“George” por Maria Matono – Programa de 12º Ano de Português

Este texto é todo de uma aluna de Português… desafiamo-la a pesquisar autonomamente sobre os contos et voilà… Obrigada, Maria!

“George”- O papel e representação da mulher e respetiva evolução

 Começamos, neste conto, com uma mulher (mais tarde sabemos que tem 45 anos) adulta, madura e experiente, que se encontra com o seu “eu” passado, uma rapariga de 18 anos em toda a sua inocência. Mais tarde, já de regresso ao sítio de onde veio, depara-se com uma mulher idosa de 70 anos, no comboio, onde esta lhe conta as verdades que todos conhecemos sobre a velhice.

 Gi, George, Georgina, todas uma, diferentes das outras e, no entanto, iguais, as três fases da vida da personagem principal. É, no entanto, nas conversas e pensamentos destas mulheres que me pretendo focar.

  No primeiro encontro, entre Gi e George, temos os pensamentos da segunda, relativamente à sua juventude e às pessoas que a rodeavam. “Superiores na sua ignorância”, Gi vem de uma família integrada na classe média portuguesa em meados do século xx, moradores de uma vila, tendo, por isso, os valores morais, não só da época, mas também da localização em que se encontrava. Valores conservadores, de ignorância a nível intelectual, de trabalho e de família. O papel da mulher, nesta sociedade, é, portanto, o de mãe e de esposa devotada, sem se expor, trabalhar para a família, casar com o namorado de anos e anos, viver uma vida pacata e sossegada, sem escândalos, sem nunca sair da terra onde nasceu.

 Escusado será dizer que a personagem principal em nada se identifica com estes valores, para nós, hoje em dia, tão desatualizados e, até certo ponto, ofensivos. Tendo em conta a “fome” de conhecimento de Gi, mais tarde George, esta jovem de 18 anos sai de casa, em busca de algo mais, na “grande cidade, onde as mulheres se perdem”. Podemos dizer que nos encontramos no início de uma era de mudanças.

  Com a sua mudança para Lisboa, George é criada, tornando-se numa mulher independente, sem a necessidade de se apegar a bens materiais, daí as casas já mobiladas, algo que nunca contou à sua mãe nas cartas que enviou, uma vez que entende as diferenças de mentalidade e a incapacidade desta entender a sua necessidade de largar tudo e “mudar de ares”.

  No fim, vemos uma mulher num comboio, uma George ainda jovem, mas, ao mesmo tempo, cansada. Vê-se no corpo de uma Georgina, velha mas ainda altiva, algo que entendemos pelo uso de maquilhagem, ainda que mal colocada, sem capacidade de continuar o seu ofício de pintora, mas orgulhosa da pessoa que em tempos foi. Contudo, é uma pessoa só, ou pelo menos é assim que a vejo, fruto da sua geração, com a sua aversão às dependências física e emocional.

  Temos as três fases da vida de uma mulher do século XX, anos 50, com todas as mudanças que o fim da guerra trouxe ao papel da mulher, com o início da sua independência financeira, o fim do papel do homem enquanto o centro da família (até porque a maior parte deles estava morta), o início da mudança de mentalidade das populações, início esse que nos traz até aos dias de hoje, onde mulheres, no mundo ocidental, vão à escola, trabalham, são financeiramente independentes, mães de família, donas de casa, cidadãs respeitadas pela comunidade.

  Foi graças a mulheres como Gi, George e Georgina que hoje, posso dizer orgulhosamente, que sou mulher, que vivo consoante o que acredito, que sou capaz de ser engenheira, mãe, dona de casa, esposa, CEO de uma multinacional, todas ao mesmo tempo ou apenas uma das anteriores, e que, qualquer que seja a minha escolha, é a escolha certa.  

 

Maria Matono

Blogue: https://conselhosdamicas.blogspot.com/

Obrigada!

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