O Verão e Uma Voz Abafada na Rádio

O som vem diferente no verão, abafado, por debaixo do rádio. Parece que se funde com o ar. É bonito o Verão. Para mim, a estação mais bonita do mundo.

Arranha o ar. Promete coisas. O som do Verão. E é também um carro que passa. Um gato que se atravessa no caminho do passeio. O Verão é poesia nos olhos. É para isso que serve o Verão. Lavar a mágoa do inverno dos olhos. Os carros prometem sexo e amor e tudo o que lhes apetece no Verão. No Verão não preciso de ir a lado nenhum. Basta-me ficar a ver, a olhar o Verão.

Se eu pudesse, eu era como o Verão. Prometia coisas por baixo do ar rouco. O Verão é rouquidão na voz e som aberto também. O Verão é o que nos apetecer.

É acordeão e órgão barato. É indie na coluna. Tatoué camuflado na voz. A voz é diferente na rádio, no Verão. Sai dos cafés e fica nas ruas.

Se eu pudesse, se é que eu não posso, eu seria como o Verão, ou serei como o Verão, porque posso.

Mas mesmo para haver calor na voz, houve caminho sem som no início.

E assim é com a vida. Vazio para receber. Semente para dar. Sou como o Verão. Mesmo quando não sou.

E mesmo as rodas de automóvel podem poesia no Verão. O som do motor é uma poesia em movimento, inacabada.

O som da voz entrelaça-se nas rodas e é tudo tão bonito. O som da rádio nas rodas do automóvel. O cheiro indefinível e das rosas inventadas também. Argila nos olhos, língua enrugada no Verão. E sorriso também.

Se me perguntassem… ser livre no Verão. O que eu sou é um não-fazer sentido. E eu gosto de ser assim. De aliterações em S, de vozes na esplanada por cima do som abafado da rádio, apanhado à socapa do ar. Se eu pudesse, se é que eu não posso, eu era livre, se é que eu não sou. A poesia não acaba nos ouvidos do ar. E até o bip da bomba é uma grande poesia no ar.

Escrevo no telemóvel. As mensagens mais bonitas continuam a ser as minhas. O ar descompressiona nas bombas. E até isso, o som da rádio, os 80 da rádio abafada, a espera de um jantar adiado, tudo isso pode ser poesia. Não vens? Não posso. Tenho de acabar este poema. Foi por isso que demoraste.

#ElasDoAvesso

#TardesDeVerão e #FimDaTarde

Márcia Aires Augusto

 

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Com amor,

Márcia e Elas do Avesso todas. <3

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“Diz-me coisas bonitas” (Sara Tavares) e Sons abafados ao ouvido (Márcia Augusto)

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