Clipsera foi ao Egito – Clipsera em Arctus (Capítulo V)

Não estamos a brincar… Clipsera foi ao Egito, mas por obras e tramóias foi lá em cima e veio. Vejam, que é como quem diz, leiam… vale muito a pena!

Love, Márcia.

Capítulo V

(O início do capítulo)

Clipsera ia e vinha muitas vezes. Desta vez, tinha ido ao Egito, já não sabe se físico ou mental ou, sequer, qual dos dois é verdadeiro, pois que o mundo é mental, disso estava certa. Clipsera tinha estado nas pirâmides, vira-se dentro de uma, que girava, girava, girava… foi, então, que conheceu um faraó de pedra que lhe disse coisas ao ouvido… não sabe o nome, o que lhe importa?

Deves escutar a Verdade, disse-lhe. E sempre que ouvia “Verdade”, escutava Pocahontas ou a árvore, que lhe diziam Ouve o coração e vais entender.

O que é certo é que Clipsera não entendia nada e no regresso do Egito, estava bem mais confusa, ainda que mais sábia do que antes. Nefertiti disse-lhe que Clipsera ia encontrar o amor, o Amor que ensina, o amor dos contos, não necessariamente de fadas, mas dos contos afóricos, que podem ser de fadas também. É que Clipsera já temia as lições sob a forma de homens… Mas Nefertiti assegurava-lhe, ou augurava-lhe, este não é um homem qualquer, este é o Homem, o mágico, o gémeo… têm uma missão, devem-na cumprir. O que é certo é que Clipsera falava cada vez mais de jogos e de missões na Terra, a propósito de palestras filosóficas sobre o despertar humano, mas não entendia, ou não queria entender a sua missão… este livro, por exemplo, assustava-a… já aqui dissemos que fugia dele a sete pés… não era um livro qualquer… isso assustava-a. Primeiro porque não sabia o que era pedido, depois porque não sabia se ia conseguir o que era pedido. Mas também sabia que não ia saber se não tentasse – que aliteração bonita, pensa.

Eu não sei o que se passa comigo era a expressão pensada mais frequente de Clipsera… a verdade é que o amor rareava, o físico, pelo menos como os humanos o conceberam…

Clipsera passou pela Grécia, esquecemos de dizer. Viu homens de pedra, acha que filósofos, mas estes não lhe disseram nada… Clipsera rareava na audição de mensagens em viagens, agora… mas, por outro lado, as mensagens abundavam na vida quotidiana, sem que viajasse. Não sabemos de que viagens tratamos aqui, Clipsera também não quer dizer. Soares, o Bernardo, diria que mais vale não sairmos do sítio, pois a única viagem que vale é a da mente, pois se nada é físico, por que razão pagar aviões?… Clipsera não estava muito convencida, mas o Faraó e a Esfinge, também, sabía-o, iriam ser lembrados vida fora… mas o que raio o Faraó lhe dissera? Eis que veio a resposta… desta vez, em inglês, pois que Clipsera não entendia a língua antiga dos egípcios… “Think of all the joy will find when you leave the world behind and bid your cares goodbye”. Lembrava-se agora que essa era música de Peter Pan da Disney… o que é que o Faraó teria a ver com isso? Não sabia, nunca sabe… por isso, mais valia guardar as mensagens e levá-las ao mundo, pois que era esse o seu trabalho.

A mente de Clipsera há muito que era um vaivém, não é de agora, de facto. Mas vamos ater-nos à históra. Na sua viagem ao Egito, Clipsera ouviu o Faraó de Pedra cantar-lhe versos de Peter Pan… arrastou-lhe a porta do coração de pedra e viu Pocahontas e uma mulher de cabelo vermelho a rodar… numa roda dos ventos, ou da fortuna, parecia-lhe… como nas das cartas… Harti, assim lhe vamos chamar, disse-lhe que a roda conspirava a seu favor… Clipsera continuava sem entender o conto de fadas que lhe contavam… Se Nefertiti lhe dizia que ia encontrar o amor, agora Harti falava-lhe de uma roda que conspirava a seu favor. Clipsera fazia-se de burra e incrédula, como sempre… há muito que os deuses a convidavam a desfazer-se dessas “pseudices” humanas (está em itálico, porque são eles que dizem e entre aspas porque é uma expressão de Clipsera, não queremos aqui desafiar a Linguística, ou talvez queiramos, mas, para já, Clipsera não está preparada para o baque autoral). Clipsera entendia e via muito mais do que dizia… só não lhe interessava que soubessem… e a ela, interessava-lhe saber? A verdade é que Clipsera continuava muda no mundo, recebia mensagens, via formas lindas, seres luminosos e coisas, mas não falava sobre eles, muito menos com eles… tinha-lhes mais medo do que do próprio diabo que lhe reinava a cabeça. Clipsera continuava no meio do muro e frequentemente ouvia a expressão de que Deus vomita os mortos. Clipsera sabia que ela própria se vomitava de si e a si própria, quando não era leal à sua essência… tentava, mas até que ponto ela estava, de facto, comprometida, capaz, sagaz? Também não sabe onde entra aqui o sagaz, mas é a palavra que ouve e, por isso, vamos respeitar o autor, narrador… sabemos lá de Quem estamos a falar.

Clipsera subiu e viu de novo o mar que separa a Terra do Universo, que é diferente do Céu, bem lá de cima… balançou as pernas, retirou o relógio da água, os relógios de água chamavam-se Clepsidras – Clipsera acreditava que a sua estava morta, pois que nunca mais a ouviu…. Clipsera também não estava mais apaixonada… Clepsidra só se mostrava, quando via Clipsera em risco de se apaixonar. Falaremos sobre isto mais tarde, talvez… não sabemos… com este narrador que não conhecemos, nunca se sabe do que lhe vai apetecer falar. O que importa e o que é certo agora é que Clipsera retirou o seu relógio da água e foi às galáxias… queria ir a Arctus, mas precisaria de um Arcti para lá entrar… Arctis são índios guardiães, são verdes, têm um cabelo grande, ou chamamos-lhe de cabelo, porque se trata de um prolongamento da testa verde para uma poupa grande que desce até às costas, mas o corpo é todo o mesmo… reluzente, verde como a água, brilhante como a lua. Clipsera aguarda, enquanto balança as pernas sobre o mar, chega Ali (como sabe o seu nome, se nunca o viu?) numa canoa… o que faz um homem, esfarrapado, bonito, moreno, mas esfarrapado, numa canoa com o mar tão bravo que está?

Clip, estás aí? És tu?

Mais um maluco, pensa, Sim, sou eu. O que queres?

Hoje estás mesmo para poucas conversas…

Sim, vim contrariada… tive de subir.

Clip, qual é a piada de estares na Terra? Porquê que te custa tanto subir?

Sei lá… tenho tanta coisa para fazer lá em baixo, não entendo o que querem de mim. Chatos.

Ari, ainda vais agradecer.

Porquê que me estás a chamar Ari? Eu sou Clipsera.

Tu és? Tu sabes lá o que és, Clip. Hoje, estás com ar de Ari, avermelhada, do planeta Namek Vermelho… estás muito nas raízes, abaixo da Terra… que se passa?

Não sei… olha… grrrrrrrrrrrrr… chora. Estou farta disto. Não sei onde ando, ao que venho, porque ando… estou perdida… não vejo propósito nisto… sei lá… quando escrevia para o elas era fácil…surgia tudo naturalmente… aqui…

Era uma escrita mais terrena, por muito que deixasses a tua alma falar, quem estava no controlo editorial, como vocês gostam de dizer lá em baixo, era o eggs… como lhe chamam mesmo?

Ego… hahaha… mas eggs também é bom.

Pois, isso… olha, não sei. Acho que te devias deixar levar…

E como atualizo o elas? O blogue, a minha escrita, o meu trabalho, Ali?

Vais ter de escolher… feed ou verdade.

Ai “feed” tu sabes…

Sim, acabou de chegar um Arcti, quando eles vêm a nossa consciência Una melhora… sabes que nem aqui em cima estamos unos… estamos melhor do que lá em baixo…

(Não há cima nem baixo) É Jesus quem fala.

(Sim, para a Clip perceber).

(A Clip percebe tudo, queremos que se habitue às nomenclaturas do céu… porquê que vamos usar termos errados, se é tudo horizontal e avançamos no caminho?)

(Como a linha quebrada?) Clip pergunta.

(Sim, como a linha quebrada de Platão de quem tanto gostas… essa relação bilateral, que desenvolveste com ele, que vai ter de ser resolvida)

(Está bem, Jesus. O que queres que faça?)

(O Arcti vai dizer-te)

((Ouve o coração e vais entender)). Vale a pena dizer que os parêntesis significam uma conversa do cérebro, dentro do cérebro… há uma narrativa a acontecer, uma história, mas Jesus e as falas ocorrem num background ainda mais profundo do que o universo mental que Clipsera vê. A frase tem parêntesis duplos, porque a voz vem antes do diálogo com Jesus, antes em termos de espaço, se ele existisse… é mais inner, mais dentro ainda da cratera mental. Não sabemos dizer de outra forma, agora.

Arcti traz um unicórnio de corno branco e cor-de-rosa… é tão meigo… Cumprimenta Clipsera, nariz com nariz, se o Unicórnio o tivesse, e Clipsera salta para cima dele, como se lhe fosse normal andar de unicórnio. Vamos? Clipsera dá-lhe a ordem, parece que sabe para onde ir, mas conscientemente no corpo não sabe… mania de vir com as malas atrás, ainda não percebeu que não precisa delas. Arcti faz-lhe sinal com a cabeça e anui.

Viagem para Namek Verde ou Arcturi ou Arctus (querem dizer o mesmo).

Chegaram e já lá está Arctivianse, o Sábio, de mãos atrás das costas, ou algo parecido com umas mãos, de óculos de sol e uma fita de ninja na cabeça; nunca sabe porquê que Arctivianse usa óculos de sol, muito menos aquela fita… parece uma tartaruga ninja, ou a tartaruga ninja é que se parece com ele? Arctivianse é real, a tartaruga ninja é só um desenho animado da Terra. Como saber?

Sê bem-vinda, Clipsera, há muito que te aguardo.

Mais um maluco, Clipsera pensa.

Clipsera ganha agora uma vestimenta diferente, está de branco, de vestido meio que rasgado, como se de uma índia se tratasse, tem uma coroa de ouro trabalhado sob a forma de folhas a rodear-lhe toda a cabeça, tem cabelo loiro e não sabe quem é.

Arcti, Arcti, Arcti… calma… não te podes agarrar tanto à forma da Terra. Aqui és Arcti.

Ó meu amigo… Clipsera pensa.

Arcti, solta o corpo… aqui, mudas o corpo, mudas a forma, mas a essência é a mesma… é isso que te queremos ensinar agora…

Pelo menos até que estava mais bonita agora… ainda mais… aqui não era preciso ginásio para estar tonificada. Arctivianse ri-se… aqui, em Arcturi, sabem-se os pensamentos… o pensamento é uno, é como um “feed” pensamentos unificado… como o “feed” do Facebook, mas com pensamentos, o “feed” está na mente de todos… daí a importância de todos pensarem e evocarem luz. Houve alturas em que tiveram muito medo pelo facto dos seus pensamentos serem sabidos por todos… hoje isso traz-lhes paz, porque há partilha e ajudam-se a pensar direito. Pensar direito é pensar Luz, pensar bondade, pensar amor… Clipsera, por exemplo, acha Arcti lindo de morrer… e todos em Namek Verde sabem… mas riem… sabem que não é um pensamento real, é do corpo que Clipsera teima em não largar, ainda que agora vista o corpo de Arcti.

Arctivianse. Clipsera (Arcti agora) ajoelha-se em vénia, leva as mãos em prece ao peito e venera o deus Arctivianse, que lhe responde com uma vénia de igual modo. Aqui todos sabem que são deuses e tratam-se por igual. Deuses, não no sentido politeísta, mas partes de um Deus inteiro e total. Os humanos ainda estão longe disto.

Os humanos ainda aprendem e custa-lhes aprender as falas do Faraó de Pedra e de Peter Pan.

Arcti ou Clipsera lembra-se que ainda tem de ir a Bhagavad Gita e o cérebro fragmenta-se, parte-se em mil pedaços no chão de Arctus. Clipsera entra em pânico.

Calma, Arcti, ou devo dizer Clip? Isto é obra de Clip…

Isto é o que acontece quando o cérebro humano fragmenta e pensa uma coisa diferente da que está a fazer agora… parte-se em mil, não cria nada, só fragmenta… Como unificar? Calma… ainda estás muito preocupada com o facto, o significado ansioso que lhe dás e a solução… Calma. A solução é agora… qual é a solução de paz?

Está tudo, bem, pensei errado, mas está tudo bem, não teve consequências, continuei aqui, a viver esta realidade…

Bendita sabedoria de Arcti… exatamente, Arcti… por mais que penses errado, que o cérebro fragmente, a realidade não muda, continua a acontecer, continuas aqui a salvo, tal como a tua alma, essência… Toma. E unifica o cérebro, mal pega nele com as suas mãos de cor azul translúcido, com dedos de tesoura. Clipsera pega nele como se de uma coroa se tratasse e volta a colocá-lo na cabeça de Arcti, que se funde pela coroa (a “moleirinha”, chamam os humanos). Tudo é Um. Está tudo a salvo. Na Terra ou em Arctus, tudo é Um, assim como no próprio Ceú que espelha a verdade nas dimensões de baixo (Sim, Jesus, já sabemos… não há baixo, nem cima).

Clipsera quer voltar. Eça diria, se é que não diz mesmo, Clipera porque insiste em voltar para a lufa-lufa da vidinha dos costumes? Deixe lá isso, sirva-se do nosso cognac… Ai achava que não bebíamos cognac aqui em cima? Deus não gosta, ele é que manda aqui… mas ele respeita o nosso livre-arbítrio.

Eça, tu és louco. Só podes ser.

Clipsera colocando as garras de fora… gostaria de ter escrito sobre si. Vá lá, vá lá para a mamã, para o jantar da mamã… que vida insípida.

Ia responder-lhe Clipsera, mas não respondeu, pois ainda está com um pé em Arctus e os conflitos desequilibram o “feed”. Hora de recolher. Arcti, ou Clipsera, são tudo formas, mas neste momento vemos a fusão das duas, que se metem a caminho do Unicórnio. Ao levantar a perna, a índia Arcti torna-se Clipsera que já, ela mesmo, diz adeus. Arctivianse espera por ela. Não lhe disse tudo. Relógio de novo diluído na água, ainda olha para Arcti, índio, lindo de morrer, pensa… mas já o dilui no mar, ou a imagem dele dilui-se, desfaz-se no ondular geométrico e pixelizado do mar. Clipsera voltou à Terra e é hora de ir jantar.

Subscreve o meu canal no Youtube

conhece o livro “Elas do Avesso” aqui Ou compra diretamente no botão abaixo

Autora, amada, amável e amante da vida. Márcia Augusto

Partilhar
0

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *