Poesia I

A poesia tem essa coisa de me chamar para a Vida. Como um ritual em mim que se instala. Tem essa coisa de não me fazer desistir da vida, essa coisa de me fazer perseverar mesmo quando agora não há nada, só vazio e silêncio. Absoluto. Tem o dom de me transmutar… De tornar brado o meu calor infinito. O que não existia. Tem o dom de convocar personagens, ruas e personagens e outros tais que não sei que havia. Tem o dom de me fazer eu, mesmo quando eu não me conhecia. A poesia é dom, brado infantil de uma criança. O ledo enfermo de ser dor e de me salvar. A poesia não quer dizer absolutamente nada e diz tudo. A dor sublima-me. Corta-me aos pedaços e aos poucos, aos poucos eu sei quem sou. A poesia devolve-me o fluxo da vida, devolve-me quem eu não sei ser… Roseira brava ostensiva, magnânima e tão frágil, tão frágil que se parte. A poesia vence o telemóvel, a irritação e o nada. A poesia mostra o Ser que eu não conheço. A Poesia é quem sou. O mais próximo disso. Uma oração? A poesia, sempre a poesia.
A poesia vai me salvar (a).

(a) – que liberdade esta de não ter de escrever “salvar-me”. Que liberdade não ter de respeitar a escrita, porque ela serve o Alto, não os homens, nunca os homens.

#ElasDoAvesso

 

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