Da Verdade e da Má Educação Ao Domingo

Chateia-me a esgrima por motivos vãos… Dadás do pós-moderno… Arroz bélico , argumentos de braços em sangue, caras desfiguradas pela conclusão válida… Lógicos inventados… Secos, sem causa, sem amor possível… Embalagens de fart bomb… Cães abandonados… E eventos de domingo.

Nunca fui mulher de mesas certas… de instrumentos e valsas paradas… de suposto e de correção política…  de diagnósticos de má circulação… de televisões no pátio e críticos de arte no chão… Adiados no cigarro… Na piada fácil sem riso possível.
Gosto de reparar nas nuvens que se mexem… Além de tudo… do político e da boa educação…

Não se escreve nos almoços de família… Eu escrevo… Eu fujo deles e das formalidades que me impõem… do uso do soutien e do composto… da falta vergonha e dos pergaminhos que eu não tenho… Só céu azul… E verde… Livre nos olhos….

Acima de tudo, amo ser… além das regras… das regras que me impuseram e que recuso ser… que a má educação nos salve.

Ela sempre nos salva… Do que não é verdade… das correntes no meu pescoço e dos caroços do enxofre que não cuspo .

E no fim amo mais… Sou mais capaz de amar… É para isso que serve escrever. Para isso e para ver borboletas.

Que a vida nos celebre livres. Como eu agora.

Gostava de te saber amar na mesa… No formalismo… Nos EUs inventados, forjados a fogo do que se tem medo… Gostava. Mas não consigo. É por isso que tenho de sair da mesa… Ser mal educada e escrever. Suscitar curiosidade e ódio… de quem não sabe que a verdade em pilares de bordeaux costurado me dói. E eu ainda não consigo..não consigo amar além de tudo… Além da condição do bem.

Um dia vou ser livre disso tudo… De tudo o que me magoa, me limita e me corta os pés… Mas, por agora, tenho de sair da mesa. Escrever é onde nada me faz mal… Onde eu sou livre no piano… E a dor não dói..mesmo que haja.

Penso em mostrar-te o texto… Mas porquê? Que direitos tens tu sobre os meus textos?… Sobre o que eu escrevo e por que tens de os ler primeiro do que os outros? Agora que me odeias por eu escrever à mesa… Ou sou eu que me odeio e não aceito a minha liberdade? A liberdade que me concedo…

Na verdade… Acho que não vais perceber… Porque tu não percebes a dor que me atravessa… A dor que eu sou a ser… Percebes? Algum dia vais perceber ? Que eu não sou a boneca perfeita, o desenho inventado da mulher que sempre se engaveta no suposto? Que eu sempre te vou fazer passar por vergonhas?… Por eu não ser como as pessoas querem que eu seja… Ou sou eu que quero ser o que não sou? E luto… sou eu que não aceito que continuo criança, adolescente dorida, dilacerada na verdade que eu não sou? Algum dia tu vais amar quem eu sou? Ou sou eu quem não ama? Quem não se permite ser amada?

Tenho sempre medo que me aches maluca… Isto porque agora abandonas a mesa para ir fumar e ignoras a minha escrita frenética… A dor que me sai dos dedos… Aguentas isso? Ou já não queres aguentar? Sabes disso? De quem eu sou?
Não sabes, porque tu não sabes que o mundo me dói… Não sabes, porquê que ele me dói… Nunca vais saber…

E não sei se amo este espaço vazio… Esta cadeira vazia, este trono de rei abandonado… Ou se o choro… Porque tu já não és… A seda e a renda de amor inventado… As declarações e os compromissos de joelhos no chão sujo … Como nós agora. Sem alma… Com medo do teatro chateado, Brecht de faz de conta… De quem não faz nada depois da peça…
Ainda somos… Ainda somos capazes de ser?

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Dizem que autora, a Márcia Augusto

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