Gosto de sonhos que não sei se vou cumprir

Gosto de sonhos que não sei como vou cumprir. Isso garante-me que não sou eu, que há algo maior do que eu a operar as coisas. Gosto de não saber. De não saber como vai ser. De não saber nada. De ser uma completa ignorante face à vida… do inato do respirar… porque não preciso de o saber. Talvez devesse ler mais os “meus” textos. Talvez as respostas estejam lá e eu não veja. Talvez isso tudo seja verdade e eu teime em desconfiar do que sinto para seguir o que vejo. Talvez o mundo seja dos loucos ou não seja de ninguém e tudo bem com isso. Gosto de não ter ambições, mas estar carregada de sonhos… ou só de um… um que eu não sei ver, não sei concretizar… é maior do que eu e não o posso iniciar a achar que o vou cumprir… posso, meramente, começar, acreditando que se for vontade de Deus, se cumpre ou se inicia… se não for, não se cumpre, sequer se chega a iniciar.

Gosto de ser louca e de não me dar cavaco por isso… de não me dar justificações para o abandono… de fazer o que me apetece… de contradizer a minha cabeça velha, os “sonhos” velhos e que já não me cabem. Gosto de não saber quem sou, porque quando não sei, sobra amor… a única coisa que me guia. Quando não sei quem sou, percebo que não corro por nada… que não há nada que me mova, nenhum resultado… só o amor… só um “ter de ser” que não tem, que se opera por si… gosto de ser livre, embora não saiba o que isso é… quando tento “ver” que sou livre, explicar porque sou livre, já não sou… não dá para ir às palavras… as palavras inventam… gosto deste processo alquímico de palavras a tornar voz o que eu sinto… elas não sabem o que sinto… mas há algo em mim que começa, uma melodia que não é minha, mas sou eu, que começa… é doce, é terna, embala-me a voz e o coração… ah… pudesse eu ser sempre ela… mas tudo bem, contento-me quando ela me visita ou eu me deixo ser ela… ai, o Amor… o Amor é o melhor do mundo. Este que não pede, não cala, não exige… o amor que me faz sonhar, que me faz ser maior do que eu… que me dá vida antes de o começar… Há uma palavra para isso… chama-Se Deus… eu confundi-O com a falta de amor, com o dever, com o ter de… parva que fui… mas tudo bem, Ele diz-me que estou sempre a tempo de recomeçar… vou cair outra vez… e, quando isso acontecer, que me lembre deste texto… tenho muitos traumas, muitos medos… o meu coração aperta… mas já não me confundo com eles… ou, pelo menos, tento que eles não me impeçam de Ser quem sou… Um dia, hei de curar-me.. Um dia quebrarei todas as pontes que ligam o meu ser, vivo e total, à agitação do mundo do irreal e calma subirei até às fontes. Irei até às fontes, onde mora (…)o límpido esplendor (…) e na face incompleta do amor, (…) cumprirei todo o meu ser. Este poema trouxe-me as respostas todas aos oito anos… sentia, mas não percebia… talvez a minha maior riqueza, sentir sem perceber nada… é como o amor… quando nos apaixonamos, sentimos, mas não percebemos. Falta paixão na nossa vida, falta amar sem fazer perguntas… eu não falo do amor das mensagens, do flirt e das coisas… do amor que acontece, quando olho uma planta e ela é tudo… é vida, fulgor, animação, vigor… fertilidade. Gosto de uma planta, porque ela não nega nenhuma parte de si… conserva o Bem, sem olhar a quem nem se deturpar… uma planta não é ninguém e é tudo. Cumpre o seu papel. Urge ser uma planta. Quero ser uma planta. Por agora, ainda não sei sequer ser mulher… nem homem… ser humano é uma grande seca… juro que não sei ser isso… acho que me tolda, me limita… mas, tudo bem… posso não me identificar com ele e usá-lo como instrumento… mas tudo isso é teórico… ainda não sei fazer isso… a diferença é que agora, ou de vez em quando, vou sabendo que não é isso que me compete. Compete-me ser, sem interferir… o processo alquímico de amar não é meu… opera-se em mim. Eu só preciso de deixar.

Sonha muito. Voa. Eu vou estar sempre aqui. Amo-te.

 

Se quiseres entrar em contacto comigo, usa o formulário abaixo 🙂

Para encomendares livros, textos, trabalhos de revisão, conteúdos, podes usar o formulário.

Livros

Elas do Avesso – Vol I (formato físico) : 12€

Elas do Avesso II – 4€

Ensaios e Diarística – sob consulta (3€ cada ebook)

Partilhar
0

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *