Musa Canta, morra ego sum

Dá-me ser o Cristo
Morra márcia, morra ego sum.
Que outro valor mais alto se alevanta.
Dá-me desfazer-me, Pai.
Uma última prece, que eu me desfaça.
Desfaça-se o nada, para que Tu possas entrar, ó Musa.
Canto-te, tento ensaiar o canto… mas nada te subverte, nada te copia.
Tentei ser tu e não conseguia.
Ó Santo.
Musa em mim que canta.
Já não sei quem sou.
E que liberdade esta de não saber quem sou.
Ou, ainda melhor, de não ser nada.
(Que eu não me perca, ouve-se uma voz pequenina
Parece o homem do leme
Aterrorizado, mas sem medo. Vai.)
Jung foi-se e Freud também.
Ninguém Te compreendeu.
Porque ninguém Te quis ser, Pai
Faltou-nos grandeza.
Que a musa não cesse.

Dáme ser o segredo que eu esqueci.
Dá-me roubar o peão da morte
Na caixa fechada.
Aturdida, roda. Não sou eu.
Dá-me ser eu.

MAA

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