Uma Borboleta Quer Dizer Metamorfose

Hoje, terminámo-nos. Não mais do que isto. Meia dúzia de frases bastarão… ou, porque nada irá chegar, fico-me pela meia dúzia.

Amanhã termino a borboleta que comecei, quando te conheci. Durámos o tempo de uma borboleta. E foi bom. Lembro-me de me dizeres que não querias que eu fosse efémera como uma borboleta… acho que o Universo te fez a vontade ou, no fundo, tu já sabias que eu me ia, quando ela acabasse.

Amanhã acabo-a e recomeço o retoque da caveira, para me lembrar que tudo nos tem de morrer para que o novo (re)nasça. A caveira que fiz, quando achei que o meu pai me morreu.

Cheguei a casa e soou-me a Angie… Apeteceu-me amaldiçoar Deus e o seu despropósito… a sua falta de tato… não me ajudou. Só pareceu que se risse do que eu sentia… “Angie, we can’t say we never tried (…)”, apesar de, na verdade, “I still love you, baby, everywhere I look I see your eyes”.

Termino como Wittgenstein… “e sobre o que não sabemos, calemo-nos para sempre”.
Não sei, não sei nada disto… por que razão isto… e, por isso, calo-me.

But, Angie, I Still Love You Baby (percebo agora porque nunca gostei de te falar em inglês… ao contrário do que me era habitual com todos os outros… sabia, no fundo, que o inglês traria o nosso fim; e como dizer Adeus? No meio de um parêntesis? “De fininho”, dirias?!).

Amei-te sem reservas. Só isso pode ser verdade.
Escrevi “Adeus” e apaguei. Essa evidência dói-me de mais.
Amo-te pode ser verdade, quer dizer, melhor terminar assim.

Márcia

E ainda bem, ainda bem que a Literatura nos finta a dor e o Universo todo. Disse Sophia e, talvez por isto, em jamais vu, gosto desta frase “(…) Tenho pena dos homens que não têm asas para voar por cima das coisas más” in «Não Se Encontra o Que Se Procura». Felizmente, temos a Literatura para que possamos amar “num sítio tão frágil como o Mundo”, para que possa “atravessar o deserto do mundo contigo”. São frases de Sophia, mestre que descobri pelos meus 7, 8 anos… fascínio que só agora, 20 anos volvidos, percebo… Sophia tem a leveza fácil de contar a dor com asas… Achamos que percebemos, porque não recorre ao vernáculo rebuscado da maioria artística que tem por complicado a Arte… Sophia conta-nos que é fácil, é fácil amar com palavras como o rio, as asas e as fadas todas. Obrigada, mestre Sophia. Obrigada, Literatura que sempre me salva e uma Ave Maria em Schubert começa agora.

Até já.

In “Não Se Encontra o Que Se Procura” de Miguel Sousa Tavares

Shcubert é uma oração.


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