A única tarefa do mundo

Às vezes, eu só quero ser eu a ser… livre… andar no mesmo ritmo que o coração me pede… devagar… ouvir os pássaros a ser… ouvir a vida a ser livre.

Gosto de atravessar a rua para ver as borboletas… gosto de as sentir nos dedos… gosto dos pássaros nos meus ouvidos… gosto de como o meu coração desacelera… acorda com a Terra… de como o meu olhar turva, só porque eu quero, escolho ouvir…

Gosto de ser feliz… de parar para perceber que sou… de poder parar… de poder relembrar-me de que posso escolher…

                Esta liberdade de parar…

Além do (?), do e-mail, de tudo o que me prende à terra… ser livre é algo próximo de ser feliz, ou isso de ser feliz é algo próximo de ser livre… isto que eu Sou agora… escrever sobre o quadro elétrico e o musgo… foi a mesa que o Deus encoberto me deu… e eu agradeci e pousei o livro…escrevi nele… porque os livros são para escrevermos neles… combinarmos, sobrepovoarmos as coisas com as nossas histórias… podermos contar a luz dos olhos… a luz que há quando eu olho assim…

(…)

Não sabe… não sabe ser… parar para ouvir os pássaros… isso pode querer dizer ser livre… sem a exigência do tempo… sem que o tempo espere por mim… isso de eu achar que ele está à espera… a única que me espera Sou eu… e eu, às vezes, demoro… e sei que me doem as demoras todas… todas as vezes em que eu não cheguei a mim… foram muitas, demasiadas… essas em que eu me adiei… essas em que me esqueci de ser… essas vezes em que eu me traí… em que eu achei que devia ser menos do que o que eu Sou… como se o que eu Sou fosse demasiado… não fosse para aqui chamado… doeram-me todas as minhas ausências… todas as vezes em que eu me falhei, em que eu não vim… em que eu não vi o brilho que eu era a Ser…

E que liberdade esta de Ser só eu a ser comigo… sem o horário do e-mail, dos homens, do jantar que combinei… nada…

Eu a Ser… em cima do quadro elétrico e do musgo seco (como o dia, quando eu não sou)…

Que liberdade esta de me despedir do corpo… de sair dele que eu não sou… para ouvir… usa-lo só para Ser…

Para que mais pode servir o corpo?… procura de cura… muita cura… mas, agora, paro para as fazer… isso pode ser verdade.

Isso de me lembrar que está tudo bem… isso de permitir à Terra a lembrança de que sou amada, de que sou cuidada, no colo das coisas que eu não vejo… e a urgência e o falsete… tudo o que me dói, me prende como ferros nos pés… só está na minha cabeça… e eu posso escolher o que tenho na cabeça, o que Penso… os pássaros ajudam sempre… de todas as tarefas do mundo, a única que vale é Ser… é por isso que eu tenho de olhar… escolher… encontrar o tempo do Céu…esse tempo que não há… das nuvens e dos rasgos brancos que me lembram de que sou livre no Céu… sou sempre, não Sou?

 

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