Quando me iluminar

Quando me iluminar, passarei a ver a luz dos “outros” além das “falhas”, além do que a sociedade disse, decretou com um machado na mão, que era uma falha.

Vi um jornalista a apresentar uma estátua. A estátua de D. Sebastião, moderna, de um escultor chamado João Cutileiro. Algo me chamou a atenção nele, no jornalista. Primeiro quis desculpá-lo, o ego quis. Vamos reparar na condescendência. Des de isentar, livrar, salvar da culpa que ele não tem – e que não existe… achando que seria historiador, um crítico de arte… sendo jornalista, não podia ser gago. Era gago. Mas, em vez da gaguez, dei por mim a vê-lo nos olhos, a ir além da gaguez, da barriga, do corpo, a honrar o que ele tinha atingido, a sentir o quão difícil e honrado, meritório, terá sido gravar ao lado daquela estátua, no meio da rua, para uma câmara à frente (e isto é também uma história, porque, no fundo, só lhe quis ver grandeza. É isso que veremos nos “outros”, quando nos iluminarmos, a grandeza, além da fúria, do erro, do engano sobre si próprios – o medo é só um papão inventado, que faz as crianças se esconderem por debaixo dos lençóis, esconder a beleza e a força que elas são. Mas, ao olharem por debaixo da cama, não está lá nada, não há lá nada. O medo é isso. O nosso trabalho é ver o outro além do erro. O irmão nunca perdido, agora lembrado.

Vi-o além do corpo, além da história que o eu social conta. E gostei. Gostei de ver que via ali uma pessoa. Sem filtros. Que esta era eu, una com o todo, a sentir o outro como meu. A isentá-lo da história magoada, ou heroicizada, que o ego conta. Era ele, um ser de Deus a contar uma história sobre uma estátua. Afinal, a iluminação não tem nada de extraordinário, é só mesmo retirar o “extra” e ser tão ordinário quanto se nasceu, sem filtro, sem roupa, só com a pele, lembrando-se sempre de não ser a pele (antes da conceção, éramos outra coisa qualquer que não o corpo, já ninguém acredita que nasceu na barriga da mãe, certo?), de se comportar como sem pele, porque a pele parece que separa. Mas só parece. Somos Um.

Márcia Augusto

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