Porque eu também deprimo. E depois?

Eu não escrevo porque tenho histórias… eu escrevo para me salvar… deste barulho infernal que é o silêncio… como se no papel houvesse um “tu” mais digno… mais condescendente comigo e com tudo que eu sinto, que é nada… sei que cedo aos pensamentos que não servem… e ao comandante que me escraviza o lado esquerdo… não tenho razões para estar assim… já sei… mas estou… é uma dor cósmica… quem a tem sabe do que falo… de algo que não é de cá, que me convoca para dentro…

Hoje, não quero saber de J., nem de blogue, nem de concursos, nem de caralhos de backoffices que, ainda por cima, não funcionam… hoje, só quero saber de mim, sem querer saber, de facto… acaso, posso servir de alguma coisa a alguém?… Hoje é isto… inútil até ao último grão da terra, por baixo da Terra… todos passávamos bem sem ele… e eu, às vezes, passo bem sem mim… às vezes, toco chãos fundos da depressão… e tenho vergonha… e todos me cobram… porquê que eu, tão espiritual, às vezes me passo e mando o mundo à merda?… Às vezes, acho que se esquecem, porque eu me esqueço, que tenho veias e sangue a pulsar… que me dói… viver dói-me como ferros a queimar feridas com carne exposta… dói-me a consciência de estar, sem saber onde estou, por que estou… em obsessão, em desadequação e em medo de tudo… Até do caralho do site… não abre… e diz que só daqui a 5 horas é que posso fazer log in… estão doidos… cinco horas sem entrar no «Elas do Avesso» comigo neste estado de sal na alma… de punho mudo no coração, no peito e em tudo o que me tira o ar agora… penso no J., agora… O que pensará ele, quando e se ler este texto? Ele sabe que eu sou maluca… mas não sei se sabe de saber.

Doem-me os ferros a viver… dói-me tudo… quero ir para casa… porque a minha casa não é aqui, não pode ser… porque a casa não dói… e dói-me tudo… e parece que fujo da iluminação, como diabo autocondenado… era meditar e convocar… não me apetece… apetece-me chorar… consciente de que me dói viver… isto de não saber nada… quem me deu o tique iludido de achar que tenho de saber?

(…) (compasso de tempo)

Sou carente e, às vezes, sou chata, tenho medo e entupo o Facebook de músicas e posts… e isso chateia-me… o boneco que eu construí para ser… mas também me sabe bem ser… a menor… “playing with me, myself and I”… e tudo gira, tudo continua… independente e continuado… gosto de me despedir das versões chatas do que tenho de ser… do boneco que constroem… porque eu sugiro… Eu sei.

(…) (compasso de tempo)

Deixem-me estar… quem é que não deixa? A minha cabeça… é chata, estridente e peçonhenta.. a rotina mata-nos aos poucos… ouço “give me five minutes of everything”… penso em enviar ao J… e já não quero… não é que não goste dele… mas, é como se despedisse o romance… não sei ser séria, de pés na terra e ser romântica… não sei como isso se faz… há algo que, na minha cabeça à la indutivista, falha…

Pudesse eu não cair na indução… a indução falha-me tudo… corta-me a cabeça ao meio… estilhaça-me os nervos mentais no chão… pisa-os, inutiliza-os e pinta-os de verde… de verde inútil e amarelecido… and five minutes of everything salvam tudo… e no Facebook podemos apagar tudo… podemos arrepender-nos do que somos e ninguém deu por nada… o Facebook finta a merda inútil da Indução… acha que finta… porque ele é máquina… e não sabe, nos algoritmos todos dele, o que me dói não saber quem sou, o que sinto e isto tudo… e a beleza maior é esta música a tocar.

Por Márcia Augusto

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And, finally… Five Minutes of Everything

 

Às vezes, sou fácil como a Verdade. Márcia Augusto

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