Incba e Estórias de Supermercado com Índios

VIII

Clipsera não demorou muito a desleixar-se novamente, mas isto é ela que pensa. Foram mais de 30 dias, 37 dias para sermos exatos sem voltar às viagens nem à escrita. A Clipsera muito custa este ato de escrever não o que lhe apetece, mas o que tem de ser escrito. Estamos muito felizes de ter novamente Clipsera connosco. É caso raro, por isso, vamos ter de aproveitar. Pois, bem assim, Clipsera conheceu um índio, um índio… não se sabe bem quem é, acaso de uma outra vida talvez, mas está sempre nela. A Clipsera este índio acompanha até na ida ao shopping. Não podemos deixar de contar que, aquando da última visita ao shopping, ao hipermercado queremos dizer, Incba, o índio de Clipsera, que não é nada dela, mas já a foi, esteve com ela… Incba ficou e está incumbido de ensinar Clipsera a ser feiticeira, a fazer coisas, bruxarias, eu diria…

(…)

Que importam as palavras, Clipsera? Tu própria lhes queres chamar Amazonas livres, porque é assim que as ouves e já a vês… essa velha com cara de árvore… faz lembrar a árvore de Pocahontas. E assim é. Não precisamos, na verdade, de palavras, porque basta invocarmos a imagem ou a sensação mental das coisas… as palavras mentem três vezes, já sabemos. Mas dizíamos que este índio foi longe demais (interrompemos aqui para dizer que Clipsera indaga se vai publicar este texto… acusar-lhe-iam de plágio, de feitiçaria, de possessão de escritores, de ser possuída por escritores? O que o narrador lhe diz é que isso é esquisitice do ego e do mundo dos vivos, dos que estão mortos, mas que não sabem quão mortos estão… várias pessoas agora, capazes de a julgar, passam na mente de Clipsera, mas temos de continuar. Incba está à espera, quer ser a personagem principal agora, Clipsera concorda, ele acena que sim). Queríamos dizer que Incba, ao dizer a Clipsera o que queria, foi longe, muito longe… Dizíamos ali acima, e não terminámos, que as Mulheres Livres do Amazonas gostam de chocolate preto e acaso não soubéssemos, ainda ia lá estar outro mestre, não Incba, mas um índio mais velho, de respeitada casta, não confundir com as castas dos indianos, que gostava de amêndoas… Pois, assim, Clipsera foi comprar chocolate negro, mas não um qualquer… Toblerone…Ai, foda-se, É Clipsera quem diz. Este pessoal trata-se bem. Toblerone? Are you awared que isto custa €2,02? €2,02? Ele acena que sim e dá-lhe uma alternativa, mesmo abaixo, o Jubileu, 85% de cacau… €2,02, as well… Ai! estão a brincar comigo, só pode… Clipsera é muito agressiva, já sabemos. Não é uma espiritual típica de bata branca que só diz amor e rosas… Clipsera é bem mal-educada e adora, no íntimo adora, cá fora finge que não.

(…)

Aos poucos Clipsera encontrava a sua nova vida, a de sempre, a de agora, pelo menos, a que vinha resgatar… a dos índios negros, ou meio negros, morenos, duros, loucos e fortes, da Amazónia… o gosto por traços fortes, por corpos robustos, a maquilhagem verde e marcada, a necessidade quase obsessiva de estar morena, o amor ao som dos tambores, da terra, o cheiro do café em grão, as cachoeiras, tudo demasiado evidente agora.

(…)

Então, é assim, Saramago da mente, vou contar-te. Platão já vem a descer. Jesus detém-no. Vamos deixar Clipsera falar. Vem uma mulher, um anjo com uma lira, Gabriel será? Talvez seja. Clipsera precisa de beber água, não fala, mas escreve e a garganta no corpo ressente-se também.

            Se tudo é Um e se eu abdico de ser separada, eu passo a usufruir de toda a força do Uno. Há dias, um cliente esteve cá e disse-me… “Olha, percebo isso tudo, mas custa-me entender como posso ser só mero pião do divino aqui na Terra, custa-me entender… não sei se é ego, mas custa”. O que as pessoas não sabem é que tudo aquilo que custa é ego. Porque só ao ego pode custar alguma coisa, à alma não custa nada, porque ela sabe o que tem de fazer, sabe o certo e partilha da Vontade do divino, Deus, Pai, já sabemos. A isto, eu disse-lhe… Antes que comecem os espertos a irem ao dicionário confrontar “peão” com “pião”, vamos dizer que é “pião”, o brinquedo… A Clipsera não sobra mais paciência para pessoas inteligentes na Terra, muito menos para os linguistas. Valha-nos Nossa Senhora, que não deu paciência a Clipsera que, com culpa, ela não desmente, se dá a julgamentos e é também aquela a quem apetece mandar tudo para o caralho. Estou farta de pessoas inteligentes. É Clipsera quem diz, foi Fernando Pessoa que disse pela primeira vez, que se conheça. E Clipsera concorda. Esse ainda não apareceu. Não que Clipsera não goste dele, eles dão-se demasiado bem, na verdade, não dá conflito, não dá história, pois que eu sou o narrador e sei do que falo, quando narro, quando me ponho a contar. É por isso que ele ainda não veio.

                        “A questão é que tu não és pião, não és súbdito, se aceitares seguir a vontade de Deus… pelo contrário, és livre, e feliz, porque a vontade de Deus, que tu partilhas, é que sejas feliz. Deus só Dá verdadeiramente, diz Jesus em Um Curso em Milagres. O que acontece é que é o ego que te vê como pião do divino, e, pior, é ele que te usa como pião. Vamos perceber que é o ego que te quer escravizar, ele tem tempo de validade, ele vai terminar como todas as ilusões, então ele quer imortalizar-se no prazer do agora, no prazer da esfera física, no prazer de tudo o que acaba, porque só aí ele pode existir, na ilusão… então, tu só és pião, se aceitas viver conforme a vontade dele, o desejo volátil dele de fazer de ti o que tu não és, objeto fraco, fora do divino, vulnerável e vulnerabilizado nas expressões do agora, do agora humano, do «carpe diem» deslavado humano… é aí que tu és pião… quando queres um carro que não é para ti, um romance que não é para ti, uma profissão que não é para ti… repara que Deus, ao contrário do ego, te diz… “Vai, meu filho, és livre”… o que nós ainda não percebemos é que queremos ser livres para sermos infelizes, é que usamos o nosso livre-arbítrio para sermos infelizes e, Deus, pai benevolente que é, diz, só pode dizer, “Seja feita a tua vontade”, pois que ele não é déspota como nós, enquanto ego, se fossemos o ego… a ilusão tem de acabar, vai acabar, mas por vontade nossa, porque eu digo ao ego, “Olha, da tua maneira não funcionou, vou fazer como a de cima”. O ego enfurece-se, teme, tenta… mas acaba. (…)

(…)

É, porque tem prazer ao Ser e não pode deixar de ser o que é… aí é forte, absoluto, invencível e indeterminado, porque indeterminável, ele pode ser tudo o que o Super Computador quiser que ele Seja… ele meramente flui, como parte do ecossistema, desse Super Computador Gigante… acho que é claro que a vida deste pequeno e mero computador de esquina se tornou muito mais interessante e avulta, do que quando era separado, tentando parecer capacidades que não era ou não tinha, porque, separado, ele só quer ser melhor do que os outros, ele só se quer destacar, por medo de não ser escolhido ou de ser preterido… quando ele se une ao Super Computador, sabe que  não tem porque querer destacar-se, porque não há nada para querer diferenciar, mostrar mais, ele já é o Todo, ele já é infindável e ilimitado. Ele já é o Tudo, como querer parecer menos do que o que é, uma parte separada, mais fraca do que o Tudo? É indecente, parvo, delusório… It’s ilusive, é Lianne La Havas que está a dizer.

A música está aqui.

Para receberes o restante deste capítulo e desta obra, contacta-me via e-mail (marciaaires.crestina@gmail.com) ou através da janela de chat do site ou ainda via messenger do “Elas do Avesso”. O Clipsera está à venda, em formato digital, pelo valor incrível (pelos conhecimentos que te traz) de 10 euros e inclui a oferta dos próximos 5 capítulos! Vais mesmo querer perder esta história? Nós também não. Deixamos-te o NIB abaixo para transferência do valor (€10). Basta enviares comprovativo para um dos contactos acima mencionados ou ainda para o whatsapp (+351915628413). Boas leituras e sê muito feliz, Caboclo(a)!

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Com amor,

Márcia e Elas do Avesso todas. <3

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Márcia Aires Augusto, autora (mas só por agora)

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