Sobre a Filosofia que É (a que serve para alguma coisa)

Este texto foi extraído de um post do Facebook do Elas do Avesso, mas gostei tanto dele que achei por bem publicá-lo.

O discurso começa com uma conversa que tive no caminho para casa, logo após o funeral do meu avô. Uma miúda perguntava-me se o que eu fazia não era Filosofia misturada com Psicologia (quem me conhece sabe que eu não gostava nada de Psicologia… lia os autores e tudo me soava a uma tentativa de engavetar humanos em paredes de comportamento). E diz assim:

Ainda hoje falava sobre isto e disseram-me “mas isso é Filosofia com Psicologia” e eu disse “na Verdade, era disto, destes temas – não da psicologia, mas do conhecimento aplicado ao bem-estar do mundo -, que os grandes Filósofos falavam.” E agora, sobre a Filosofia de hoje… a Filosofia perdeu espaço a partir da era medieval com o institucionalizar do Cristianismo, e eu digo institucionalizar porque não há nada de errado com o Cristianismo e, para quem me conhece, sabe que gosto bem dele, do que o Filósofo Cristão deles dizia, Jesus… Contudo, a Filosofia permite-nos questionar, permite-nos acordar a Verdade, sair da Caverna… e quem quer que os escravos da ignorância saiam da Caverna num mundo que era resumido à Europa dogmática? Pois, então, toca a deixar a Filosofia ao cuidado de padres, santos e outros que tais. E não tenho nada contra eles. Sou é a favor de uma Filosofia que questione, não de uma Filosofia que diga de caras que Deus existe, mas também não de uma Filosofia que diga de caras que não há nada de Absoluto, de Divino em nós… Bom, retomando a perspetiva histórica, o que é certo é que depois vem a Renascença e o Humanismo começa a ganhar espaço… O poder (ego) dá-lhe luta com o Absolutismo, mas o Iluminismo não deixa e traz o liberalismo com ele. Excelente momento para a Filosofia poder voltar a ganhar espaço… mas, se o “Deus” dos homens foi tão dogmático e mau, queimou pessoas até, foi preconceituoso e ganancioso, o Conhecimento ter-nos-á de levar para outro lugar diferente do “Divino”. O que os filósofos da altura não perceberam é que o Deus dos séculos passados não tinha nada de divino, nem estava minimamente preocupado com o Bem. Ora, é impossível pensarmos em Bem, sermos devotos do Bem, sem que nos descubramos divinos e eu digo isto, porque não tinha nada de Bem em mim e, por isso, de divindade muito menos… mas foi no caminho da Filosofia voltada para a Verdade, a Verdade que importa, não é a que vomita livros, isso é fácil, que encontrei, descobri, que só o Bem nos pode importar e que cabe ao filósofo, hoje coach, terapeuta, professor, acordar as massas para as ajudar no caminho de retorno ao Bem. Voltando à Filosofia, sem nunca nos termos afastado dela, se Deus é mau e a Ciência está a crescer, não vamos deixar que os séculos nos apaguem de novo e vamos servir a Ciência, vamos tentar ser objetivos como ela, provar como ela… E, por isso, a Filosofia tornou-se inútil, chata, rabugenta, obscurantista e passou a cantar o óbvio através de símbolos e palavras complicadas que, espremidas, não dizem absolutamente nada que eu só vá usar para dar uma de intelectual no bar, enquanto peço uma bebida igualmente chique e sem corpo. A Filosofia do Bem, voltada para o Mundo e Sobre o Mundo, está a voltar. E está a voltar graças a seres de coragem como o Jorge e outros tantos que estão a largar o academismo para serem aquilo de que a Terra, ou outra coisa qualquer, os incumbiu. De coração, obrigada.

Márcia Aires Augusto

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Márcia Aires Augusto (autora do livro “Elas do Avesso”, Filósofa nas horas vagas, amante do ato de Conhecer a todo o momento)

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