Se eu sou imortal

Às vezes, eu acho que quero uma desculpa para a dor no telemóvel… uma voz que me salve… falamos tão mal do além e não percebemos que é, de facto, o além, não esse, mas este da frase, que nos magoa… que nos engana… que nos manda para outro sítio qualquer, longe da paz, um lugar que não é nosso.

E se eu fosse imortal? E se eu sou imortal, por que escolho ver-me sob a folha volátil do corpo que adoece e que morre? Por que escolho ver-me como eu não sou, se o que eu sou é infinitamente melhor, mais bonito, mais potente e mesmo o superlativo de “mais” mente, porque não chega? E se eu fosse quem sou?

Se eu fosse imortal o que faria?

Escreveria o que me apetece, seria fiel a quem eu sou, não ia fingir, nem mentir mais, não ia esconder-me, nem me ia preocupar com o que os “outros” pensam ou dizem sobre mim. Se eu tivesse um poder infinito como tenho (sou), escolheria ser feliz, não mais me identificar com a dor, não hesitar mais, eu não teria mais medo. Eu seria quem eu sou, de uma vez por todas. E por que não começar agora, se eu sou isso tudo?!

Por que é que eu escolheria fingir, tentar atingir o que eu não sou? O tema da imortalidade tem assaltado muito a minha boca e os meus discursos… porquê? Talvez para nos ensinar sobre verdadeiramente quem somos. Eu sou eterna, absolutamente poderosa, omnipotente, além do tempo e do espaço que parece que me contém. Nada, absolutamente nada me pode conter. De hoje em diante, eu prometo que pensarei mais sob a alçada da imortalidade que eu sou…

Se eu fosse imortal, eu não me preocuparia tanto com o que vou escrever nas redes sociais, os desgostos de amor seriam algo como são, passageiros, melodiosos na dor que serve para me acordar.. eu não ia ceder mais ao que eu não sou, ao que não serve para mim… eu não me ia cobrar tanto, eu não ia esperar tanto de mim, porque o tempo é infinito e o universo aceita-me onde eu estou… se eu fosse imortal, a vida ganharia outro brilho, esta sala não seria só mais uma sala, mas a sala que alberga a minha imortalidade agora… a sala que me apoia, me suporta os pensamentos e me ajuda a torná-los físicos agora. Se eu fosse imortal, eu seria uma versão mais límpida de mim. Eu seria quem eu sou. E eu sou milhares de anos dentro… impossíveis de acabar, porque são um acúmulo de experiências, de lições que me ensinam a ser imortal na Terra, num corpo que morre, que não iria ter mais o poder ilusório de me matar. Se eu fosse imortal, eu não estaria preocupada com o tom deste texto, se ele cumpre ou não a sua função ou toda a verdade… se eu fosse imortal, quando eu sou imortal, o pensamento fica claro e eu já não dependo de mais nada, eu já não enfraqueço…. Eu turvo os olhos e eu sou quem sou, trago a mensagem. Se eu fosse imortal, eu seria mais como sou agora… eu iria menos ao telemóvel… eu ia ser eu e ia importar-me menos com a forma como eu ia representar quem eu sou, porque digna da minha imortalidade, a minha humanidade salta aos olhos, ou a imortalidade traz acima a humanidade em mim. Se eu fosse imortal, todos os problemas deixariam de fazer sentido… e eu viveria acima do barulho, das janelas abertas e eu seria Um com os vasos… se eu fosse imortal, eu não teria tanto medo de ouvir Jesus e os espíritos… eu já não teria medo de assumir quem eu sou e ao que vim. Se eu fosse imortal, eu assumiria que Sou a filha, a eterna filha, una com o Todo, ou o filho, porque não há género no espírito, tudo é igual e tudo é o mesmo. Se eu fosse imortal, eu poderia ser quem eu sou… experimentar ser quem eu sou no mundo… experimentar a Visão. Se eu fosse imortal, eu já não teria medo de ser uma fraude, de estar enganada quando parece que ouço o que tenho de fazer. Se eu fosse imortal, como sou, eu meramente faria, me testaria no mundo, sem querer saber de quem eu sou ou represento… porque a minha imortalidade manter-me-ia a salvo de predicados do mundo.

Se eu fosse imortal… eu sou imortal.

Se eu sou imortal, eu deixo de ter medo… porque o medo é do que morre, do que acaba, do que magoa e a imortalidade salva. Se eu for imortal, tudo o resto vai mudar de sítio… as coisas, os bibelots nas mesas e as janelas… tudo fará parte da experiência da imortalidade no efémero, no que acaba e eu poderei ser mais eu, sem medo que me julguem, que me achem maluca por eu ser quem eu sou. Se eu for imortal, nenhuma desta dor faz sentido no meu peito… porque ela não é real, ela agarra o que não é real em mim. Se eu sou imortal, 95% da minha existência não fez sentido na Terra. Se eu sou imortal, eu fingi ser o que não era. Mas também não preciso recuperar tempo, porque o tempo deixou de ter sentido, e tudo o que é uno não pode ser perdido de si. Se eu sou imortal, o meu único trabalho aqui é agir como quem eu sou. Honrar perde o sentido, porque a imortalidade não precisa de predicados do mundo. E tudo até agora foi mentira, à exceção do que eu senti e das lágrimas que me reconectaram.

Se eu sou imortal, a única coisa que pode importar no mundo, na existência do efémero, é ajudar através de quem eu sou. Qualquer bem perde o significado perante a imortalidade. O que podem valer o dinheiro, o sexo, o poder (ilusão dele) se eu sou imortal num corpo?

#ElasDoAvesso fusion com o #Borboletar

Mas no fundo, eu sou a mesma e tudo é o mesmo.

Márcia

Márcia e coisas que faço no mundo (autora, filosofia, espiritualidade na prática, coach e coisas do amor, que me fazem descobrir quem ele é)

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