Amor sem Excel

Tornámo-nos num bando de cínicos à procura de segurança no amor. O amor não tem nada que ver com segurança. O amor é risco de caçadeira com rosa e espinho no obturador. O amor não é nada e é coisa nenhuma. O amor é tudo e vai destruir-te de forma a seres tu novamente. O amor é um convite à tua própria destruição, à destruição e ao desfazer do velho, às máscaras deitadas ao rio. O amor não tem nada que ver com ponderação. E quem o ponderou, faça-me um favor, termine tudo já.

O amor não pode exigir ponderação. Se pedir, não é amor. Equivalho-o a Deus. É um absoluto tiro no escuro pronto a resvalar os corações preparados. Mas nele, não vamos encontrar segurança. Vamos encontrar vida. Quem estiver bem com isso, viva. Quem não estiver, mate-se já na segurança das suas casas, assine a sentença do amor que sabe que vai ser como foi.

O amor é irrepetível, mesmo quando se repete. O amor abre o portal da consciência e essa nunca para de crescer. É impossível controlar o risco do amor, a não ser que queiramos meramente companheiros de casa, de sentença assinada. Aí, o amor pode ser de risco controlado, mas não assola, não desfaz o coração. Digo que amo, porque amo. Não controlo risco absolutamente nenhum. Desfiz-me uma vez e sei bem o que custa. Sei bem Quem estava lá para me salvar. O amor. O amor não era uma pessoa. O amor era eu dentro de mim, Deus a brincar comigo, nas teclas do meu piano, enquanto me cantava canções. Foi Ele Quem me salvou e me trouxe o amor em carne. Ainda assim, a carne não salva. Manifesta. Contrato assinado se as entrelinhas tiveram sido estreladas.

 #ElasDoAvesso

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