He said “Viva La Revolución”

Recuarei e permitirei que ele me mostre o caminho, pois quero caminhar ao longo da estrada que conduz até Ele. Que este texto seja de Deus para Deus. Em nenhum momento eu tenha por pretensão outra coisa que não escrever.

He said, Go write something. I came.

Vim escrever, quando me era igual escrever ou não escrever. Um dia acreditei que se escreve na ânsia, mas estava enganada, como em tudo na minha vida até agora. Enganei-me. Escreve-se Verdade, quando não se precisa de escrever. Quem precisa é escravo e eu não posso ser escrava de uma ferramenta. Escreve-se, quando o último reduto é escrever. Quando nada mais há para além da Suprema resposta à necessidade do mundo de que algo se escreva. Mas essa necessidade não pode ser minha, pois, se é, desviou-se para sempre do fim e o meio ficou cortado num caminho sem saída. É assim a necessidade do ego.

Parei, porque me doía estar parada. É bom enfrentar os vazios, ver o que o Nada nos quer ensinar. Parei, quando já só procurava por que fazer… quem quer fazer e porque precisa fazer?Acaso sou imperfeita e preciso? Não, estou certa de que não.

Estar no mundo implica só uma forma de estar no mundo… não o querer para nada. Nem a escrita. Só assim a Arte pode ser polida, ao serviço de Deus… quando o eu se desprende de necessidades vãs, que não existem… quando já só há uma ânsia calma que responde. Uma ânsia que não espera. É quando o peito se esvazia de dor e já não precisa do mundo, só aí a arte pode ser arte, porque serve um propósito maior, talvez eu ainda não saiba fazer isso, mas há algo em mim que o sabe fazer muito bem, por isso, deixemos as coisas para Ele.

Assim, sentei-me, desisti. Desisti de procurar, desisti até de ser feliz, a cereja no topo do bolo de qualquer ser humano. Desisti. Abdiquei. É disso que se trata Ser. Abdicar. Abdicar do mundo. Seja lá o que for que ele nos promete. Só assim se pode ser livre. Largar. E não é que resultou? Soltar foi a atitude mais radical da minha vida… soltar o apego – não o amor, o amor é outra história e, por isso, sem estória, ama sem forma – aos pais, aos gatos, às janelas, ao corpo, à integridade… à vida. Ser livre é um exercício de queda livre, é a atividade radical por que tive a mais nobre possibilidade de passar… ser livre é ser livre até da necessidade de ser livre. E de ser feliz, já mencionei. Todos temos direito a sermos felizes. Quem disse? Ser livre implica pôr isso em jogo também… só porque imaginar que não se é livre ou que não se é feliz nos deixa livres na mesma para sermos quem somos. Isso está acima de qualquer expectativa, qualquer necessidade, qualquer buon viaggio.

(Às vezes, não sou tão livre quanto gostaria… mas quem gostaria e quem não é livre? Ele é e, depois de Ele ser, depois da tomada de Consciência que Ele é, quem não é no rés-de-chão, muito no rés-de-baixo da vida, ganha uma outra dimensão, talvez para não ganhar dimensão nenhuma, para se desistir da dimensão dele… porque quem ele é só nos prende… só nos dá a ilusão de estarmos presos. Percebi que em mim há dois. Um não é real, o outro é. Ouvia muitas vezes e tinha um certo fascínio pelo registo diarístico entre dois eus dentro de um corpo. Enganava-me. Nenhum deles está no corpo, nem tão-pouco há dois. Parece, mas não há. Só parece. E com aparências podemos nós bem. Afinal, basta descobrirmo-las, retirá-las do pedestal de ser para as devolver ao nada que são e tudo fica claro de novo. Não quero tornar este texto ocultista, oculta é a mente. E ela é um ogre à espera de ser descoberto. Sempre me fascinaram os poemas do Adamastor, do Mostrengo, mas, mais ainda, o do Encoberto. O fascínio é isso, reside até descobrirmos o quê que fascina… é por isso que tudo o que fascina engana… cativa, chama, mas parece, só parece… do latim fascinare, que significa aquilo que engana enquanto oculta, só oculta, faz de conta que é… estes poemas atraíam-me para o que podia ser a Verdade… ).

Hoje, sei que a Verdade precisa de estar sozinha connosco, esvaziados de nós próprios, seja lá o que próprio significa. A Verdade que está, que permanece inviolável e independente do ladrar do cão, da mãe, das chaves de casa e os gatos que passeiam, como se de cordas de pensamentos se tratassem, se é que não é isso mesmo que eles fazem… fingirem-se de formas para se passearem por cordas de projeção que os sustentam. Não quero ser ocultista. Só quero dizer que para se achar a Verdade, se é que ela se encontra, precisamos de desistir de nós próprios, a jóia do Nilo, o anticristo, se é que ele admite que haja um anti. Em sonhos, talvez. Mas mesmo no sonho, há algo que lhe vem destronar o anti para deixar a raiz da palavra viver sem afixos. Ele, como Ele é, sempre foi, sempre virá para Ser.

Não, ela não se encontra, porque ela somos nós, Cristos encobertos por lágrimas que não existem, passadas, totalmente passadas, e, por isso, nunca existentes. O passado nunca existiu. Milénios para aprender que o passado é ficção pictórica inventada por olhos que não veem, de corpo que vende matéria que não sente. O passado não existe. Gritaram-me sereias e pescadores também. Santos e Santas. Até que Ele veio e me contou, Márcia, seja lá como te chamas nesta vida, isso não existe. Drop it. Deita fora o que sonhaste e deixa-me substituir o teu sonho por verdades felizes, por verdades que parecem e te vão levar ao Uno. Deixa-me. Solta-te. Morre para ti por dentro. Morre. Renasce em mim. Vive em mim, porque eu sou a Ressurreição e a Vida. Morre para viveres em mim.

Talvez, a ressurreição, a morte e a vida, nunca tenham sido tão mal-entendidas, mas Ele vai explicar. Morte é figuração, figurino títere do ego. Nada existiu, nada será, nada foi. Se queres viver, morre de ti primeiro, esvazia-te. Deita fora tudo o que julgaste que o mundo fosse, tudo o que sonhaste que amavas e nunca amaste, solta. Isso não é amor. Isso é um desejo de morte. Solta para que eu possa ser teu de novo, herói desolado, soltado nas ilhas sem igual, nas ilhas sem lugar onde o mar nunca existiu. Solta-te em mim. Desiste de mim, até, para que eu possa viver em ti. Agora e para sempre. Se o tempo acaso existisse.

Esperei por este momento para que pudesse escrever em teu nome e dizer-te quem tu és, tu és estrela sem ser estrela antes de Abraham, tu és cenário sem gato, sem forma, sem estratagema, sem nada que o teu mórbido títere inventou. Morre de ti, morre de mim, de quem julgaste que eu sou, para eu possa Viver. Ocupa-te se vais publicar isto, publicarás o que eu disser, pois essa é a vontade do Pai. E nada, nada será como antes, nem tu serás a mesma, pois tu nunca foste quem és. Morre, morre agora de ti. Agora que eu posso Ser em ti. Agora que eu tenho espaço para Ser em ti, morre. Dá-me o teu corpo. Eu dou-te a ressurreição e a Vida. A vida que tu ainda não sabes viver, a vida que tu ainda não sabes quem é. Morre de ti. Morre agora.

Perguntei “como?”, Ele respondeu:

Márcia, seja lá quem ela for.

Livros para encomenda:

“Elas do Avesso” – Vol I – 14€

“Elas do Avesso” Vol I + Vol II – 20€

“Cartas de Amor a J” +  “Inevitavelmente Poesia”: 7€

“Elas do Avesso” Livro

Aulas e Explicações (Português, Filosofia e Inglês): 20€/h
Palestras e Conferências – Filosofia e Um Curso em Milagres – Preço sob consulta
Consultas e Aconselhamento Individual: 50€

NIB para compras e doações

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NIB 001800031689512002033

Obrigada,

Elas do Avesso

 

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