God, Veteranorum

“A ilusãode uma continuidade ininterrupta do sujeito, deduzida do simples conceito do euidêntico, pois esse conceito gira sempre sobre si mesmo” (Kant, Crítica daRazão Pura)


Kant, Crítica da Razão Pura

O que assusta mais um ego? Tu não existes, não sabes se o mundo existe, e, na ilusão de existir, o que fazer nele. É por isso que precisas de um Guia – mente superior, a que só se chega limpando a inferior, escravidão dos sentidos. “Por tudo vais ter de passar [o que não é] até chegar ao que é” (não é – doxa, opinião, aparência, personalidade-corpo, eu separado; o que é – epistheme Verdade, ingénito, incriado, infinito) . Parménides, «O Proémio».

E, se não há “eu”, o que dizer do mundo “real” e “externo”?

“Na relação da perceção à sua causa mantém, porém, sempre duvido, se a causa é interna ou externa: se, portanto, todas as chamadas perceções exteriores não passam de mero jogo do nosso sentido interno ou se reportam a objetos reais (…)” Kant, Crítica da Razão Pura

Kant, Crítica da Razão Pura

Na dúvida, Eles mostram-te mais. Há uma parte de UCEM muito, muito contestada. Não há mundo. Na dúvida, Eles mostram o mesmo em Kant, quando nos diz que não há prova de um eu continuado. Quem é este eu continuado? O ego, o autoconceito. Jesus diz: ou bem que tu és um Ser permanente, ou bem que és o ser que tu fizeste, falso e com estados transitórios (ego, diabo, ilusão… mente que acha que é uma pessoa). Ficção. Ora, se não há pessoa, também não há mundo, visto que o mundo existe a partir da perceção dos “separados”. Eduardo Lourenço, a propósito de Camus, fala de um universo farisaico, posterior ao uno, ao verdadeiro (posto que se há um universo impostor, tem de haver um verdadeiro). Camus também o coloca, mas não o admite. Esse universo farisaico ocorre após uma queda, mas, se é queda, onde estávamos nós antes?
(E se não há corpo, nem espaço, o que caiu afinal? Será que caiu ouacreditamos que caiu por uma crença na separação que levou à configuraçãomental de espaço e de tempo?) Quem mais fala em queda? Parménides a propósito da formação dos corpos, Platão faz o mesmo em Timeu (Jesus também a invoca e fala da matéria como segunda parte do sonho, a primeira é a ilusão de uma vontade separada, seguida de culpa por pecado consumado – impossível, porque o Filho de Deus é inocente e não pode ter uma vontade à parte do Pai, porque dentro dele, meramente sonha, o Pai acordado sabe que nada aconteceu Somos como que crianças a serem acordados no meio da noite – escuridão – pelo Pai. O sonho ganha densidade, graças à crença, e gera a tridimensionalidade, corpos, que, analisados se decompõem no nada que ocupam no espaço, que é nada. Não confundir com niilismo)


E sobre a Verdade? Ela existe mesmo? E, se existe, pode o humano “contê-la” em ditos ou regras de homens para outros homens – religião e política?

Heterodoxia, Eduardo Lourenço

«Se em algum espaço que não é espaço, somos livres é nesse que a Verdade não-definida” define». Eduardo Lourenço, Heterodoxia II

Verdade, sem limites, como o próprio Deus, ilimitado, sem fronteiras, sem predicados possíveis, pois predicar seria restringir. Deus não pode ser restringido (por características) nem precisa de ser acrescentado (pois isso significaria que lhe faltaria alguma coisa). É neste Deus que nascemos, de Onde nunca saímos, pois o uno não se separa, isso seria negar Deus, Onde a Consciência desperta, acorda, se (re)reconhece.


Homens, porque precisais de uma Religião se vós estais para sempre (acaso o tempo existisse) ligados?

“A pior de todas as “religiões” é a religião do Homem, que é sempre a de um só homem, pois mesmo falsa, a exigência de unidade nem por isso subsiste menos”. Eduardo Lourenço, Heterodoxia II

Heterodoxia II, Eduardo Lourenço

A religião em si não é nada, mas o seu uso, à maneira humana, mata a Verdade que lhe subjaz. Quando Nietzsche diz que Deus está morto, ele diz que matamos a verdade para que o pseudo humano viva em nós. O que é a Verdade senão aquilo que liberta? E o que pode ser religião enquanto liberdade regulamentada? No meu percurso, fiz, e farei, muitas “asneiras”, mas em nenhum momento a Verdade me exigiu penitência. Meramente, o Espírito me mostrou que eu estava enganada e, com isso, me salvou da ilusão da culpa. Este foi e é o ensinamento que recebo de Jesus e de UCEM, mas espero, e quero trabalhar nesse sentido, que isso nunca se torne religião. A Verdade liberta e nunca condena.

Os Livros da Semana: «Heterodoxia II», «Só Avança Quem Descansa» e «Filosofia do Budismo Zen»

“Só a minha própria condenação me fere; O Perdão liberta, o julgamento condena” in Um Curso Em Milagres

Elas do Avesso e Borboletar Fusion – Palestra de Um Curso Em Milagres

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Márcia Aires Augusto

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