Conheço esses olhos

Olho os textos, os meus olhos brilham. Sorrio. Sei a verdade. Ela veio.

Conheço esses olhos. Sei quem Ela é. [Sei que Ele veio. Volta sempre, quando olho os textos e sorrio. Esta sou eu, prazer, na forma. Nua, sem sangramento. Feliz.]

Quero a liberdade de deixar tudo o que me pesa, tudo o que eu já não sou. Já não tenho o direito de estar aqui. Não sou nada aqui. arrasto. Tento o melhor que posso. Mas cedo aos textos e às coisas das revistas como um homem cede a uma mulher. Não é novo. É repetido. Não aguento a asfixia. Quero sair. Quero voar, meu Pai. Se me deixares, quero voar.

Quero deixar a torre que eu construí aqui. ela é fria, Pai. Mesmo que segura. Não quero mais. Liberta-me, leva-me no Teu sonho e deixa para trás o meu. Não quero mais. Vem ser inventivo. Despedaça-me e leva-me inteira, mesmo que aos pedaços o que nunca partiu. Pai, só sei ser eu aqui. não me deixes. Leva-me. Leva-me da bruma. Sei que posso. Sei que é a hora.

Os meus textos são orações e prece.

Post scriptum (não integral): Sei que podia aguentar, fazer de conta, tentar ser melhor. Respeitar o ser humano. Mas não ia chegar às conclusões a que chego… às vezes, errar é muito mais do que humano… é condição para sermos humanos, nos reconhecermos… pedirmos perdão pelo erro. Vislumbrarmos a força de quem está ao nosso lado… que se deixa ser rejeitado, ou não tão amado, para que possamos ir.

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