Mortos são Mortos – Panteão #InTheSummit

Márcia Augusto, ensaiada de Filosofia, Poesia e Literatura, mas livre... sobretudo isso de ser livre

Márcia Aires Augusto,

Bom, não contava vir aqui escrever hoje… na verdade, ando um tanto desaparecida do blogue, mas, para quem acompanha, ando bem ativa no #Facebook, no #Youtube e no #Instagram. Quem não muda ganha raízes e eu gosto pouco de me agarrar ao chão, como sabem.

Ainda assim, como se percebe, vim aqui… em jeito de resposta ao desafio da minha mãe que me pediu para escrever sobre isso das almas magoadas do Panteão Nacional… Ora, façam-me um favor… Magoados estariam eles se viessem ver obras de governação e resquícios de império morto.

Quanto aos que morreram e lá estão – diz-se, acredita-se que a morte fica no corpo, está bem, está…  Mortos são mortos… e, em jeito esotérico e quiçá messiânico, até me parece que o jantar faz jus ao império civilizacional cantado em Mensagem… Estão a ver aquela coisa fantasiosa que se ensina no 12º ano de Português?… que o bagaceiro do Pessoa acreditava? Pois é… parece que ele não era tão louco quanto o pintam… só quem nunca leu Fernando Pessoa pode achar que o mais brilhante poeta-filósofo da História sofria da cabeça… sofrer, ele sofria… de incompreensão… como quase todos os génios sem tempo. É que ele dizia que Portugal sagrar-se-ia de novo império, desta vez civilizacional, espiritual, de matriz imaterial, porque os impérios terrenos haviam cessado – Hitler não o terá lido… nem Hitler, nem Bush, nem ninguém que acredite que a Terra se pode possuir.

Mas, retomando… o facto é que Portugal volta a assumir-se, do nada, como um centro de visita e paragem na era digital com as #startups, o carisma de um Presidente da República como Marcelo e as notícias do turismo… que, quer se goste, quer não, têm enchido Portugal de gente. A gestão que se faz cá dentro é outra questão – o assassínio do alojamento urbano por pessoas de cá não é da responsabilidade dos turistas. É, curiosa e paradoxalmente, das gentes de cá… já sabemos que, não raras vezes, não são só os cães que não conhecem o dono.

Retomando o Panteão e isso do Summit, onde nunca pus os pés e duvido que o faça… quanto a mim, acho que Eles, os Mortos (com letra maiúscula, que eles ofendem-se; a matéria… meu Deus, a Matéria… e dizemo-nos nós inteligentes… a fazer corresponder essências, que tomaram em dado momento estados de existência, a mortos… E eu sou a louca; está bem) se cá estivessem, iam ficar bem contentes. Mas, parece-me, paz às suas almas, que eles já devem andar noutras bandas, não sei. Mesmo que nesta, mas com outras roupagens. Sim, porque, no meio da fanfarra toda, pelo menos Portugal ganha alguma coisa com isto – não deixamos, contudo, que os caros visitantes saíssem de terras lusas sem saberem do nosso provincianismo… para o que lhes havia de dar, jantar com mortos…e eu digo, para o que nos havia de dar, pôr mortos em túmulos diferentes, a que chamamos monumentos… e não, não quero saber do que se faz lá fora… é parvo. É a minha opinião… e, ao que me parece, apetece-me partilhá-la. Mortos são mortos. A sério… Eu não preciso de Camões – o que sobrar dele- no Panteão para me lembrar dele. Não preciso. Porque o legado que me deixa é imaterial e está muito, muito longe da estrutura de ossos que o recebeu por cá.

Terminando, pois… parece-me bastante egóico e pequenino, como já se aperceberam, isto de separar os mortos… mortos são mortos. Não vejo diferença absolutamente nenhuma entre um corpo morto no Panteão e um corpo jazido no cemitério. O que faz a imortalidade é a obra, é o benefício criado. Homenagear um corpo parece-me absolutamente inútil e um tanto idiota, de uma consciência de “palaiós”, étimo grego que designa “antigo”, aliado a “líthos” que significa “pedra”, que é de onde, me parece, vem o elevado e intelectual entendimento humano. Por fim, isto não é a página de textos que narram o politicamente correto, porque eu não nasci para ser correta e creio que disso, do correto, não falta. Então, e por isso mesmo, eu não faria lá falta nenhuma, no meio dos corretos, quero dizer. Não me deu para isso, valha-me Deus. É que a correção dá-me arrepios.

#PanteaoInTheSummit #WebSummit

Love, Márcia Aires Augusto

Panteão #InTheSummit

Partilhar
0

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *