A Escola é Uma Campainha

A escola é uma quantidade enorme de campainhas de fora que nos ensurdecem as campainhas de dentro. De pequenos, somos ensinamos a ir porque nos chamam… de pequenos, somos habituados a acreditar que o que está fora nos controla. Não me venham dizer que é preciso termos limites e rédeas, os limites e as rédeas surgiram, quando deixamos de saber educar para criarmos um ego em cada um de nós… é ele que precisa de controlo, porque não é natural. A nossa natureza é perfeitamente harmoniosa… quando a campainha toca, ensino a criança que ela não é livre, que precisa de deixar de estar a fazer o que ama, porque a campainha tocou. A escola é uma grande seca. A escola é balouços abandonados e bebedouros vazios… uma sapatilha que não anda nos pés, arrasta os cotovelos. A escola cria Frankensteins em stilettos. A escola, a escola é uma grande seca. E quando a mim, se não puder fazer mais nada, pelo menos, “mudo-a” do lado de fora, com textos, encontros e olhos nas estradas. A escola é um samba para destruir… mas a escola também pode ser samba para construir. É lá que eu quero estar… no samba, nos tambores, no dissonoro, no que não faz sentido, no avesso das coisas… se falhar, falhei… se não for isto, não seja… mas, pelo menos, tentei… tentei que aquela campainha não tocasse para lhe dizer que ela não é livre… tentei que ela soubesse que tem em si todas as possibilidades do mundo… que a escola é um joanete e que ela tem joaninhas nos pés. Pies para que te quiero se tengo alas para volar.

Frida Kahlo

Frida Kahlo

(Já sei que somos Um e que não adianta mudar fora… já sei que é a mim que aquela campainha dói… já sei a metafísica toda… mas, agora, só por agora… deixem-me viver em paz, ó sábios da minha mente)

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