Ó Deus! Do dogmatismo sem prova.

Sobre o vídeo abaixo, do minuto 53 em diante (vale ver a palestra toda, eu não vi, mas vale para quem quer ver).

É exatamente isto! Há uns tempos atrás falávamos sobre isto… na Idade Média, a Religião ditava o que se podia dizer ou pensar. Hoje, a Ciência dita o que se pode dizer ou pensar. Acreditas em Deus? Tiveste uma experiência que os sentidos nao podem explicar? Uma menina disse umas palavras (de “Um Curso Em Milagres”) e viu o avô (que já morreu) a falar com ela? Nao pode, a Ciência não provou, é mentira. Cortem-lhe a cabeça, está louca, acabem com ela… Inquisição moral levada a cabo nas redes sociais, no trabalho, nas ruas… Isto não vos lembra nada? A mim lembra-me os livros da História Medieval, só que estamos a passar por ela novamente. Agora, a Religião é a Ciência que diz que quem encontrou caminhos diferentes, que a Ciência nao pode explicar, é mentiroso, está louco… Cortem-lhe a cabeça.

De quem é este mundo? De Deus ou palco encenado do ego para nos afastar da Verdade intuitiva? Todos os caminhos que ascendem no mundo querem uma coisa: que deixes de pensar por ti, que deixes de ser livre para questionar “O que faco aqui?”, “Serei livre?”, “Quem me causou? eu a mim mesmo? E se nao me causei a mim mesmo, quem causou? Os meus pais? E aos meus pais? Ah e tal… a Terra, a Natureza… e quem as causou? O Big Bang… E Quem causou? a Natureza… e Quem é a Natureza? Nao é nada. E que nada é Este Que Causa?”. Fica a Dica. Vale pensar por Ti, hoje? Vale não viver pelos cânones? A verdade é que a escola, como a conheces hoje, fez de ti um completo anormal. Eu, em filosofia, podia declamar Kant, desde que não o percebesse… Podia dizer Parménides, desde que não atentasse contra o que estava escrito nos manuais… se visse mais do que estava nos manuais, deveria procurar autores PHD que concordassem comigo… Foi por isso que deixei o mundo… eu queria conhecê-lo, mas ele nao me deixava conhecê-lo. Na faculdade, ouvi um professor, dos mais sábios e também dos considerados mais ralé pela classe, que “Descartes perdia o mundo para o ganhar de volta”. Os alunos diziam que não percebiam Descartes com ele, porque ele não percebia Descartes pelos livros (falava de coisas como “Viver pela Graça ou é a Graça que dá a Vida” (os autómatos, quero dizer, os alunos, olhavam em voltam e sorriam na sua ignorância, tão berrante quanto arrogante.

Hoje, aprendi que para conhecer o mundo, tenho de o perder, tenho de o esvaziar de significado para que o Significado se Revele, sem o lixo que eu impus às coisas (julgamento). Na Grécia Antiga, também falavam da suspensão do juízo, “epoché”, se quisermos ser chiques, mas isso eram os gregos, eram ignorantes, eram antigos, coitados… aliás, faziam mapas dos astros sem nunca terem ido a lua… cambada de burros…

Hoje, no livro metafísico mais incrivel que já li, porque junta isto tudo, encontro a primeira lição: Isto nao significa nada. Reis disse-o, Pessoa arriscou-o em Bernardo Soares, Kant, por meio de uma dialética que só quem o percebeu com o coracao – significa sem medo – entendeu, também o disse – num sonho, ele apareceu-me em forma de nuvem com óculos no nariz e disse-me: “não te preocupes, aquilo é básico, só que está em linguagem complicada”…

Hoje, junto tudo e todos, absolutamente todos, fazem sentido. Já a Ciência… não a Ciência, mas os que falam em seu nome… a forma como a encaram, porque não há problema nenhum com a Ciência, a não ser o facto de ela, por meio de quem a pratica, ter sido proclamada como Deus, sendo apenas uma extensão Dele mesmo (não vale pensar em Deus como humano). Como numa harpa, diz o professor do vídeo, há muito mais cordas por tocar. Tocamos uma corda de 7 e já achamos que sabemos tocar harpa.

Nota: Tal como na Religião, o problema nunca foi Deus, mas os que se achavam incumbidos de falar Dele na Terra, a Ciência, enquanto Conhecimento, não representa nenhum problema. É só mais uma extensão da Verdade, de caminho para plasmar a Verdade… o problema está na fé cega de quem se acha incumbido da missão de a plasmar na Terra, tornam-se os padres (cientistas) do século XX e quem os segue, os fiéis (entusiastas e cegos, porque dogmáticos- só o que está lá e interpretado segundo os cientistas é que é verdade), na própria Inquisição (que nunca foi mais do que a perseguição do pensamento livre).

Ó Deus, dá-nos humildade para te cantar, inteligência para te perceber e coração lavado para te amar. Ó Deus.

Elas do Avesso

Márcia Aires Augusto

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