às dúvidas, não as tenho… não as consigo ter, relativamente a ti. Só tenho certezas. Se ainda te quiser? És quem eu quero… e vou-te beijar, até que os lábios cedam!

Quero-te M., para nós! Para mim e para ti! Quero-te mesmo muito.                       

Sinto mesmo isto… vejo muito em nós. Há coisas em que, como tu dizes, nos falham as palavras… elas contam o que não é delas.

E nesse tique apriorista de que falas, tenho de caminhar por aqui, por aí.

#ElasDoAvesso

(in Cartas de Amor a J.)

Márcia Augusto

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