Do que nos salva

(…)

Enquanto o círculo não fechar, vai sempre falhar alguma coisa… faltamos nós, este monumento-carne  de amor que nós somos… gosto, quando recebo mensagens de gratidão pelo livro, pelos vídeos, pelo meu trabalho… gosto de saber que ajudo pessoas… gosto de amar… quem não gosta? Gosto de sentir como sou invencível, como nada me pode fazer mal, quando amo… gosto de não saber lidar com isto… esta mudança toda… eu na tua cama, que tu dizes que é nossa, a escrever… e acho que isso, por ser verdade, me deu medo… porque, quando não conhecemos o amor, temos medo dele… medo do que ele nos pode fazer… medo de sermos enfraquecidos… medo de perder… mas o amor não é isso… o amor é, pode ser, gratidão por tudo o que eu sou agora… é aquilo que me salva.

Gostava de te amar sem amarras… sem medos nenhuns, sem filtros nenhuns… com tudo o que eu sou cá dentro (mas eu sou quem?)… sem medo de me partir, sem medo de fazer as coisas mal… gostava de te amar sem medo do amanhã…

Talvez o amor não convoque sequer o amanhã… o amor não pode ser no futuro, nem no passado… ele tem de ser agora… sabemos Ser Agora?

Sem medo do que vais pensar de mim… sem medo do que penso de mim…  porque eu penso muita coisa de mim… e nem sempre penso coisas bonitas… Tenho medo de não chegar… tenho medo de falhar…

Quero ser livre… nua e em estradas abertas… sem coberto… à chuva e ao sol… ao inesperado dos passeios onde me sento a ver o mundo a acontecer… e o céu todo. Quero ser disso tudo, de onde eu sou… de um lugar livre… de um lugar onde o medo não existe… só amor… como único estado real, único, vital, total que eu Sou. E a confiança que eu tenho nisto, no mundo que é Um comigo…

Preciso de te amar… como eu te quero amar… livre… sem cordas, nem corrimão… preciso de te dar a mão (não precisamos todos?)… dizer-te nos olhos que não vou fugir mais… da evidência de que te amo… de que quero conhecer isto contigo… a cama de todos os dias… a cozinha para arrumar… o computador no sofá… quatro pés e o olhar de quem termina, porque se quer amar…

Sei que já não faço nada como antes… e resisti… por achar que antes estava certa…

Mas eu prefiro estar errada e ser livre de tudo o que eu pensava.

Prefiro soltar-me e ver no que dá… sem esperar que dê… isto, só agora… only open road… Perdoa-me… aceita-me… ama-me todo o medo que tive de te amar… porque foi assim que o venceste, com o teu amor que eu não conheço, a que eu me vou habituando… (não é estranho que tenhamos de nos (re)habituar ao amor?)

O amor salva. Salva tudo.

#ElasDoAvesso

A autora e o negócio do céu, Márcia Augusto

A autora e o negócio do céu, Márcia Augusto

E porque isto acompanhou a transcrição e a lealdade importa a quem narra…

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