Clipsera foi ao fundo da Terra – Os Ionis

Como já dissemos, a Clipsera muito custava voltar às viagens e às histórias que aqui os narradores querem contar. Clipsera não os entende, nem eles a entendem a ela, posto que, nem sempre é fácil contar o que acontece no espaço do que não vemos, no espaço da Visão, sem tempo nem lugar. Mas Clipsera iniciou agora mais uma viagem, desta vez na Terra, não sabemos se vamos ao céu, ou ao fundo da Terra, onde moram o magma, figuras contorcidas que nos sugam o mal para lá da “força”, para lá do que conseguimos suportar, é por isso que estamos na Terra, ela consegue  sugar-nos o mal. É o caso dos nossos amigos Ioni, chamam-se assim não sabemos porquê, moram no fundo da Terra, nas primeiras camadas de cima, quando começamos a perfurar a terra da Terra, e o mar também… é o que está abaixo… acaso já nos perguntamos o que acontece por de baixo da areia que está no fundo do mar? Achamos que é só areia e depois há uma esfera e o mundo acaba aí? Ora, façam-me um favor.

Na Terra, no centro, por dentro dela e nas camadas de cima, temos os Ioni, são enrugados, encurvados e escuros, não são necessariamente seres evoluídos, mas em evolução como nós… limpam-nos o mal… recebem o pior de nós e levam, transportam a sujidade para o magma da Terra, onde tudo arde. Isto, claro, se não soubermos falar com o pessoal de cima… acima tudo se resolve também, “assim na Terra como no Céu”, mas, como nós não sabemos ir lá acima, designaram-se estes seres, entre outros, a quem e com quem haveremos de falar – está aqui um farto de espreitar a narrativa e a mente a querer falar, mas, por agora, ainda não achamos oportuno… ou será que achamos?

Os humanos não sabem nada. Não nos respeitam, não sabem que não é por estarmos abaixo da Terra, mas dentro dela, que somos menos importantes… poluem o nosso ar com lixo, com químicos e adubos e coisas que nos fazem ficar assim. Assim, quer este Ioni dizer, enrugados, curvados, com a coluna dobrada, quase totalmente em arco, os elos quase lhes rasgam o centro das costas, de tão curvadas que estão. Têm rugas muito profundas nos braços, que parecem garras, são castanhos, mas têm um olhar doce, verde, a pedir complacência – são belos à maneira deles, mesmo que não saibam. Também eles se têm de salvar. Passarão para a Terra depois, como nós… sim, nós já estivemos Ionis… não somos, estamos. Ser é essência, já dissemos aqui… a essência camufla-se em corpos para trazer lições aos espaços, que são parte de uma Consciência, mas ela não se confunde com a matéria corpórea que a acolhe. Os Ionis não sabem disto. São vitimizados, culpam os outros por tudo, não pensam que poderiam abrir-se ao rasgo da criação e criar proteções de Luz, que podem ligar diretamente o fim (fundo) da Terra com o magma que está no centro. Se meditassem e pedissem inspiração ao criador, já teriam recebido instruções, mas os Ionis acham que são animais… quando veem Clipsera, por exemplo, acham-na uma entidade superior, não entendem muito bem quem ela é, pois que os humanos não costumam ir lá… não entendem muito bem como é que ela é capaz de passar para o lado deles e de falar com eles… mas ela afaga-lhes o frontal e tudo passa. Às vezes, Clipsera ajuda-os a limpar o fundo da Terra… dá-lhes as suas raízes vermelhas, é que Clipsera às vezes transforma-se em árvore, para que escoem mais depressa o lixo acumulado. É uma espécie de reiki à Terra através das raízes, porque aqui as mãos valem pouco e dificilmente aguentariam o calor do magma, fogo que tudo destrói.

Os Ionis têm uma civilização mais ou menos como a nossa, mais hierarquizada, mais robusta no que concerne o poder e a força físicos, é por isso que estão em evolução… ainda assim, quando Clipsera lhes afaga a cabeça, tornam-se dóceis e confiam. Como estão num estado mais puro, são mais sensíveis à energia, conseguem ler muito melhor do que nós se alguém os quer atacar ou não. E, abaixo da Terra, o princípio que rege é o mesmo, o do espelho (a propósito do espelho, Narciso quer saltar de uma caixa de música, não sabemos se é uma caixa de música ou um relógio, um relógio de cuco, com mola… Narciso está a chamar a nossa atenção. Também o encontramos, às vezes, abaixo da terra, mais perto dos lagos e dos jardins, porque Narciso está prestes a despertar – despertar para encarnar de novo na Terra ou meramente ficar como mito na plataforma das ideias, tudo depende dele e da confiança dele na ajuda das hierarquias de cima. É, por isso que, tal como nós, demora a subir… Narciso não aceita que a sua ascensão é da sua responsabilidade).

Retomando os espelhos, assim, os Ionis passam a vida a “ver” outros Ionis e outras criaturas do fundo da Terra a quererem atacá-los, porque a própria mente deles os ataca e, como se atacam a eles próprios, projetam no outro a ilusão da mente, que faz ressonância com a outra mente, que acha que é separada, mas que, por ser una, só pode reconhecer o que é do “outro”, se o que vê no “outro”

estiver em si. Não sabemos quando isto acabará, mas sabemos que vai acabar em Amor e todos eles são capazes de amar, pois Clip ama-os e eles servem-na com humildade, acham, às vezes, que ela é uma deusa… ela ri-se, diz-lhe que é igual a eles e os Ionis riem-se, enquanto chupam a terra e a sujidade dos dedos. Clip diz-lhes que isso lhes faz mal, mas eles riem-se e dizem que “se fizesse mal, não sabia bem. No fundo, são como nós quanto ao chocalate ou a outro qualquer alimento que nos faça mal… sentimos, algo nos diz que não é benéfico, mas cedemos ao desejo. É isso que acontece com os Ionis. O problema é que os Ionis acham que não há nada para além da mente do desejo… ou, se há, não acreditam que lhe possam chegar. É por isso que, às vezes, não sabem se Clipsera é real. Mas, ao contrário do que acontece na Terra, eles conseguem vê-la, porque, como o reino de Ioni, e outros que ainda há abaixo dele, é muito bárbaro, Deon concedeu que vissem mais do que nós, porque há aqui criaturas muito traiçoeiras. No fundo, os Ionis sabem que há algo divino (embora não falem sobre isso), mas acham que nunca vão lá chegar, porque se sentem “condenados”, e estão, de facto, condenados à ilusão do ódio, da raiva, do ataque, da separação do outro. No fundo, vivem no limiar do egoísmo. Não há ética, nem amor à sabedoria… ainda assim, há coração, pois que amam Clipsera, quando ela os ama. E Clipsera gosta bem deles, visita-os todos os dias nas suas limpezas de espaços. Ainda não aqui dissemos, e vamos trocar a ordem, porque o narrador mandou e Clipsera ainda não sabe que é grande para não ter de justificar o seu modo de escrever, que Clipsera é feiticeira na Terra e aprendiz de bênçãos no Céu. (…)

Mas ainda não explicamos o que aconteceu na Terra e no espelho. Deixamos os Ionis, porque tivemos de subir e falta aqui contar sobre o espelho… Clipsera, feiticeira, já sabemos, viu-se ao espelho hoje e descobriu quem não era… o rosto desfez-se e vinham-lhe lágrimas, só lágrimas se reconheciam na imagem impressionista e vaporizada de quem sai do banho e se vê ao espelho… Clipsera, viu, um ano, outra vez, depois, que não era o corpo e que algo maior lhe havia, que chorava, lhe gritava por dentro. Clipsera até saiu da frente do espelho, pois tamanha era a dor que achou que pudesse projetar para si… tontinha, ainda não sabe que sombras e reflexos não podem projetar, têm ainda menos poder criativo do que a mente humana (se não nenhum, pois só podem “criar” – criar no sentido humano que significa iludir – o que a nossa mente cria a partir delas, no fundo, ganham significado através da interpretação e do sentido que a nossa mente lhes dá), que projeta e mesmo que ilusoriamente crie, tudo o que “cria” se desfaz. E dizemos “outra vez”, pois Clipsera viu há um ano quem era, mas distraiu-se com Calipso e não quis saber do Eu. Dedicou-se ao não-eu, tão bem descrito em Mahabharataa, Bhagavad Gita, que é um lugar – haveremos de esclarecer, porque músicas são lugares –, depois trabalhado por Parménides, copiado por Platão e vomitado por tantos outros que se lhes seguiram sem coragem de dizer que o não-eu, a aparência, corresponde ao eu criado, ao ego, ao eu que a sociedade representa… e não o fizeram, talvez, porque dizer que este eu não existe trará novas contas à economia, novos sistemas ou a erradicação de sistemas na política, e os humanos são avessos a mudanças na Terra… têm medo de perder poder; não sabem que não perdem nada, porque nada, de facto, algum dia, foi seu. Não sabem que meramente lhes seria pedido que se despedissem das ilusões, para entrarem no mundo da Verdade, que Cria perenemente, a partir do gerador criativo, que é a fábrica que temos no coração. Não sabem e nós também não vamos dizer-lhes como, pois estamos cansados, não tanto, mas a nossa escriba precisa de se retirar, ou quer… lá sabemos. Não gostamos de textos a borbulhar na língua de Clip, é por isso que a deixamos ir.

 

 

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